São Paulo e China, uma história promissora

  • 15/08/2019 00:02
  • João Doria

A distância que separa São Paulo de Pequim tornou-se menor com a aproximação feita pela mais importante missão que o governo paulista já enviou à China. São Paulo pretende se tornar um ponto de vanguarda da Nova Rota da Seda, movimento de abertura e integração promovido pelo governo chinês.

Neste mês, estive à frente de uma comitiva de 35 empresários e autoridades estaduais para encontros com investidores e executivos em Pequim, Xian e Xangai. No último dia 9, o governo de São Paulo abriu escritório comercial em Xangai para promoção de comércio, investimentos e intercâmbio em tecnologia, infraestrutura, agronegócio, saúde, energia, educação e turismo.

São Paulo compra 38% de todos os produtos manufaturados da China que chegam ao Brasil. A China é o segundo destino das exportações paulistas, representando 12,46% do total. Temos 11 acordos de cooperação firmados entre São Paulo e China. E, em 2019, nosso governo já promoveu oito reuniões com autoridades chinesas.

A China tem US$ 70 bilhões investidos no Brasil e busca ampliar este estoque. Na missão deste mês, apresentei a empresas e bancos chineses um programa de desestatização, concessões e privatizações com 21 projetos em áreas como mobilidade urbana, aeroportos, trens, rodovias, hidrovias e portos.

Queremos parcerias para desenvolver uma linha de trem de passageiros com investimento de US$ 2 bilhões. Em Pequim, tivemos uma reunião com a CRCC, líder mundial no setor ferroviário. Em Xian, conversamos com a CR20, maior construtora da Ásia em receita. Ambas querem investir no transporte sobre trilhos de São Paulo. A CRCC deseja participar da Linha 6-Laranja, do Metrô, e a CR20 pretende disputar o Trem Intercidades.

Desejamos estimular mais operações chinesas nos portos de Santos e de São Sebastião. É um caso típico de ganha-ganha entre São Paulo e a China. A Cofco, maior processadora e comerciante de alimentos da China, vai ampliar a importação de produtos do Brasil. E a área de processamento de produtos agrícolas é prioritária para o avanço da cooperação São Paulo-China.

No setor privado, a missão também rendeu resultados objetivos. A Kidy, uma empresa de calçados de Birigui, firmou contrato de R$ 25 milhões para exportação. Diversos outros negócios avançaram, comprovando o acerto da política de ampliação da integração global de São Paulo.

A disputa comercial entre EUA e China abre oportunidades para o Brasil. Porém, temos de buscar e concretizar esses negócios. A China tem o Brasil como parceiro estratégico e fortalecemos o entendimento de que São Paulo tem bons projetos e segurança jurídica.

Trabalho, planejamento e educação fizeram da China uma potência econômica e tecnológica. Estreitar laços, aumentar a confiança mútua e ampliar nosso mercado bilateral são prioridades de São Paulo em relação à China. São consequências inescapáveis de quem enxerga o presente como atitude transformadora. E o futuro como oportunidade.

ÚLTIMAS DO AUTOR