De mãe para filho

Prudente se destaca por baixo índice de transmissão vertical de HIV

SANDRA PRATA - Especial para O Imparcial • 07/11/2018 04:03:00

Jefferson: “A maioria dos casos de exclusão de soropositivos ocorre por falta de conhecimento dos demais sobre a doença”. Foto: José Reis

Desde 1999, Presidente Prudente conta com o serviço do Programa Municipal DST/Aids. O local atualmente desenvolve o SAE (Serviço de Atendimento Especializado) e trata de 890 indivíduos soropositivos. Além disso, oferece medicamentos para outros 1,5 mil pacientes e desenvolve o CTA (Centro de Testagem e Aconselhamento) em busca do diagnóstico precoce de DSTs (doenças sexualmente transmissíveis) como sífilis, hepatites virais (B e C) e HIV (vírus da imunodeficiência humana). De acordo com o coordenador do órgão, Jefferson Antônio Saviolo, a unidade de Presidente Prudente foi premiada, em outubro deste ano, pelo Programa Estadual DST/Aids, como uma das 20 cidades do Estado de São Paulo a ter menor índice de transmissões verticais de HIV, ou seja, de mãe para filho. Outra conquista, segundo expõe, foi o marco de município com menos casos de sífilis congênita, também de mãe para filho. “Os prêmios só mostram que o trabalho vale a pena”, já que, conforme frisa, o foco principal é a prevenção e conscientização da população.

Ainda conforme Jefferson, a quebra de tabus tem papel essencial no êxito desse tipo de serviço. “A sociedade precisa aprender a lidar com essas doenças. Percebemos que, muitas vezes, os preconceitos influenciam muito na evolução do quadro do paciente”, explica. O motivo, segundo explica, é que a pessoa sente uma recusa contra si mesma, dificuldade de aceitar a DST e de procurar ajuda. “A maioria dos casos de exclusão de soropositivos ocorre por falta de conhecimento dos demais sobre a doença”, ressalta.

Com isso, o coordenador relembra um episódio marcante no qual uma jovem descobriu possuir o vírus HIV. “Lembro que a mãe me questionou se agora iria precisar separar os talheres, quando, na verdade, não tem nada a ver, é triste saber que situações e dúvidas assim são comuns”, pontua.

O programa

De acordo com Jefferson, os pacientes são encaminhados ao programa pelas UBSs (Unidades Básicas de Saúde) ou pelo CAT. “Assim já damos início ao tratamento com uma equipe de múltiplos profissionais que cuidam desde aspectos de saúde e assistenciais”, explica.

Entre os membros dessa equipe está a psicóloga Gláucia Tavares de Brito, que há um ano participa das ações do CAT. Segundo ela, o centro faz todo o aconselhamento sobre como proceder após um diagnóstico positivo e cuida para que os impactos não prejudiquem a vida do indivíduo. “Muitas vezes, a forma como a sociedade recebe essa pessoa contribui muito para que ela queira se esconder do mundo e não aceite a condição na qual se encontra”, acentua.

Isso, conforme a psicóloga, muitas vezes, parte da própria pessoa diagnosticada. “É algo que já está na nossa cultura. Em muitos casos, as pessoas têm dificuldade de se aceitarem por nutrirem preconceitos em relação aos outros”, reforça.

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