Rede estadual reprova 1.968 alunos na região

Segundo especialista, a repetência ocorre por dois motivos: falta de maturidade cognitiva e dificuldade de aprendizagem

BEATRIZ DUARTE - Especial para O Imparcial • 06/02/2018 11:30:44

O período escolar pode ser complicado a alguns estudantes. Em muitos casos, as dificuldades em acompanhar os colegas e o conteúdo em sala de aula resultam na repetência do ano letivo. De acordo com dados da Secretaria de Estado da Educação, a rede possui 24,6 mil alunos matriculados na região da Diretoria de Ensino de Presidente Prudente. No ano passado, 1.968 reprovaram, ou seja, 8% do montante.

Para a supervisora de ensino, Patrícia Herreira Benatti, o discente retido apresenta situação de defasagem no conhecimento e, por isso, precisa passar pelo desenvolvimento de atividades práticas diferenciadas do restante da turma, com aulas mais dinâmicas e práticas, com progressão continuada e atenção específica.

Ela explica que o Estado encontrou duas formas para lidar com a situação da repetência. A primeira é chamada Sala de recuperação de ciclo. Um espaço formado apenas por alunos retidos, onde o professor desenvolve um trabalho específico, após um diagnóstico preciso do conhecimento que os estudantes já possuem. A partir disso, são iniciados programas específicos para desenvolver suas habilidades. Esse tipo de programa, só é disponível para alunos do sexto e nono ano, pois são períodos que se encerram os ciclos escolares. Para os demais alunos, fora do ciclo, a recuperação continuada é realizada durante todo o ano, com uma atenção redobrada ao discente.

São dois os motivos que em geral levam à reprovação. De acordo com Patrícia, a principal é a infrequência dos alunos, que devem atingir no mínimo 75% de presença às aulas. Isso leva ao segundo fator, pois alunos que faltam muito não conseguem se habituar e acompanhar a rotina da sala de aula.

Uma forma de preparar os docentes da rede municipal de ensino para receber alunos retidos são as orientações técnicas oferecidas pela Diretoria de Ensino para professores e coordenadores das escolas. Além disso, semanalmente, os docentes participam da Atividade de Trabalho Pedagógico Coletivo, que visa fornecer formação continuada ao professor, a análise de resultados da entidade de ensino e buscar propostas para melhorias.

 

Quem viveu

Bruno Eiji Sasaki, 19 anos, reprovou aos 16 anos o segundo ano do ensino médio. A limitação com as matérias da área de humanas sempre foi uma constante. Ele comenta que não sentiu tanta dificuldade em correr atrás do ano perdido, mas a sensação estranha de não contar com a presença diária dos mesmos amigos.

Já Jorge Imamura, 20 anos, passou pela experiência da repetência por duas vezes. A primeira no nono ano do ensino fundamental e o segundo no primeiro ano do ensino médio. De acordo com o estudante, na primeira vez ele já sabia que a reprovação aconteceria. “Eu acabei tendo uma baixa no último bimestre na área de humanas, na segunda vez eu reprovei de propósito por assuntos pessoais da minha família e porque eu não queria mudar de escola”.

 

Acompanhamento profissional

Para a psicopedagoga Viviane Albuquerque Franco, a repetência não deve ser encarada como um castigo pelos pais. Ela explica que, na maioria das vezes, a situação é consequência da imaturidade da criança, ou falta de conhecimento de série, pois a turma não pode ser a adequada para a criança. “Há crianças que possuem maturidade cognitiva mais rápida e outras amadurecem bem mais devagar. Isso é uma questão biológica. Os pais precisam entender e respeitar isso”.

A família deve enxergar o avanço retido como a chance do aluno aprender o que ele não conseguiu no ano que passou, pela necessidade de tempo maior de aprendizagem. Segundo a especialista, geralmente a criança reconhece o motivo por não ter passado de ano e isso envolve a responsabilidade para ela conseguir identificar onde errou para motivar mudanças. “O estudante sabe que, diferente dos colegas, ele não consegue terminar as tarefas e tem dificuldade para entender a matéria”. Ela explica que é normal as crianças possuírem certo temor de ter que refazer o ano letivo. Isso acontece por uma questão de medo de separar dos amigos de classe e de recomeçar com novas amizades.

A solução é uma conversa aberta entre pais e filhos para mudar as condutas que levou a criança ao erro. Além de um acompanhamento escolar e profissional, que deve fornecer um feedback para o estudante. “É importante ela mudar de comportamento para poder amadurecer”, finaliza.

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