Estimativa do IEA

Safra agrícola estima decréscimo de 15,83%

EDR alerta a ascensão da cana-de-açúcar como causador da queda nas demais produções; algodão perde comercialização

THIAGO MORELLO - Da Redação • 03/03/2018 13:17:07

De acordo com a segunda estimativa realizada pelo IEA (Instituto de Economia Agrícola) e a Cati (Coordenadoria de Assistência Técnica Integral), o cenário agropecuário tem tudo para ser pior em relação ao último ano. O estudo realizado mostrou que a safra agrícola prevista para o ano de 2017/18 deverá ser 15,83% menor que 2016/17. A situação torna-se mais preocupante, uma vez que na primeira estimativa feita, mostrou-se que o decréscimo estava próximo a 5%, como noticiado pelo O Imparcial, ou seja, aumento de mais 10 pontos percentuais. A produção, que fechou na última safra com 114.035 ha (hectares), vem para esta temporada com previsão de ser concluída com 95.980 ha (veja tabela), levando em conta a 10ª RA (Região Administrativa do Estado de São Paulo), cuja sede é em Presidente Prudente, e aborda 53 municípios.

Mas para que esse levantamento fosse feito, também foi levada em conta a estimativa de safra agrícola isolada de cada EDR (Escritório de Desenvolvimento Rural) que compõe a região, isto é, Dracena, Presidente Prudente e Presidente Venceslau. De forma separada, apenas o primeiro deles mostrou que a previsão para esse ano pode ser melhor que 2016/17.

Apesar de ter reduzido o número de hectares de uma estimativa para outra, como mostram os números, o EDR de Dracena ainda prevê um ano melhor, uma vez que a última safra terminou com 7.377 ha, e agora o estudo aponta que 2017/18 pode fornecer 7.919 ha, levando em conta todos os tipos de produção. O diretor-técnico do órgão, Luís Alberto Pelozo, entende que isso é reflexo de um trabalho “junto aos produtores na questão de diversificação, manejo e condução das plantações”. Com isso, ele afirma que a aproximação dos trabalhadores faz com que as culturas trabalhadas na região não sofram quedas, mas ao menos se mantenham. “Mesmo que não tenha elevação, manter já é um ganho”, completa.

Ademais, Luís analisa que em termos de volume, a região tem trabalhado com uma produção bem diversificada, isto é, frutas, café e milho, por exemplo. Entretanto, ainda de acordo com ele, o IEA não tem levantado algumas culturas que têm sido fortes no entorno, como o urucum e a seringueira. Mas por ora, no que tange à queda prevista, a mecanização da cana-de-açúcar, que promoveu crescimento na produção da mesma, também é apontada como uma das causas da queda nas demais plantações, com o pensamento de um retorno garantido.

Como ainda tratam-se de previsões, o engenheiro agrônomo e assistente de Planejamento do EDR de Prudente, Wilson Antônio Machado, diz que “somente após a depuração e consolidação final dos dados, poderemos saber realmente o que houve no cenário”. Para ele, as informações parciais da safra agrícola em curso são subjetivas e constituem-se num processo dinâmico, podendo por isso sofrer retificações ou atualizações.

O EDR de Venceslau também foi procurado para repercussão, mas a reportagem não recebeu nenhum posicionamento até o final desta edição.

 

Sem área”

Os números também mostram que o algodão obteve uma queda significativa e isso foi apontado por Luís como “destino certo”. Ano a ano mostra que a plantação está praticamente “sem área”, conforme o diretor-técnico. “Aos poucos, a tendência é acabar com essa produção, por questão de mão de obra e de mercado. Praticamente extinguiu a comercialização, o que fez com que produtores acabassem migrando pra outra atividade”, finaliza.

É o caso do Sebastião Aparecido da Silva. Agricultor, ele confessa que deixou de praticar a plantação do algodão e também amendoim, em vista do pouco retorno que tinha. Apesar de sempre vir “tocando o mesmo tanto de terra”, como ele mesmo diz, consegue ver que as pessoas não estão conseguindo produzir. “A mecanização gerou um cenário ruim de trabalhar. Sendo assim, os custos com óleo diesel é absurdo, porque o valor praticado no combustível é vergonhoso”, pontua.

Em vista desse cenário, Sebastião começou a trabalhar com verduras e legumes, mas principalmente a batata-doce. “Não tem como voltar para o algodão, cada vez mais a comercialização dele fica escassa na região”, conclui.

 

Estimativa de safra agrícola da 10ª RA

Produtos

Área final (ha) 2016/17

Área previsão (ha) 2017/18

1ª Estimativa

2ª Estimativa

Algodão

1.127

1.296

886

Amendoim das águas

17.518

17.938

17.929

Arroz de sequeiro e várzea

2

32

32

Arroz irrigado

-

-

-

Batata das águas

200

160

-

Feijão das águas

246

465

425

Milho

32.948

30.595

22.429

Milho irrigado

760

590

100

Soja

58.004

53.458

51.764

Soja irrigada

3.230

3.701

2.400

Cebola de muda

-

-

15

Cebola de plantio direto

-

-

-

Total

114.035

108.235

95.980

 

Previsões e estimativas das safras agrícolas por EDR

Produtos Dracena Presidente Prudente Presidente Venceslau
Área final 2016/17 Área previsão 2017/18 Área final 2016/17 Área previsão 2017/18 Área final 2016/17 Área previsão 2017/18
1ª Estimativa 2ª Estimativa 1ª Estimativa 2ª Estimativa 1ª Estimativa 2ª Estimativa
Algodão 45 44 4 682 822 482 400 430 400
Amendoim das águas 2.968 3.365 3.903 13.842 14.125 13.576 1.220 1.220 450
Arroz de sequeiro e várzea - - - 2 32 32 - - -
Arroz irrigado - - - - - - - - -
Batata das águas - - - 200 160 - - - -
Feijão das águas 190 400 380 50 50 30 6 15 15
Milho 3.165 3.685 3.009 24.590 22.570 15.570 4.794 4.031 3.850
Milho irrigado - - 1 400 400 - 360 190 100
Soja 1.009 755 622 50.500 45.700 44.100 6.755 7.403 7.042
Soja irrigada - - - 2.390 2.390 2.400 840 1.311 -
Cebola de muda - - - - - 15 - - -
Cebola de plantio direto - - - - - - - - -
Total 7.377 8.249 7.919 92.656 86.249 76.205 14.375 14.600 11.857

Fonte: IEA/Cati 

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