Prudentino alcança o topo do ranking nacional

Praticante desde 2014, Rogério Xavier lidera a listagem brasileira no SL4 – simples masculino, com 4.560 pontos

JULHIA MARQUETI - Especial para O Imparcial • 08/07/2018 06:08:00

Paratleta ocupa também a 11ª posição no ranking mundial da modalidade. Foto: Cedida

Apaixonado por esportes, um acidente que aconteceu na infância não afastou Rogério Júnior Xavier de Oliveira da prática de alguma modalidade. Aos seis anos, após pular o muro da escola, o hoje paratleta fraturou o fêmur, o que impossibilitou o crescimento do mesmo. E, apesar dos problemas, foi este acontecimento que o possibilitou de entrar para a categoria SL4 – simples masculino no parabadminton. Treinando desde 2014, o atleta já representou a seleção brasileira em quatro oportunidades e hoje se encontra em primeiro lugar no ranking nacional e na 11ª posição no ranking mundial da modalidade em sua categoria, com a soma de 4.560 pontos.

Para ele, estar entre os melhores do país é o resultado de que o trabalho está sendo bem feito, assim como, que todo o esforço vale a pena. “A sensação de ser o primeiro do nosso país me deixa muito feliz e tenho uma enorme gratidão em saber que todo o meu trabalho, o desenvolvimento que eu tive e tenho, valeu a pena”, enfatiza. Segundo ele, isso tudo serve para que trabalhe ainda mais e conquiste todos os seus objetivos. “Hoje isso mostra que foi um resultado positivo de todos os meus esforços e isso me anima bastante, por saber que tudo está fluindo do jeito que sempre sonhei e continuo correndo atrás por estar entre os primeiro e sempre buscar novas metas”, destaca.

Se não fosse sua força de vontade e seu carinho pelo esporte, um acontecimento aos seis anos de idade poderia ter afastado da prática esportiva para sempre. Ainda novo, Rogério relembra que não nasceu com a deficiência de membros inferiores, mas sim, tudo aconteceu quando resolveu pular um muro. “A minha deficiência foi adquirida porque sofri um acidente. Estudava numa escola e duas quadras depois tinha outra escola. Saí de uma escola, pulei o muro da outra e nisso eu caí, fraturando o fêmur, responsável pelo crescimento”, conta. Depois disso, sua perna teve a diferença de oito centímetros e, apesar de ter sido um susto, foi o que possibilitou sua entrada na categoria SL4, que é composto por pessoas com deficiência na medula óssea, membros inferiores e superiores, até mesmo o nanismo. “Me encaixei nela e querendo ou não, é algo que hoje me faz muito bem e se encaixa perfeitamente na minha vida”,  destaca.

Ligação com o esporte

Apaixonado por esportes, Rogério treina desde 2014 para o parabadminton, mas sua prática começou antes e em um esporte bem diferente. Até que outra modalidade ganhou um espaço mais especial em sua vida e é nela que ele se dedica desde então. “Sempre fui fanático em esportes, desde o tempo do futebol, gostei de vários craques. Comecei na natação, pelo projeto que fazia parte e, a partir daí, conheci o badminton no próprio Sesi. Troquei porque o badminton tocou mais em mim. Gostava da natação também, mas foi o badminton que mais marcou mesmo”, comenta.

Com quatro a cinco horas de treinamentos todos os dias da semana, Rogério tem também o compromisso de conciliar sua vida de atleta e estudante. Cursando atualmente o terceiro ano do ensino médio, o atleta não esconde que seu tempo fica corrido, porém, que consegue dar conta de tudo. “Por enquanto é tudo tranquilo. Consigo estudar até o fechamento das aulas e depois treino até a noite. É cansativo, mas para quem quer chegar no topo não é nada demais, consigo trabalhar bastante nos dois, no estudo e no esporte”, afirma.

Como representante da seleção brasileira, o atleta já entrou em quadra por quatro oportunidades: três delas fora do brasil e um em solo nacional. “Poder estar ali, com outros atletas de grande nível foi uma experiência gigantesca e eu levo como bagagem todos os momentos que vivi. No exterior, conheci pessoas de culturas, técnicas e táticas diferentes. Isso me incentiva bastante, ver como o nível lá fora é alto para que eu chegue no nível deles também”, relata. Todos os aprendizados só fazem com que Rogério busque ir além dos seus atuais objetivos e sempre querer mais. “Minha meta é chegar como primeiro no ranking mundial e, para isso, preciso de muito treino. É um orgulho carregar a bandeira do nosso país no esporte que eu amo”, enfatiza.

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