Região tem 1 cadeira para cada 10 mil habitantes

Embora número esteja acima do que é preconizado pela OMS, unidades atendem na capacidade máxima de oferta do serviço

ANDRÉ ESTEVES - Da Redação • 09/03/2018 09:13:45

. Foto: Marcio Oliveira, Número de pessoas em hemodiálise no HR cresceu 21% em 2017, saltando de 173 para 2010

A região de Presidente Prudente dispõe de uma cadeira de hemodiálise para cada 10 mil habitantes. De acordo com o DRS-11 (Departamento Regional de Saúde), os 45 municípios de sua abrangência somam 769 mil pessoas e contam com 77 cadeiras em três unidades de saúde que oferecem o serviço, como o HR (Hospital Regional) Dr. Domingos Leonardo Cerávolo e a Santa Casa de Misericórdia, em Presidente Prudente; e a Santa Casa de Dracena. A pasta estadual informa que a OMS (Organização Mundial da Saúde) recomenda que haja uma máquina para cada 15 mil habitantes, portanto, a regional está acima do que é preconizado pela organização. Atualmente, são 450 pacientes que dependem do tratamento.

Das 77 cadeiras disponibilizadas, 25 são mantidas pelo HR, 17 estão na santa casa de Dracena e as demais 35 ficam na santa casa de Prudente, onde a capacidade máxima de atendimentos já foi atingida e não há mais vagas. A instituição informa que não abre filas nesses casos, pois, em situação de urgência, os pacientes iniciam a diálise peritoneal, ou seja, feita em casa. O DRS-11 argumenta, no entanto, que todas as pessoas com indicação para o tratamento estão sendo atendidas, sendo que, no HR, o número de pacientes que frequentam o setor de diálise saltou de 173 em 2016 para 210 no ano passado, o que significa um crescimento de 21%.

O departamento reconhece que os três prestadores de serviço estão atendendo na capacidade máxima de oferta, mas possuem competência técnica para manter o paciente em tratamento ambulatorial, transferir para tratamento peritoneal ou até mesmo mantê-lo internado para realização da hemodiálise em caso de necessidade. O Estado esclarece que o Ministério da Saúde é o responsável pelo credenciamento desse tipo de serviço em todo o território brasileiro e que “a elevação de teto financeiro de alta complexidade por parte do governo federal para a esfera estadual é fundamental para ampliar o número de vagas”.

Também explica que o Conselho Nacional dos Secretários de Saúde propôs ao governo federal, a pedido da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, que os tratamentos de hemodiálise pelo SUS (Sistema Único de Saúde) passem a ser pagos integralmente pelo Ministério da Saúde, como hoje já acontece no caso dos transplantes renais. A pasta ressalta que a remuneração da chamada terapia renal substitutiva é feita por uma espécie de média de produção, porém, “a conta nunca bate, prejudicando as clínicas de hemodiálise que mantêm convênio com o SUS”. “Esses serviços, muitas vezes, acabam restringindo o atendimento e não aceitando novos pacientes. A proposta do governo paulista é que o ministério pague pela totalidade da produção apresentada”, reforça.

A reportagem solicitou um posicionamento para a pasta federal, contudo, não recebeu uma resposta até o fechamento desta matéria.

 

Após a gravidez

A dona de casa Larissa Balbino Mello, 27 anos, descobriu a doença renal crônica em dezembro do ano passado. A origem do problema foi uma doença autoimune denominada vasculite. Ela conta que as principais manifestações começaram a aparecer após o nascimento da filha, em setembro daquele ano, contudo, os sintomas eram muito parecidos com os de uma gripe ou alergia. Em dezembro, depois de encontrar dificuldades para andar, foi imediatamente internada no HR, onde descobriram que seus rins estavam com 5% de funcionamento. Larissa foi conduzida para a UTI (Unidade de Terapia Intensiva), onde permaneceu por 13 dias.

A vaga para fazer o tratamento de hemodiálise surgiu rapidamente e, desde então, a dona de casa realiza o procedimento três vezes por semana. “A diálise mudou completamente a minha rotina e minha alimentação, que era bastante desregrada. Nesses três meses, eu acabei perdendo 30 quilos”, comenta. A descoberta da insuficiência renal ocorreu justamente em um momento delicado de sua vida – a maternidade – e, se não fosse pela ajuda dos familiares, a conciliação seria complicada. “Apesar de sentir muita fraqueza e ter algumas limitações físicas por conta do cateter, eu estou muito otimista quanto ao meu tratamento”, pontua.

 

NÚMEROS

77

máquinas de hemodiálise são disponibilizadas para a região

35

cadeiras estão dispostas na santa casa de Prudente

450

doentes renais crônicos dependem do tratamento

173

era o número de pessoas em hemodiálise no HR em 2016

210

foi o número de atendidos pelo hospital no ano passado

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