Quinta-Feira . 21 Fevereiro . 2019

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PARABADMINTON

Prudentino alcança o topo do ranking nacional

Praticante desde 2014, Rogério Xavier lidera a listagem brasileira no SL4 – simples masculino, com 4.560 pontos

Cedida - Paratleta ocupa também a 11ª posição no ranking mundial da modalidade Cedida - Paratleta ocupa também a 11ª posição no ranking mundial da modalidade

Apaixonado por esportes, um acidente que aconteceu na infância não afastou Rogério Júnior Xavier de Oliveira da prática de alguma modalidade. Aos seis anos, após pular o muro da escola, o hoje paratleta fraturou o fêmur, o que impossibilitou o crescimento do mesmo. E, apesar dos problemas, foi este acontecimento que o possibilitou de entrar para a categoria SL4 – simples masculino no parabadminton. Treinando desde 2014, o atleta já representou a seleção brasileira em quatro oportunidades e hoje se encontra em primeiro lugar no ranking nacional e na 11ª posição no ranking mundial da modalidade em sua categoria, com a soma de 4.560 pontos.

Para ele, estar entre os melhores do país é o resultado de que o trabalho está sendo bem feito, assim como, que todo o esforço vale a pena. “A sensação de ser o primeiro do nosso país me deixa muito feliz e tenho uma enorme gratidão em saber que todo o meu trabalho, o desenvolvimento que eu tive e tenho, valeu a pena”, enfatiza. Segundo ele, isso tudo serve para que trabalhe ainda mais e conquiste todos os seus objetivos. “Hoje isso mostra que foi um resultado positivo de todos os meus esforços e isso me anima bastante, por saber que tudo está fluindo do jeito que sempre sonhei e continuo correndo atrás por estar entre os primeiro e sempre buscar novas metas”, destaca.

Se não fosse sua força de vontade e seu carinho pelo esporte, um acontecimento aos seis anos de idade poderia ter afastado da prática esportiva para sempre. Ainda novo, Rogério relembra que não nasceu com a deficiência de membros inferiores, mas sim, tudo aconteceu quando resolveu pular um muro. “A minha deficiência foi adquirida porque sofri um acidente. Estudava numa escola e duas quadras depois tinha outra escola. Saí de uma escola, pulei o muro da outra e nisso eu caí, fraturando o fêmur, responsável pelo crescimento”, conta. Depois disso, sua perna teve a diferença de oito centímetros e, apesar de ter sido um susto, foi o que possibilitou sua entrada na categoria SL4, que é composto por pessoas com deficiência na medula óssea, membros inferiores e superiores, até mesmo o nanismo. “Me encaixei nela e querendo ou não, é algo que hoje me faz muito bem e se encaixa perfeitamente na minha vida”,  destaca.

Ligação com o esporte

Apaixonado por esportes, Rogério treina desde 2014 para o parabadminton, mas sua prática começou antes e em um esporte bem diferente. Até que outra modalidade ganhou um espaço mais especial em sua vida e é nela que ele se dedica desde então. “Sempre fui fanático em esportes, desde o tempo do futebol, gostei de vários craques. Comecei na natação, pelo projeto que fazia parte e, a partir daí, conheci o badminton no próprio Sesi. Troquei porque o badminton tocou mais em mim. Gostava da natação também, mas foi o badminton que mais marcou mesmo”, comenta.

Com quatro a cinco horas de treinamentos todos os dias da semana, Rogério tem também o compromisso de conciliar sua vida de atleta e estudante. Cursando atualmente o terceiro ano do ensino médio, o atleta não esconde que seu tempo fica corrido, porém, que consegue dar conta de tudo. “Por enquanto é tudo tranquilo. Consigo estudar até o fechamento das aulas e depois treino até a noite. É cansativo, mas para quem quer chegar no topo não é nada demais, consigo trabalhar bastante nos dois, no estudo e no esporte”, afirma.

Como representante da seleção brasileira, o atleta já entrou em quadra por quatro oportunidades: três delas fora do brasil e um em solo nacional. “Poder estar ali, com outros atletas de grande nível foi uma experiência gigantesca e eu levo como bagagem todos os momentos que vivi. No exterior, conheci pessoas de culturas, técnicas e táticas diferentes. Isso me incentiva bastante, ver como o nível lá fora é alto para que eu chegue no nível deles também”, relata. Todos os aprendizados só fazem com que Rogério busque ir além dos seus atuais objetivos e sempre querer mais. “Minha meta é chegar como primeiro no ranking mundial e, para isso, preciso de muito treino. É um orgulho carregar a bandeira do nosso país no esporte que eu amo”, enfatiza.