José Reis - Oficina promoveu a confecção e afinação de pandeiro no Sesc

Foto: José Reis - Oficina promoveu a confecção e afinação de pandeiro no Sesc

PANDEIRO

Sesc promove oficina de instrumento de percussão

Ação propôs a confecção, juntamente com o ensino de alguns toques e afinação; importância da construção é disseminar a cultura africana

  • 26/05/2019 06:37
  • WEVERSON NASCIMENTO - Da Redação

O pandeiro é um instrumento de percussão que, no Brasil, ganhou notoriedade como acompanhamento no samba e na capoeira. Além de marcar o ritmo, ele se adequa perfeitamente aos movimentos da dança e permite que os próprios dançarinos sejam os instrumentistas. Uma oficina promovida pelo Sesc Thermas de Presidente Prudente ontem, propôs a confecção de um pandeiro, juntamente com o ensino de alguns toques e afinação.

De acordo com o professor de cultura popular Ednilson da Silva Victorino, 36 anos, mais conhecido como Molejo, o pandeiro é de origem indiana e chegou ao Brasil através dos portugueses no tempo da colonização. “Na época, o pandeiro, por motivos festivos, foi um dos motivos de inclusão e aceitação, pois existia a proibição dos instrumentos africanos. Então, um instrumento trazido pelos portugueses era mais fácil de ser incluso na cultura e não ser proibido entre os movimentos africanos”.

O professor diz que a importância da construção é disseminar a cultura. O projeto engloba ações que objetivam o fortalecimento e o reconhecimento da cultura negra, bem como o fomento à convivência e o respeito pelas diferenças, com o intuito de refletir sobre a construção da identidade e pluralidade de manifestações e expressões culturais.

Molejo iniciou na arte em 1996, como aluno de capoeira, com apenas 11 anos. Em 2002, começou sua história como artesão de instrumentos e, em 2004, teve oportunidade de conhecer o mestre Claudio Costa, em Feira de Santana, na Bahia, onde surgiu o interesse para construir e confeccionar outros instrumentos de percussão.

Produção

Na oficina, que ocorreu no quiosque, os participantes aprenderam a confeccionar seu próprio instrumento. O professor explica que, para confecção do pandeiro é necessário ser prensado, para ficar em formato redondo. “Além disso, utiliza-se de platinas de aço inox e couro de carneiro”. O instrumento para ficar 100% pronto para tocar, demora no mínimo quatro dias, porque que é confeccionado artesanalmente e não industrialmente, “logo demora um tempo maior para os seus processos”, diz Molejo.

Além de contar com habilidade manual para a construção do instrumento, o público teve oportunidade de aprender alguns toques e afinação e levar o instrumento de percussão para casa. A estudante Ana Kusano, 42 anos, relata que foi a primeira experiência com o instrumento. “É muito bacana porque é um instrumento bonito de se escutar, ainda mais na nossa cultura que é muito utilizado, então poder participar da confecção dele é muito válido”. Ana havia participado de uma atividade anterior promovida pela instituição e através de uma amiga se interessou pela oficina de pandeiro.