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2015 A 2019

Região soma 687 mortes no trânsito, aponta Infosiga-SP

Conforme levantamento, ocorrências têm como principal cenário o período noturno, durante fim de semana, tendo como vítimas homens jovens

  • 28/09/2019 04:01
  • THIAGO MORELLO - Da Redação

Uma colisão, envolvendo um carro. Como condutor, um homem com idade entre 18 e 24 anos. Sábado de noite. Dentro da cidade. De acordo com as estatísticas do Infosiga-SP, esse é o cenário mais comum diante de uma pessoa que se torna vítima fatal em um acidente. O sistema pertence ao governo do Estado de São Paulo, que mensalmente traça o mapa das mortes no trânsito. Criado em 2015 e atualizado até agosto deste ano, a reportagem fez um levantamento de todo esse período. E o resultado mostra que 687 pessoas já morreram desta forma, levando em conta as 53 cidades que compõem a 10ª RA (Região Administrativa) do Estado de São Paulo, cuja sede é Presidente Prudente. Com a pesquisa, foi possível traçar até mesmo os perfis das ocorrências, como os principais dias, horários e veículos envolvidos, bem com as vítimas (veja tabela).

No primeiro plano, ao analisar a vítima em si, além do condutor (401 mortes) - como pessoa principal, que geralmente mais se envolve -, em seguida vem o pedestre (114 mortes). E na idade, o carro-chefe é dos 18 aos 24 anos (113 mortes), e, na sequência, a faixa etária dos 25 aos 29 anos (71 mortes).

Imprudência

Para o especialista em trânsito, Manoel Silva Félix da Costa, a tradução desses dados pode vir em concordância com a imprudência de jovens que se classificam em tal idade. “E no caso do condutor, significa que, muitas vezes, o acidente com vítima fatal envolveu um veículo no qual só havia o motorista”, completa. Ao passo que o pedestre ser uma das principais pessoas pode colidir com o fato dos atropelamentos também serem o segundo tipo de acidente. São 118 mortes geradas por essas ocorrências, e a causa só perde para as colisões: 303.

Em segundo plano vem o tipo de veículo, que engana quem pensa que as motocicletas estão à frente. Na verdade, das 687 mortes, elas detêm 199, mas perdem para as 256 vítimas que estavam dentro de carros. Mas o pensamento é explicado pelo especialista de trânsito, porque, “querendo ou não, as motos estão diretamente ligadas com a imprudência”. E para ele, isso é um fato, pois entende que a maioria dos motociclistas não dirige em congruência às leis de trânsito. “Ter moto é uma praticidade. É um caminho sem volta. É econômico, prático, um veículo mais fácil de manter. Mas o que precisa ser levado em conta é o perigo por trás, diante daqueles que não utilizam da maneira correta, pensando na boa circulação e na prevenção de acidentes”, argumenta.

Fim de semana

Por fim, a análise leva em conta os principais dias e o período do dia em que os acidentes e, consequentemente, as mortes ocorrem. O período da noite detém a maioria do quantitativo: 253, seguido pelas tardes: 139. Já em relação aos dias, há a comprovação de que no final de semana, sexta-feira, sábado e domingo, pega a maior parte. Respectivamente, os números de óbitos de cada dia são: 84, 158 e 157.

“Isso está ligado à euforia do final de semana, da noite, com confraternizações. Você marca um encontro, aí rola bebida alcoólica, junta o uso de celular [duas principais causas de acidente] e a visibilidade afetada no período noturno, pronto! É a receita perfeita para originar uma tragédia”, comenta Manoel. Ele não deixa de pontuar que, hoje, nós temos usuários muito mais preocupados com a fiscalização e muito menos preocupados com a segurança em si. Em um dos exemplos, ele cita o fato de usar acessórios somente próximos do policiamento, como o cinto de segurança.

Causas e educação

Via urbana: não respeitar o direito de preferência, principalmente nas áreas de cruzamento. Nas rodovias: excesso de velocidade e ultrapassagem. Para o especialista de trânsito, essas são as principais causas de acidentes de trânsito, atrelada às condições adversas: uso de celular e embriaguez ao volante. “Quando você dirige dentro da velocidade permitida, testada e comprovada por um técnico, você tem uma visão de um ângulo de 180º. Quando você aumenta a quilometragem por hora, você acaba encurtando o campo de visão e a probabilidade de gerar um acidente é maior”, comenta.

E em síntese, Manoel destaca que tudo isso vai ser preservado e perpetuado, no que tange a obedecer às leis de trânsito, através de uma única forma: a educação. “As pessoas resistem à mudança de comportamento. E enquanto não entenderem a necessidade de dirigir com prudência, ainda haverá acidentes e mortes no trânsito”, alerta.

Saiba mais

O levantamento também mostra que as principais mortes ocorrem em vias municipais, ou seja, dentro da cidade, do que nas rodovias. Mas é um número próximo: respectivamente, 343 e 323. Os demais 21 óbitos não têm localização informada. Ademais, o tempo entre o acidente e a morte ainda é contabilizado. Mas o Infosiga-SP revela que, na maioria das vezes, o falecimento ocorre de imediato, seja no local ou ao longo do dia: 565.

MORTES NO TRÂNSITO NA 10ª REGIÃO ADMINISTRATIVA DO ESTADO

Idade

0 - 17

29

Tipos de Acidente

Atropelamentos

118

18 - 24

113

Choque

105

25 - 29

71

Colisão

303

30 - 34

66

Não disponível

47

35 - 39

60

Outros

114

40 - 44

54

Tipos de Veículo

Carro

256

45 - 49

56

Bicicleta

35

50 - 54

47

Caminhão

27

55 - 59

43

Moto

199

60 - 64

27

Não disponível

40

65 - 69

40

Outros

13

70 - 74

22

Ônibus

3

75 - 79

24

Pedestre

114

80 mais

21

Tipo de vítima

Condutor

401

Não disponível

14

Passageiro

110

Dia da semana

Segunda-feira

52

Pedestre

114

Terça-feira

81

Não disponível

62

Quarta-feira

71

Tempo entre acidente e óbito

Até 30 dias

33

Quinta-feira

84

Até 7 dias

39

Sexta-feira

84

Dia anterior

25

Sábado

158

Mais de 30 dias

25

Domingo

157

Mesmo dia

565

150

Manhã

116

Tipo de via

Rodovias

323

Tarde

139

Via municipal

343

Noite

253

Não disponível

21

Madrugada

119

Sexo

Masculino

517

Não disponível

60

Feminino

150

Fonte: Infosiga-SP

Não disponível

20

Fonte: Infosiga-SP