Curto e médio prazo

Redução na Selic traz esperança aos supermercados

GABRIEL BUOSI - Da Redação • 11/02/2018 01:21:14

Foto: José Reis , Para lojista, diminuição da taxa básica favorece setor de carnes

O Copom (Comitê de Política Monetária), do Banco Central, reduziu na quarta-feira os juros básicos da economia, a taxa Selic (Sistema Especial de Liquidação e de Custódia), em 0,25 pontos percentuais, que caiu de 7% para 6,75%. Este é o menor nível da série histórica, que teve início em 1986, e a decisão é vista com bons olhos pelo setor supermercadista. A Apas (Associação Paulista de Supermercados) afirma que a redução sinaliza ao mercado uma possibilidade de retomada e crescimento econômico a curto e médio prazo, além de estimar a estabilidade de preços. Lojistas de Presidente Prudente informam que a expectativa para a região segue a tendência nacional e os consumidores se animam com a medida.

De acordo com a Agência Brasil, a redução da taxa Selic estimula a economia, uma vez que os juros menores barateiam o crédito e incentivam a produção e o consumo em um cenário de baixa atividade econômica. A partir desta premissa, a Apas ressalta que a queda da taxa demonstra a confiança do comitê de que a inflação dos alimentos, responsáveis pela inflação baixa de 2017, continuará contida e manterá o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) dentro do centro da meta. “Isso permitirá que a economia brasileira seja alavancada, que terá o aumento no crédito, nos investimentos e terá redução na inadimplência”, salienta.

A associação lembra ainda que as taxas baixas beneficiam o setor supermercadista em pontos importantes como, por exemplo, nas unidades que oferecem produtos de eletro e têxtil, já que a queda ajudará a melhorar o crédito e parcelamentos, o que ocasiona o aumento nas vendas, além da geração de empregos. “Isso afeta diretamente os índices de confiança do consumidor, da indústria e do empresário de todos os setores, que tendem a gerar maior dispêndio de gastos em consumo”, conclui.

 

Realidade local

A subgerente do Supermercado Estrela, Luzia Aparecida Maino Macedo, afirma que acompanha a situação da diminuição dos juros e lembra que a expectativa do setor para Prudente segue a tendência do nacional, uma vez que a redução dos valores dos produtos é almejada pela unidade. “Conseguimos, com queda, chamar a atenção dos clientes, diminuir os gastos do mercado e investir, por exemplo, em contratações e melhorias físicas no prédio. A tendência é que um benefício alavanque o outro”, ressalta.

A subgerente lembra que os preços elevados da mercadoria não trazem margem de lucro ao setor, e acredita que os reflexos serão sentidos em curto prazo.

Já o gerente do Supermercado Avenida, Eneias da Silva Rocha, esclarece que a expectativa é boa para o setor, uma vez que o mês de janeiro não foi “bom quanto se esperava” e pode oferecer melhores condições aos estabelecimentos e também consumidores. “O maior benefício é ganhar o cliente pelo preço. Não tenho expectativa de contratação, mas vejo que os maiores beneficiados serão os setores de frutas e carnes”.  

 

Bolso do consumidor

O aposentado, Taurino Joaquim da Silva, 77 anos, escolhia produtos no setor das verduras e, ao ser abordado pela reportagem, fez questão de informar que já percebe uma melhora nos preços dos produtos ao comparar este mesmo período com o ano anterior. Ao ser informado sobre a queda da Selic, o aposentado informa estar feliz com a decisão, uma vez que qualquer diminuição de valores agrada o bolso do consumidor. “Acredito que o pior nós já passamos, a tendência é que tudo melhore, pelo menos assim espero”, diz.

Já a aposentada, Márcia Harada, 58 anos, afirma que o maior problema encontrado pelo setor de supermercados hoje é a variedade no preço dos produtos de uma semana à outra, o que pode ser evitado com a diminuição das taxas. “Tem vezes que deixo de comprar determinados itens pela grande variação, como é o caso do tomate. Tudo sofre reajuste, menos o nosso salário. Portanto, espero que a decisão de fato auxilie o consumidor”.

Por fim, a aposentada Senhorinha Lopes Faria, 66 anos, afirma que a medida tardou, mas não deve falhar, uma vez que o setor precisa “urgente” de um incentivo econômico. “Há tempos não vejo preços que sejam benéficos para nós, espero que não seja apenas mais uma das falsas promessas”.

 

SAIBA MAIS

Segundo a Agência Brasil, a Selic (Sistema Especial de Liquidação e de Custódia) é o principal instrumento do Banco Central para manter sob controle a inflação oficial, que é medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). A agência de notícias diz ainda que o Banco Central, pela 11ª vez seguida, baixou os juros básicos da economia, uma vez que os 0,25 pontos percentuais representam a diminuição de 7% para 6,75%. Vale lembrar que de outubro de 2012 a abril de 2013, a taxa foi mantida em 7,25% ao ano e passou a ser reajustada gradualmente até alcançar 14,25% ao ano em julho de 2015, conforme a Agência Brasil. Em outubro de 2016, o Copom (Comitê de Política Monetária) voltou a reduzir os juros básicos da economia até que a taxa chegasse a 7% ao ano em dezembro do ano passado, o nível mais baixo até então. O atual valor, 6,7%, no entanto, é o menor da série histórica.

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