Segurança e paz almejada

  • 17/09/2019 04:07
  • Arlette Piai

A pior lógica é pensar que a questão da segurança se resolve com mais violência, mais repressão e mais armas. A “guerra civil” nas favelas do Brasil tende a ricochetear a todos porque essa guerra já não cabe mais apenas nas periferias. Ela transbordou para os bairros “nobres” com o aprofundamento da sociedade do consumo. A lógica da sociedade atual é a do espetáculo extremamente perverso porque idealiza padrões de consumo como se fosse o bem maior que o homem possa atingir, como se fosse a conquista da plenitude Ademias restringe “o acesso as benesses” dessa sociedade patológica a uma casta privilegiada.

A dominação econômica definiu toda realização humana numa degradação em que se transforma “o ser” o essencial, ao “o ter” comercial.  A fase atual, em que a vida está totalmente dominada pela economia, conduz ainda a transferência do ter para o “parecer” numa degradação social como expõe Guy Debord, em seu clássico “A sociedade do espetáculo”. Por meio da embriaguez causada pelo fetiche das aparências aliada à negação da vida real e busca do “parecer”, mas acarreta a violência porque aniquila a essência pessoa humana. O Brasil é um dos países onde mais se mata com arma de fogo. São 17 mortes por minuto. A maioria delas causada por motivos banais, como uma briga de trânsito, ou simplesmente tomando uma cerveja num bar, um som com um volume muito alto.

Portanto, está evidente que o caminho para a paz social é o da desconstrução da ordem imagética e da superação da lógica do consumo. Enquanto não se superar essa sociedade com todos os seus vícios deletérios, a paz social tão sonhada não chegará. A não violência não é apenas um ideal a ser buscado, mas uma forma permanente de vida, baseada na justiça e na inclusão social. É preciso cuidar do outro com o verdadeiro sentido da palavra. “O cuidado é uma condição essencial do ser humano e abrange também o contexto da exclusão social, bem como o conjunto da vida do nosso planeta” (Leonardo Boff).

A guerra e o armamentismo são absurdos, principalmente em um mundo que gasta por ano mais de 700 bilhões de dólares com armas e não tem dinheiro para alimentar milhões de crianças ou cuidar da saúde das vitimas da Aids na África.  Desenvolver a cultura da paz começa pela vida cotidiana de cada um. Essa consciência passa inevitavelmente pela escola. É na escola que se forma valores humanos, a consciência de direitos e deveras, na escola está ou deve estar o embrião da formação ética. Somente através da educação, a pessoa se torna mais consciente e mais humana.

Omitir a educação é preparar dores e perdas irreparáveis à sociedade. Como ensinou Airton Golbert: A grandeza de uma nação não depende da extensão do seu território, mas da formação e educação do seu povo. Enfim, mais armas para a população e mais repressão é sinônimo de multiplicação da violência. Esse contexto, leitor, funciona na sociedade como funciona a panela de pressão ao cozer alimentos, mas a panela - pode explodir.  

 

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