Região ocupa último lugar em ranking de moradias

Prudente

| ROBERTO KAWASAKI - Da Redação

A Fundação Seade (Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados) divulgou um estudo que aborda a transição demográfica e demanda por moradias com projeção até 2050 de domicílios no Estado de São Paulo. A 10ª RA (Região Administrativa) de Presidente Prudente apresentou o pior desempenho entre todas do Estado, com o menor aumento no comparativo entre 2010 e 2050: de 29,11%.

A evolução em números absolutos foi de 267.119 imóveis particulares ocupados no período anterior, passando para 344.881 na projeção. A região está atrás das RAs de Barretos (com avanço de 31,86% no indicador), Marília (32,31%) e São José do Rio Preto (33,61%). O maior acréscimo é de Ribeirão Preto, de 60,09% - saltando de 388.842 moradias ocupadas para 622.506.

De acordo com a pesquisa, o processo de transição demográfica da população brasileira, especificamente da paulista, tem provocado uma rápida redução das taxas de crescimento populacional. A queda acentuada da fecundidade, o aumento contínuo da esperança de vida, transformações nos processos de nupcialidade e família, dos arranjos domiciliares e de coabitação, têm refletido diretamente na demanda por novas moradias.

O sociólogo Renato Herbella analisa que a região de Prudente seguirá a média histórica de baixa migração e pouco desenvolvimento econômico, se comparada com as demais do Estado. Ele acredita que os fatores sociais, culturais e econômicos influenciam de maneira decisiva a demanda por novas moradias. A fim de contribuir de maneira positiva para o desenvolvimento da população, o sociólogo espera que o poder público atue de maneira mais efetiva e fomente o desenvolvimento em determinadas regiões.

Para o economista Wilson De Luces Fortes Machado, o solo urbano prudentino é um dos mais monopolizados do Estado em relação às cidades de porte médio. Ele acrescenta que a renda na cidade é destinada para dois caminhos, “ou vai para a aquisição de imóveis ou fica mantida nos terrenos a espera da valorização dos mesmos”. Desta forma, o economista acredita que os grandes loteamentos vão aparecer em locais distantes dos grandes centros, o que dificulta a aquisição.

 

Busca do sonho

Há três meses o auxiliar administrativo Luís Felipe Silva Lima, 25 anos, procura um imóvel para comprar em Prudente. O jovem afirma que o maior problema enfrentado para encontrar uma moradia é a busca pelo financiamento. “Eles exigem um valor muito alto para a entrada e eu não me encaixo nessa renda”, lamenta. Luís Felipe diz que pretende dividir domicílio com a companheira para que as despesas sejam divididas, já que ambos procuram economia nos gastos.

O corretor de imóveis Maicon Gladson Ribeira afirma que, devido à constante procura por residências, os valores ficam mais altos, mas ele diz que isso não impede a procura. Maicon esclarece seu ponto de vista sobre Prudente estar em último lugar no ranking de domicílios particulares ocupados e declara que um fator influente para comprar uma moradia é a limitação de créditos fundiários. Segundo ele é preciso ter uma reserva muito boa e um rendimento excelente, pois isso influencia na decisão do cliente. “A cidade sempre teve um mercado muito bom, mas hoje temos muita oferta e pouca aquisição”, finaliza.

 

Na contramão

De acordo com o Alberico Peretti Pasqualini, delegado regional do Creci (Conselho Regional de Corretores de Imóveis), a cidade tem crescido aceleradamente nos últimos anos e acredita que o aumento de moradores acontece por inúmeros fatores, dentre eles, a quantidade de profissionais que migraram para a região, principalmente da área da saúde pela maior oferta de emprego. Alberico afirma que “o formando não vai embora e consequentemente traz os familiares para morarem aqui”. Desta forma, o número de habitantes aumenta e, consequentemente, o número de moradias ocupadas também cresce gradativamente.

 

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