Santa casa realiza 2 transplantes até o momento

ANDRÉ ESTEVES • 09/03/2018 09:18:24

Na região de Presidente Prudente, a Santa Casa de Misericórdia é a única unidade de saúde credenciada e habilitada para transplantes de rim. No ano passado, o hospital realizou 12 procedimentos, ao passo que, neste ano, foram realizados dois até o momento, informa a instituição. O HR (Hospital Regional) Dr. Domingos Leonardo Cerávolo, por outro lado, realiza apenas a captação de órgãos. De acordo com o DRS-11 (Departamento Regional de Saúde), a unidade tem aumentado sua produção relacionada ao serviço e contabiliza 114 captações de órgãos em geral durante o ano de 2017. Para o departamento, os números conquistados são fruto do trabalho da equipe para sensibilizar os familiares com relação à autorização de doação de órgãos. Ao longo do ano passado, cerca de 70% dos familiares abordados pela CIT (Comissão Intrahospitalar de Transplantes) do HR autorizaram o procedimento.

Embora Prudente seja referência na captação de órgãos, o Carim (Associação do Paciente Renal Crônico e Transplantado) entende que ainda é baixo o número de transplantes realizados no município. Por isso, promove mesas redondas e fóruns anuais com o objetivo de discutir o sistema de transplante da cidade.

Para o urologista Felipe de Paula, membro do Núcleo de Transplante da santa casa, a oferta de rins aos pacientes que estão na fila não depende da instituição, mas da lista de espera estadual, que redireciona para onde os órgãos devem ir a partir da colocação do candidato ou do grau de compatibilidade. Isso porque, muitas vezes, a pessoa pode estar em primeiro lugar na lista, mas não ser compatível com o rim. “Proporcionalmente, somos uma das regiões que mais captam órgãos, porém, esses procedimentos não resolverão apenas os problemas de Prudente, mas de todo o Estado”, esclarece.

Felipe destaca que, para evitar a demora na fila do transplante, o que pode ser feito eventualmente é a doação inter vivos, ou seja, quando uma pessoa viva doa para outra. Contudo, há uma tendência nos países desenvolvidos de fazer a captação somente após a morte, pois evita que alguém saudável tenha de renunciar a um de seus órgãos. “O ideal é que tenhamos uma oferta grande de rins vindos de falecidos. Além disso, é preciso conscientizar os doentes renais crônicos a se inscreverem na lista de espera, pois quanto mais pacientes tivermos na lista, mais chances temos de receber órgãos”, argumenta o profissional, que aponta o medo da cirurgia ou da ineficácia dela como um dos principais motivos para a pessoa com insuficiência renal não recorrer ao transplante.

O especialista enfatiza que as famílias estão mais abertas para a doação de órgãos, contudo, a aceitação nem sempre é imediata. Nesse sentido, a santa casa possui uma equipe treinada para orientar os entes do paciente sobre os benefícios do procedimento. Outro ponto favorável, segundo Felipe, é que as pessoas manifestem em vida o desejo de ser doadoras de órgãos, pois, atualmente, o RG não é mais acompanhado por esse tipo de informação. “Após a morte, a responsabilidade da escolha recai sobre a família. Provavelmente, a doação de órgãos não é algo que ela queria para você, mas se este era o seu desejo, seus familiares estarão conscientes”, pontua.

 

Transplantado

O pedreiro aposentado Sérgio Lima dos Santos, 47 anos, foi uma das pessoas que conseguiram deixar a fila de espera pela cirurgia no ano passado. Quatro anos após o diagnóstico da doença e o início do tratamento de hemodiálise, o paciente recebeu a notícia de que seria contemplado com um rim novo. Embora o tempo aguardado pelo procedimento seja descrito como “relativamente curto” comparado ao de outras pessoas, Sérgio afirma que os dias de espera foram longos, uma vez que a diálise reduziu a sua qualidade de vida.

Ele relata que deixava sua casa três vezes por semana no começo da manhã e só retornava no final da tarde, o que o deixava cansado e sem tempo para se dedicar a outras atividades. “Eu basicamente vivia para a hemodiálise. Quando chegava em casa, só queria cama. Então, os desafios nesse período foram grandes”, expõe.

A vida de Sérgio mudou completamente depois do transplante. Ele aponta que hoje pode viajar e ficar mais com os filhos. “Eu acabo ficando muito distante da minha família, porque sofria muito e sentia dor”, comenta. As mudanças começaram a ser percebidas após os dois meses que sucederam a operação. “A minha pele voltou a clarear [o escurecimento da pele é um dos efeitos da doença renal crônica] e eu parei de me sentir debilitado. Hoje levo uma vida saudável. Só preciso tomar cuidado com a alimentação, repouso e hidratação”, conta.

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