Cotidiano

São Paulo inovou com o combate à febre amarela

O livro-reportagem “O combate à febre amarela no Estado de São Paulo: história, desafios e inovações”, a ser lançado terça-feira, no Palácio dos Bandeirantes, descreve o avanço recente da epidemia desde São José do Rio Preto, passando por Ribeirão Preto e Campinas, até chegar à capital, e depois espraiar-se pelo Litoral e Vale do Paraíba. Ao mesmo tempo, a publicação aponta as inovações da pesquisa científica ao longo da mais severa epidemia de febre amarela nas últimas décadas e apresenta um histórico da doença no Brasil desde a primeira ocorrência, em 1625, no Recife. A obra foi produzida pe

  • 15/12/2018 05:02
  • Contexto Paulista

São Paulo inovou com o

combate à febre amarela

O livro-reportagem “O combate à febre amarela no Estado de São Paulo: história, desafios e inovações”, a ser lançado terça-feira, no Palácio dos Bandeirantes, descreve o avanço recente da epidemia desde São José do Rio Preto, passando por Ribeirão Preto e Campinas, até chegar à capital, e depois espraiar-se pelo Litoral e Vale do Paraíba. Ao mesmo tempo, a publicação aponta as inovações da pesquisa científica ao longo da mais severa epidemia de febre amarela nas últimas décadas e apresenta um histórico da doença no Brasil desde a primeira ocorrência, em 1625, no Recife. A obra foi produzida pelo Centro de Vigilância Epidemiológica “Professor Alexandre Vranjac”, da Secretaria de Estado de Saúde de São Paulo, com apoio da Opas (Organização Pan-Americana de Saúde) e da OMS (Organização Mundial da Saúde). O conteúdo é do jornalista científico Carlos Henrique Fioravanti e o projeto gráfico, de Hélio de Almeida e Thereza Almeida.

 

Monitoramento

Em 2017, para enfrentar a epidemia de febre amarela que ganhava espaço no interior rumo à capital paulista, as equipes de saúde do Estado elaboraram mapas que previam a direção e a velocidade de deslocamento do vírus causador da doença. Os mapas fundamentaram as campanhas de vacinação em áreas de risco antes da chegada do vírus. Antes disso, no início de 2008, para tratar dos casos graves que chegavam principalmente do município de Mairiporã, as equipes do Hospital das Clínicas da USP (Universidade de São Paulo) fizeram transplantes experimentais de fígado e – algo não noticiado à época – desenvolveram e testaram procedimentos médicos, incluindo a troca de plasma sanguíneo e hemodiálise, que indicaram caminhos para deter uma doença antes vista sem tratamento. O livro, de 184 páginas, estará disponível em PDF a partir de 19 de dezembro no site do CVE (Centro de Vigilância Epidemiológica) da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, com acesso livre.

 

Números

De acordo com o livro, a epidemia de febre amarela silvestre de 2017 foi a mais intensa desde 1980. Em todo o país, foram registrados 1.266 casos confirmados em seres humanos, com 415 mortes e letalidade de 32,8%, de 1º de julho de 2017 a 16 de maio de 2018. A região Sudeste concentrou quase todos os casos (1.265); o único caso fora dessa região ocorreu no Distrito Federal, com óbito. Minas Gerais registrou 520 casos confirmados, com 177 mortes; São Paulo, 516 e 163; Rio de Janeiro, 223 e 73; Espírito

Santo, 6 e 1. Pela primeira vez, a epidemia de 2017 afetou as regiões metropolitanas de Belo Horizonte, Rio de Janeio e São Paulo, com um total de 220 municípios atingidos. O vírus reapareceu em regiões litorâneas, ocupadas por Mata Atlântica, onde a doença não tinha sido registrada durante décadas.

 

Trecho da obra

Segue trecho do livro a ser lançado: “Milhares de pessoas trabalharam no combate à febre amarela entre 2016 e 2018. Houve diplomatas e guerreiros. Os primeiros negociavam, articulavam, motivavam equipes, preparavam o terreno para a ação. Os guerreiros agiam nas linhas de frente, sem hesitar em fazer barulho. “Bom dia! Vamos acordar! Vamos tomar a vacina da febre amarela”, gritava uma mulher com um microfone com alto-falante, percorrendo o bairro de Pirituba, em São Paulo, em fevereiro de 2018, à frente da equipe de vacinação de casa em casa. Em silêncio, outras equipes percorriam as matas e as cidades em busca de macacos mortos e mosquitos para examinar. Houve grandiosidade, como as equipes de saúde da região de Taubaté que caminhavam o dia inteiro para vacinar 10 pessoas em lugares de outra forma inacessíveis. Houve demonstrações de mentes abertas para o incomum, como o gerente de um shopping center de Guarulhos que permitiu a entrada de agentes de saúde para vacinar seus clientes. Ou o agente de saúde que conversou com um padre de Ubatuba e, juntos, acertaram a vacinação dos moradores logo depois da missa de um domingo. Houve solidariedade, como a trupe de jipeiros dos municípios da serra do Mar, que levou as equipes de saúde e vacinas até os moradores das áreas mais remotas”.

 

De vento em popa

Doze empresas anunciaram investimentos em Sorocaba ao longo de 2018, que somaram R$ 149 milhões e geraram 1,3 mil empregos, segundo o Cruzeiro do Sul, da Rede APJ (Associação Paulista de Jornais).

 

Na Assembleia

Os deputados estaduais aprovaram em plenário a proibição da cobrança de taxas de adesão ou mensalidades pelo uso de dispositivo eletrônico para pagamentos de tarifas de pedágios das rodovias do Estado. Depende agora do governador para virar lei.

 

Orçamento OK

A Assembleia Legislativa aprovou, finalmente, o orçamento do governo paulista para o próximo ano, com valor que representa aumento de 6% em comparação com a proposta orçamentária de 2018 - cerca de R$ 230 bilhões. O deputado Marco Vinholi (PSDB) diz que está previsto um leve crescimento econômico em 2019, “mas não será possível atender a todas as demandas do Estado”.

 

Animais no carro

O Detran (Departamento de Trânsito) de São Paulo lembra que é proibido o transporte de animais à esquerda ou no colo do motorista, e também na parte externa do veículo. A recomendação é que sejam sempre transportados no banco de trás, com uma cadeirinha específica, para os pequenos, e um cinto, para os grandes. Os acessórios são encontrados em lojas para pets. Também não se pode deixar o pet com a cabeça para fora do veículo.