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Quanto de álcool é o limite

  • 27/12/2019 04:15
  • Jair Rodrigues Garcia Júnior

Desinibição e euforia, depois apatia e depressão. Algumas das contradições do álcool, essa droga que é socialmente tolerada. O álcool talvez não fosse tão danoso para o indivíduo e para sociedade se houvesse limites. Porém, limite e álcool é uma contradição por natureza, já que as primeiras doses já prejudicam funções cognitivas, a razão e, para os psicanalistas, dissolvem o superego, permitindo a transgressão livre das regras sociais.

QUANTO DE ÁLCOOL VOCÊ CONSOME?

No Brasil, o consumo estimado é de 17 bilhões de litros/ano e a cerveja responde por 90% deste total. O consumo estimado para cada adulto é de 102 l/ano, ou 280 ml/dia. Se você não bebe o equivalente a quase uma latinha (350 ml) de cerveja por dia, alguém está bebendo por você.

JÁ CONTOU AS DOSES?

A dose padronizada é de 350 ml para cerveja, 150 ml para vinho e 45 ml para destilados. Já o teor alcoólico é de 4-6% na cerveja, 10-15% no vinho e 40% ou mais nos destilados. Para cada dose destas bebidas fermentadas e destiladasl você consome 14 g de álcool. Essa quantidade tem grande significado para o limite de consumo.

O PRECIOSO FÍGADO

Após a absorção no estômago e no intestino, o álcool chega ao sangue e provoca um pico alcoolêmico em 30 minutos. Três doses provocam alcoolemia de 70-90 mg/dl, considerada intoxicação. De todo o álcool circulante, 95% é metabolizado pelo fígado, que é apto a processar 8 g/h. O consumo de quatro latas de 350 ml em uma hora resulta em 56 g de álcool diluído no sangue. Apenas 8 g são metabolizados na primeira hora e sobram 48 g de álcool.

TOLERÂNCIA DIFERENCIADA

Sim, as mulheres são menos tolerantes, pois têm menor volume de sangue e a dose causa nelas maior concentração. Sim, homens e mulheres podem ficar mais tolerantes ao álcool com o consumo crônico, pois há aumento da enzima álcool desidrogenase. O sistema nervoso também aumenta a tolerância ao álcool e precisa de doses maiores para ativar a produção de neurotransmissores da “recompensa” e do prazer.

NEUROTOXICIDADE

O álcool circulante, antes da metabolização, atravessa a barreira hematoencefálica, protetora do cérebro, e tem vários efeitos no sistema nervoso, inclusive neurotoxicidade: perda de neurônios e lesão cerebral, redução do metabolismo cerebral, deficiência da função cognitiva e demência. Outra contradição é que o álcool estimula a libido (desejo sexual), porém, cronicamente provoca atrofia dos testículos, disfunção sexual (impotência) e até infertilidade.

Sendo impossível evitar, ao menos controle a dose.

 

 

Jair Rodrigues Garcia Júnior

Jair Rodrigues Garcia Júnior

Professor universitário e coordenador de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Unoeste.

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