Rios voadores da Amazônia

  • 03/10/2019 04:14
  • Marco Antonio Del Grande Alegre

Os rios voadores são os enormes cursos d’água atmosféricos, formados por vapor de água, muitas vezes acompanhados por nuvens, que vem do Oceano Atlântico. Eles são os principais responsáveis pela formação de chuvas na Amazônia e também pela regulação do clima de algumas regiões, tais como o Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo.

Às vezes os rios voadores chegam até outros Estados e também têm um papel importante na regulação do clima de países como a Bolívia e o Paraguai. Perto da linha do Equador, são os ventos alísios que sopram de leste para oeste que trazem a umidade evaporada do Oceano Atlântico em direção ao continente sul-americano. As chuvas que caem sobre a Floresta Amazônica é evaporada pelo calor do sol tropical e pela ação da evapotranspiração das árvores. 

Dessa forma, o ar é sempre recarregado com mais umidade, que continua sendo transportado rumo ao oeste, até encontrar a barreira natural formada pela Cordilheira dos Andes, quando as massas de ar ainda carregadas de vapor de água são forçadas rumo ao sul e trazem a umidade para outras regiões do país.

Especialistas em meteorologia e hidrologia sabem da existência dos rios voadores desde o início dos anos 1960. Mas só mais tarde que foram descobertas as origens desses vapores de água, a forma como eles se interagem com a superfície do planeta, também o modo como eles agem na formação das nuvens gigantes.

Contudo, a expressão “rios voadores” surgiu apenas na década de 1990, pelo pesquisador do clima José Marengo, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Esse conceito de rios aéreos, uma analogia aos rios terrestres, surgiu para simplificar o nome científico: Jatos de Baixos Níveis da América do Sul. Pesquisadores também descobriram que os rios voadores sofrem mudanças durante o seu percurso sobre o Brasil. Ao passar sobre a Floresta Amazônica, eles incorporam a água que evapora diretamente do sol e das plantas.

Em suma, a Floresta Amazônica presta um serviço ambiental preciosíssimo, ao sugar para dentro do continente os ventos umedecidos pelo oceano, alimentando os rios voadores com umidade e distribuindo-a para o resto do país. 

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