Economia

Prudente deve fechar ano com déficit orçamentário

Sefin informa que despesas crescem em um ritmo maior do que as receitas, repasses registram queda e inadimplência trava arrecadação

ANDRÉ ESTEVES - Da Redação • 14/09/2018 06:12:00

Para atravessar 101 anos de história, as administrações públicas de Presidente Prudente tiveram que se desdobrar para manter a roda da economia em movimento, lidar com orçamentos apertados, priorizar investimentos e enfrentar crises financeiras que marcaram o país. Diante da recessão mais recente, o titular da Sefin (Secretaria Municipal de Finanças), José Nivaldo Luchetti, informa que, desde 2015, as despesas crescem em um ritmo maior do que as receitas. Como exemplo, menciona o mês de agosto, no qual os repasses do governo federal, por meio do FPM (Fundo de Participação dos Municípios), e do governo estadual, com o ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços), foram quase R$ 2 milhões menores do que em julho. Além disso, a inadimplência no IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) está em torno de 23%. Nesse contexto, o titular acredita que o exercício deverá fechar com um déficit orçamentário, cujo valor ainda não pode ser precisado.

Para contornar este problema, o secretário explica que a municipalidade vem adotando medidas preventivas, como a busca de alternativas para a contenção de gastos, envio de mais de 60 mil malas diretas cobrando os devedores de tributos e o protesto de dívidas dos contribuintes para com a Prefeitura, que hoje superam R$ 1 bilhão.

Com o propósito de ampliar a arrecadação e reduzir problemas de ordem econômica, como o desemprego, a Prefeitura também investe em uma série de políticas voltadas aos setores da indústria, agricultura, comércio e de serviços. O titular da Sedepp (Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico), Carlos Alberto da Silva Corrêa, Casagrande, diz que um dos carros-chefes da pasta é o Prodepp (Programa de Desenvolvimento Regional de Presidente Prudente), que concede benefícios e isenções para o fomento da indústria na cidade, como a dispensa de impostos e o fornecimento de áreas para construções.

Em termos de comércio, o secretário explica que, considerada a amplitude deste segmento na cidade, a pasta trabalha para atender nichos específicos. Nesse sentido, o projeto mais recente propõe regulamentar a atividade dos ambulantes e prestadores de serviço, de modo que esses profissionais possam atuar de forma legalizada e organizada. A medida será encaminhada para apreciação e aprovação da Câmara Municipal. Já no ramo da agricultura, a Prefeitura operacionalizou o Uadaf (Unidade de Apoio à Distribuição de Alimentos da Agricultura Familiar), que visa promover a produção do homem do campo e a comercialização agrícola.

Outra visão

A economista Edilene Takenaka expõe que, desde o seu surgimento até os dias atuais, Prudente se consolidou como a maior cidade da 10ª RA (Região Administrativa) do Estado de São Paulo e um polo de qualidade de vida para a população. Entretanto, quando o assunto é a estrutura econômica, acredita que o município ainda carece de investimentos na indústria e, consequentemente, geração de empregos, já que grande parte dos egressos do ensino superior deixa o município para buscar colocações em outros mercados que não o prudentino. “Se tivéssemos incentivos maiores ao desenvolvimento industrial, certamente esses jovens ficariam aqui”, avalia.

A profissional denota que este cenário pode ser atribuído a um conjunto de fatores, como a alta cobrança de impostos e até mesmo a atual conjuntura econômica e política, que “trava” novos investimentos em virtude da incerteza que paira sobre o país. A seu ver, o empresariado local tem a seu favor a boa localização de Prudente em questões de logística e a mão de obra qualificada, considerando que o município dispõe de um conglomerado de instituições de ensino superior, a exemplo das universidades públicas e privadas e as unidades de formação tecnológica.

Ademais, a economista menciona que os entornos da cidade são fortes no agronegócio, seja com as grandes produções, como o gado e a cana-de-açúcar, seja com os pequenos cultivos, como a batata e o milho. Para ela, a tendência deste segmento é “sempre crescer”, posto que “a alimentação é indispensável”. Questionada sobre o futuro da economia local, Edilene costuma ser otimista. “Estamos em um momento de instabilidade por conta das eleições e, assim que tivermos um novo presidente, acredito que conseguiremos estabelecer um equilíbrio”, pontua.

NÚMEROS

R$ 2 milhões

é a diferença nos repasses entre os meses de julho e agosto

R$ 1 bilhão

é o valor das dívidas dos contribuintes para com a Prefeitura

23%

é a taxa de inadimplência registrada com o IPTU na cidade

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