JUROS

Renegociar dívidas com maiores taxas é vantagem para devedores

Economista explica que procurar o banco ou agência credora para renegociar o valor devido, evita falsas promessas e, com algumas medidas, é possível verificar a redução no valor total

  • 08/06/2019 05:06
  • WEVERSON NASCIMENTO - Da Redação

Diante das dificuldades para manter o orçamento pessoal em dia, muitas pessoas acabam caindo em dívidas e, consequentemente, em cadastros de devedores. Com esta medida, o devedor acaba optando muitas vezes por empresas para “limpar o nome”, cenário propício para atuação de empresas que criam falsas promessas sem que a dívida seja paga. O indicado diante da situação, segundo a economista Edilene Takenaka, 51 anos, é que a pessoa procure o próprio banco ou agência credora para renegociar o valor devido.

No caso das empresas que oferecem créditos ou mesmo promessas para limpar o nome, a economista orienta que é necessário avaliar a idoneidade do estabelecimento e procurar ter mais informações, de forma tornar tudo mais seguro. “Cuidado com falsas promessas, pois não existe milagre para sanar uma dívida, tudo tem que ser muito bem pensado e avaliado antes de tomar decisões” diz.

De acordo com Edilene, no caso das inadimplências de cartão de crédito ou cheque, a qual tem como objeto devedor a agência bancária, recomenda-se que faça um empréstimo pessoal. “Nessas dívidas o crédito rotativo é muito alto, então o ideal é que a pessoa tente trocar por o empréstimo pessoal com juros menores para quitá-la. Dessa forma, ela fica com um juro mais barato e mais baixo”, explica, ao dizer que esse tipo de negociação é sempre positiva e que é possível verificar a redução no valor total.

Com relação às dividas com empresas, o recomendado, segundo a economista, é o contato direto com a instituição para renegociar o valor devido, “esses também são os melhores acordos a serem feitos”, diz. Estar com o nome negativado, segundo a economista, impede a pessoa de “pegar” novos créditos, financiamentos e acesso ao mercado de trabalho, pois algumas empresas costumam fazer este tipo de pesquisa para evitar ter aborrecimentos.

Orçamento equilibrado

Para não cair em dívidas e manter o orçamento equilibrado, é necessário que o indivíduo se prepare para algumas situações corriqueiras. Segundo a economista, nunca se deve gastar mais do que se tem condições. A regra básica é evitar fazer gastos tidos como desnecessários e utilizar do bom senso, pois podem existir situações emergenciais, as quais precisarão gastar mais do que se tem planejado. “Então, se você já tem os gastos excessivos como normais, quando chegar um momento de emergência você pode não ter uma garantia de reserva, logo, terá que fazer gastos extras e, consequentemente, dívidas. Recomenda-se que guarde todo mês pelo menos 20% do salário para esse tipo de situação, para desta forma, ter um orçamento um pouco mais equilibrado” diz.

Pesquisa nacional

O país tem atualmente 62,7 milhões de inadimplentes, cenário propício para atuação de empresas que criam falsas promessas de limpar o nome dos consumidores sem que a dívida seja paga. Um levantamento da CNDL (Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas) e do SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito), feito com quem esteve com o nome sujo nos últimos 12 meses e já saiu dos cadastros de devedores, revela que dois em cada dez (22%) ex-negativados contrataram empresas especializadas em limpar o nome. Desses, 43% não tiveram as expectativas atendidas, entre os quais (22%) afirmaram não ter resolvido o problema como esperado e 21% acabaram pagando mais caro do que se tivessem tratado a questão direto com o credor. Por outro lado, 41% das pessoas ouvidas ficaram satisfeitas com a contratação do serviço.

A pesquisa mostra, por exemplo, que entre os entrevistados (78%) que não contrataram empresas para limpar o nome, 49% conseguiram resolver a situação sozinhos, ao falar direto com o credor. Já 20% disseram não ter dinheiro para pagar uma empresa para ajudá-los — percentual que sobe para 33% entre os mais jovens —, enquanto 13% tiveram medo de sofrer golpes.