Quanto de processamento no seu prato?

  • 22/08/2019 04:12
  • Jair Rodrigues Garcia Júnior

Em tempos de vida corrida, praticidade e pouca disponibilidade de tempo para ficar na cozinha preparando pratos mais elaborados, ou até mesmo os básicos, os critérios para a seleção dos alimentos que vão à mesa são questionáveis.

Pelo menos na rotina diária, apenas as donas de casa e as cozinheiras profissionais podem dispensar uma hora ou mais no preparo de cada refeição. Para todos os demais, há opções muito práticas e rápidas, em geral constituídas pelos alimentos ultraprocessados.   

Os alimentos ultraprocessados são aqueles já prontos para consumo ou que dependem apenas de aquecimento. Em geral, contém muitos ingredientes e componentes, inclusive alguns que deveriam ser evitados na alimentação, tais como sal (em excesso), açúcar, corantes, conservantes etc.

Este grupo de alimentos é bem grande e são encontrados exemplos em várias seções do supermercado e lojas de conveniência. Vamos mencionar alguns e você vai aí pensando quanto costuma comprar e consumir destes produtos a cada semana.

No seu café da manhã, quando você se serve de pães doces, bolos e doces (ex. carolinas, fatias húngaras), biscoitos/bolachas salgadas ou com recheio, está consumindo ultraprocessados. Quando se serve de presunto, peito de peru, salame e outros embutidos, também. Quando ingere sucos de caixinha, iogurtes adocicados etc, também.

No seu almoço, alguns pratos já prontos (ex. frango xadrez) e carnes que já vem temperadas e embaladas, nuggets e carnes prensadas podem entrar nessa categoria. No jantar, a salsicha, o macarrão instantâneo, as massas já prontas para aquecimento no microondas, as pizzas prontas etc.

Há também os alimentos minimamente processados, que são pouco manipulados e recebem o mínimo de componentes adicionais necessários. Em geral, esses alimentos passam por fracionamento e são embalados para o transporte e venda ao consumidor. Como exemplos, temos as carnes de açougue, os ovos, o pó de café e alguns vegetais que são descascados e até picados para facilitar a utilização.

Finalmente, há os alimentos in natura, que são aqueles obtidos na natureza, lavados, descascados pelo próprio consumidor antes de ir para mesa (ex. maçã, banana, tomate, cenoura). Obviamente, alguns deles devem ser também cozidos antes do consumo (ex. batata, mandioca, berinjela).

Estes últimos estão entre os mais indicados para o consumo, pois possuem boa proporção de vitaminas, minerais, fibras, água, além dos demais nutrientes em proporções menores. Uma vantagem adicional destes alimentos são seus componentes funcionais, os fitoquímicos, que os fazem ser denominados de alimentos funcionais (tema para as próximas semanas). Tais componentes estão diretamente relacionados à saúde, prevenção de doenças e longevidade.

De volta aos alimentos ultraprocessados, os problemas que trazem para nossa saúde estão relacionados principalmente com o excesso de sal (salsichas e embutidos em geral), de açúcar (todos os doces de confeitaria e padarias), de gorduras trans e saturadas (os doces novamente e salgadinhos snacks), de farinha branca (bolos e salgadinhos), e presença de corantes e conservantes em geral. É importante ressaltar que, entre esses componentes, alguns não deveriam ser consumidos nunca, enquanto outros deveriam ser consumidos apenas em pequenas quantidades ou eventualmente.

Enfim, os alimentos in natura, desde que bem lavados (descascados e cozidos, no caso de alguns) e consumidos nas quantidades adequadas, são fontes de pouco mais de duas dezenas de nutrientes, contribuem para o bom trânsito intestinal (nada de constipação), em geral são pouco calóricos e auxiliam no controle da fome e do peso corporal. As dietas consideradas como mais saudáveis contém boa proporção de alimentos in natura.

Passe a observar com mais atenção quais tipos de alimentos está levando para sua dispensa, geladeira e para mesa onde você e sua família fazem as refeições e cuidam da saúde.

 

 

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