Revolução de 32 é lembrada com solenidades e desfile cívico

Militares, familiares de ex-combatentes e população em geral prestigiaram eventos às margens da Praça Nove de Julho, em Prudente

THIAGO MORELLO - Da Reportagem Local • 10/07/2018 07:48:00

Desfile cívico marcou o fim das solenidades alusivas à Revolução de 32. Foto: Marcio Oliveira

Às margens da Praça Nove de Julho, ontem, em Presidente Prudente, era possível encontrar uma concentração de militares e demais repartições policiais, além de familiares de ex-combatentes, políticos e a população em geral. Aliás, não poderia haver lugar melhor para que ocorresse, por mais um ano, as comemorações do feriado que leva o nome da praça, alusivo à Revolução Constitucionalista de 1932, que chega a seu 86º aniversário. Entre as solenidades, o ponto alto da festividade foi marcado pelo desfile cívico de encerramento, bem como a entrega de medalhas aos homenageados do dia.

E pouco a pouco a cerimônia foi iniciada. Logo no início, o comandante do CPI-8 (Comando de Policiamento do Interior-Oito), coronel Adilson Luis Franco Nassaro, pontuou a importância de reafirmar, todos os anos, a necessidade de lembrar do 9 de julho como uma data que representa um dos pontos altos da democracia brasileira. “É uma alegria ver o povo comparecendo e prestigiando um evento como esse. Precisamos lembrar desse marco histórico”, declara.

E até mesmo quem não sabia do que se tratava decidiu comparecer para receber uma aula de história. À reportagem, a atendente Sandra Regina, 36 anos, não se envergonha ao dizer que não conhecia sobre a revolução, o que foi um dos motivos para comparecer ao evento. Por outro lado, o estudante Rogério Oliveira, 22 anos, mais ciente do que o feriado se trata, lembra que, também conhecido como Guerra Paulista, está atrelado a uma insatisfação política vivida na época.

Mas a gente explica que significa bem mais que isso. Como lembrado pelo próprio coronel, apesar do nome da revolução ser anexa ao ano de 1932, tal insatisfação política vinha desde 1930. A intenção era derrubar o governo provisório de Getúlio Vargas, após o mesmo indicar interventores não paulistas. O povo, já com intenção de revolta, exigiu mudanças por meio dos movimentos e conseguiu. “Naquela época, a união nunca fez tanto a diferença, o que mostra a importância de juntarmos as forças nos momentos necessários. Se eu pudesse resumir esse momento e a epopeia em uma palavra, seria: ideal”, frisa Franco.

Momento solene

Para quem compareceu ao local, três momentos, no qual a emoção pode ser presenciada, marcaram toda a celebração. Em primeiro plano foi a entrega de 72 medalhas para militares, divididas em três categorias: Medalha de Valor Militar, Medalha Constitucionalista e Medalha Mérito da Juventude Constitucionalista. Pouco a pouco, eles foram nomeados e convidados à frente do palco improvisado, onde recebiam a condecoração e se juntavam aos amigos e familiares.

Logo em seguida, representantes da Ordem Demolay e do grupo Filhas de Jó, que juntos, em silêncio absoluto - em gesto de respeito aos combatentes da revolução - carregaram uma coroa de flores até o monumento instalado no canteiro central da Avenida Coronel Marcondes, que representa o marco da Revolta Paulista.

Por fim, ao som da banda sinfônica da Polícia Militar, o cortejo foi iniciado. Além das Filhas de Jó, Ordem Demolay, Grupo de Escoteiros Guayporé, Lions Clube e o Tiro de Guerra, todas as ordens do policiamento desfilaram: Civil, Militar, Ambiental, Rodoviária e Corpo de Bombeiros - e suas repartições -, com direito à finalização e acompanhamento do Helicóptero Águia.

Homenageados

Em síntese, as principais homenagens do dia não teve apenas um nome, mas nomes. O jornalista prudentino Altino Correia foi o primeiro da manhã a ser chamado à frente. Acompanhado pela esposa, filhas e netos, ele recebeu a homenagem intitulada “Aldo Chioratto”, uma criança que faleceu em combate com 13 estilhaços de granada. Escolhido pelos Escoteiros Guayporé, segundo Marcelo Costilho Jorge, presidente do grupo, o prudentino foi indicado por conta do seu histórico de vida. “Me sinto feliz e horando”, diz Altino.

E com direito ao uso do traje militar utilizado na época, o capitão e dentista da PM, Vitor José Bazzo, subiu ao microfone para prestar homenagem aos ex-combatentes da Revolução de 1932. À população, ele falou da braveza dos militares e a importância de reconhecer a data como feriado, “por aqueles que lutaram bravamente pelas mudanças”.

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