Arquivo - Principais locais de aglomeração dos moradores ficam no centro

Foto: Arquivo - Principais locais de aglomeração dos moradores ficam no centro

CRESCENTE

Prudente tem 221 moradores de rua cadastrados pela SAS

De acordo com a Secretaria Municipal de Assistência Social, houve crescimento de 49% em 3 anos

  • 27/02/2020 04:01
  • THIAGO MORELLO - Da Redação

Um levantamento realizado pela Prefeitura de Presidente Prudente, por meio da SAS (Secretaria Municipal de Assistência Social), mostra uma evolução na quantidade de moradores de rua cadastrados no município, o que por sua vez significa que hoje existe mais identificação de pessoas que se encontram nessa situação. Para ter uma ideia, de 2016 a 2019, é possível verificar um aumento de 49% dentro do grupo. Ou seja, de um ano ao outro exposto, a quantidade de moradores foi de 148 a 221.

A pesquisa feita pela pasta mostra ainda que não houve oscilação ao longo dos quatro anos analisados, isto é, o número sempre esteve crescente, atingindo o pico registrado em 2019. O cenário dos cadastros, como pode ser visto no gráfico abaixo, ficou da seguinte forma: 2016, com 148 pessoas registradas, subindo para 153 em 2017, com soma de mais 34 em 2018, o que totalizou 187, e, por fim, registrando os 221 no ano passado.

A titular da secretaria, Luzia Fabiana Sales Macedo, encara a situação de aumento em decorrência de duas vertentes: desemprego e problemas com álcool e drogas. A primeira situação, que sempre existiu, ela lembra que foi acentuada com a crise financeira que se instalou nos últimos anos, que não atinge somente Prudente. “Mas os problemas com vícios, com o consumo de bebida e entorpecentes, ainda é muito grande”, completa.

E diante desse cenário, para cada caso a atuação ocorre de maneira diferente. Primeiramente, quem cuida disso é o Creas POP (Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua), destinado não só a esse público, mas também com o propósito de atender famílias e indivíduos nas mais diversas situações de vulnerabilidade social ou violação de direitos. “Mas é preciso lembrar que o trabalho de reinserção é lento, trabalhoso e respeita um tempo para cada cidadão”, completa.

PASSO A PASSO

DA ABORDAGEM

E tudo começa com a aproximação e identificação. Luzia Fabiana pontua que, geralmente, as equipes da secretaria realizam uma abordagem noturna quinzenal e outra diurna todas as semanas. “O objetivo é se aproximar, ganhar confiança e trazê-los para serem assistidos pelos nossos projetos, que vai buscar reinserção na sociedade”, lembra. O que ela garante que não é fácil, porque há resistência, principalmente quando envolve um quadro clínico psiquiátrico e dependência química.

Mas quando eles entram no projeto da SAS, o plano de trabalho é voltado para o acompanhamento da saúde física e mental, além do lúdico e educacional. Dentro da secretaria, existe ainda a casa de acolhimento, local onde eles podem pernoitar ou até mesmo permanecer. “Mas aqueles que conhecem o nosso trabalho também nos procuram. No Creas POP, por exemplo, toda manhã há uma fila de 70 moradores, mais ou menos, que vão até lá tomar café, banho ou até mesmo guardar pertences pessoais, pois têm medo de perder ou ser roubado” argumenta.

Mas para os que permanecem, há, como dito, atendimento psicológico, alimentação, acompanhamento com assistente social, banho, roda de conversa, entre outras atividades. “Nossa trabalho é voltado para combater a dependência química, trazer a relação de volta com a família e reinserção no mercado de trabalho”, frisa.

MIGRAÇÃO E

PROTEÇÃO

A área central de Prudente, mais especificamente no entorno da Praça da Bandeira, no camelódromo, bem como nas imediações da linha férrea, é, de acordo com Luzia Fabiana, os principais locais de aglomeração dos moradores. Questionada, ela ainda confirma que nem todos são de Prudente. “Mais ou menos 20% do grupo vêm de cidades vizinhas e acabam ficando por aqui”, completa.

E a presença deles em determinados locais vira alvo de reclamação. À sociedade, a secretária não deixa de dizer que eles não são invisíveis e que não podem ser ignorados. “Muita gente reclama e se incomoda com a presença deles. Mas estar na rua é um direito deles. Nós não podemos fazer nada. Exceto quando a reclamação vem acompanhada de uma importunação, uso de drogas, enfim, de uma situação que precisa de intervenção. Só por estar num local não se caracteriza como algo ruim”, ressalta.

AÇÕES VOLUNTÁRIAS

Muitos grupos religiosos, de igrejas, desenvolvem ações de auxílio aos moradores de rua, como lembrado pela SAS. Nesse momento, que sempre é bem-vindo, a titular da pasta reforça que o essencial, para grupos novos, é procurar a secretaria antes de desenvolver alguma atividade. De acordo com ela, a ideia é fazer com que esses efetivos sejam unificados, da melhor forma e com supervisão do órgão, que já conhece o perfil das pessoas atendidas.

NÚMEROS

221

moradores são cadastrados pela secretaria

49%

aumento registrado na quantidade de moradores de 2016 a 2019

70

pessoas buscam auxílio diários

20%

dos moradores de rua vêm de fora