Nove de julho

Revolução de 1932 é lembrada em Prudente com homenagens

José Carlos Daltozo, historiador, exalta que data marca época em que “a união fez a força, e mostra que quando as pessoas se sentem incomodadas devem lutar por mudanças que desejam no país

SANDRA PRATA - Especial para O Imparcial • 08/07/2018 04:00:00

 Expectativa é de reunir 800 pessoas na celebração em homenagem a Revolução de 1932. Foto: Arquivo / Oslaine Silva

Quem sabe faz a hora, não espera acontecer...”, o trecho da canção de Geraldo Vandré corresponde exatamente ao que o espírito do feriado de 9 de julho, Dia da Revolução Constitucionalista de 1932, representa. Segundo o historiador e escritor, José Carlos Daltozo, a data marca uma época em que “a união fez a força, e mostra que quando as pessoas se sentem incomodadas com algo devem ir às ruas e lutarem pelas mudanças que desejam no país”. No contexto histórico do Estado de São Paulo o dia é lembrado como um dos mais importantes, assim o governo de Presidente Prudente em parceria com a PM (Polícia Militar) comemoram amanhã, na Praça Nove de Julho, com programação especial, o 86° aniversário da Revolução de 32.

Segundo o primeiro-tenente Thiago César, que será mestre de cerimônias do evento, na ocasião serão entregues 72 medalhas para militares – divididas em três categorias: Medalha de Valor Militar, Medalha Constitucionalista e Medalha Mérito da Juventude Constitucionalista.

No cronograma consta ainda homenagens prestadas à familiares de ex-combatentes. “Participam conosco o grupo de escoteiros [Guayporé], o pessoal do Lions Clube Presidente Prudente e ao final encerramos com um desfile em homenagem ao dia”, expõe o tenente.

O desfile em memória dos ex-combatentes que desbravaram seus direitos será com os atiradores do Tiro de Guerra e da Escola de Soldados. Iniciará na Avenida Coronel José Soares Marcondes, em frente a praça, até a Rua Doutor Gurgel.

“Nossa expectativa é receber em torno de 800 pessoas. Esse evento é cultura, não cogitamos deixar de realizá-lo. É importante reconhecer essa data como feriado”, frisa tenente César.

Arquivo / Oslaine Silva - Policiais, que representam bem os  combatentes carregam as bandeiras do seu país, Estado e município

 Homenagem escoteira

Segundo Marcelo Costilho Jorge, presidente do Guayporé, todos neste ano o grupo escolheu o jornalista Altino Correia para ser homenageado. “O escolhemos por sua trajetória de vida e ensinamentos que estão em consonância aos preceitos do movimento escoteiro. Essa homenagem leva o nome de Aldo Chioratto, uma criança que faleceu em combate com 13 estilhaços de granada. A única criança que tem os restos mortais no Mausoléu de 32. É um obelisco no Parque do Ibirapuera, ele é a personificação do espírito escoteiro de servir ao próximo em toda e qualquer ocasião”, ressalta Marcelo.

O homenageado, exerga a atitude e o evento como uma oportunidade de reverenciar a história de São Paulo nesses 86 anos da Revolução. “Tive a chance de conviver com o coronel Brisola que teve uma atuação marcante em 32, principalmente na região, quando formou um batalhão constitucionalista com 1.200 homens aqui em Prudente”, menciona Altino Correia.

Divulgação / Maurício D’SAltino Correia será homenageado pelo Grupo de Escoteiros Guayporé

União faz a força

“O que é importante as pessoas entenderem é que na Revolução Constitucionalista, São Paulo se uniu e havia intenção de outros Estados se juntarem contra o governo impostor e ditador. É preciso entender que a união faz a força. Todos unidos podem conseguir coisas interessantes para o país”, salienta o historiador que lamenta a “não ligação” do povo brasileiro com a preservação da cultura.

Conforme Daltozo, isso resulta em cidades que desconhecem suas próprias origens e aspectos que ajudaram na construção do que as mesmas se tornaram. “Estamos falando de um dos episódios mais importantes da história, precisa ser relembrado em memória daqueles que lutaram por coisas importantes. Prudente ainda tem a sorte de possuir um museu, coisa que muitas não têm”, lamenta.

“A Revolução Constitucionalista, foi um acontecimento que durou três meses, mas deixou reflexos que merecem servir como base até hoje, principalmente levando em conta o atual cenário político de insatisfação”

José Carlos Daltozo

Historiador

Revolução

Conforme Daltozo, a Revolução Constitucionalista de 1932, foi um acontecimento que durou três meses, mas deixou reflexos que merecem servir como base até hoje, principalmente levando em conta o atual cenário político de insatisfação. 

“Foi um movimento na época que o governo Vargas nomeava interventores [antigos governadores] dos Estados. Em São Paulo, o escolhido não era paulista, o que não agradou, pois, queriam alguém que conhecesse bem o Estado, por isso, resolveram começar a revolução, para exigir mudanças”, explica Daltozo.

Apesar de boatos de que se tratava de um movimento separatista – que os paulistas queriam se separar do Brasil e criar uma nova nação – O motivo disso seria que o Estado possuía a maior produção de café que era a principal fonte econômica do país na época. Entretanto, Daltozo explica que a insatisfação do povo vinha desde anos antes, de 1930, quando Getúlio Vargas se apoderou do poder.

“A questão do interventor foi apenas um estopim para a revolução que já conseguira aliados desde 1930 quando estavam inconformados com a falta de respeito com as eleições e com a democracia”, pontua. Em plano de fundo, outro objetivo visado pelo movimento era conseguir legislações que protegessem a então economia girada pelo café. “É importante relembrar porque depois da revolução Getúlio modificou a constituição da forma que a população queria, atingiram seus objetivos”, relata Daltozo.

Arquivo / Oslaine Silva - 72 medalhas serão entregues a militares : Medalha de Valor Militar, Medalha Constitucionalista e Medalha Mérito da Juventude Constitucionalista

 

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