Prudenco demite funcionários para corte de gastos

Funcionários da empresa que atuavam como vigias em secretarias municipais não prestarão mais serviços à Prefeitura

THIAGO MORELLO - Da Redação • 14/04/2018 10:20:00

Prudenco alega que medidas tomadas são imprescindíveis para a sobrevivência da empresa. Foto: Arquivo

"A empresa passa por sérias dificuldades financeiras, tendo sido realizados diversos ajustes, tais como: cortes de gastos, dispensas de empregados comissionados, lançamento de programa de demissão consentida, dentre outros”. Esse foi o posicionamento da Prudenco (Companhia Prudentina de Desenvolvimento), ao explicar as demissões que ocorrem há algum tempo, dentro da empresa, que visa uma recuperação financeira. O reflexo da ação atinge o poder público, uma vez que a empresa não prestará mais serviços à municipalidade, no que tange aos funcionários que atuavam como vigias em secretarias municipais. Com o cenário, para quem está do outro lado da ponta, lamenta o ocorrido, principalmente por ser concursado.

Na última quarta-feira, por exemplo, Mauro Manfre, que atua como vigia pela Seduc (Secretaria Municipal de Educação), diz que nove trabalhadores que trabalham na função pela pasta foram solicitados a comparecer ao departamento pessoal, onde foram avisados e ordenados a assinarem ao aviso prévio. “Eu não cheguei a ir e muito menos assinei o papel, posteriormente, conforme instruído pelo meu advogado”, conta. Ele ainda alega que isso tem ocorrido em outras secretarias, conforme conversa entre eles. Para ser mais preciso, cerca de 20 vigias já teriam sido desligados.

Questionado, Mauro diz que já tinha ouvido rumores sobre as demissões, mas não levou a sério, até que a notificação chegou via celular, pedindo para que comparecesse ao departamento pessoal. “A gente não sabe a quem recorrer. Nós somos concursados. Se houve algum erro contratual, a culpa não é nossa. O que faremos agora?”, lamenta.

Esse mesma pergunta foi feita ao Júlio Robson Borges, que também trabalha como vigia. Apesar de estar de férias, ele também recebeu a notificação no celular, mas não compareceu. À reportagem, ele teme que o retorno seja consagrado com o aviso prévio, assim como seus colegas. “Fomos pego de surpresa. Eu não gosto nem de pensar muito no caso, porque a preocupação é com a família, os filhos, a casa financiada. É meio angustiante”, ressalta.

Júlio acrescenta que se o rompimento do contrato com a Prefeitura foi o que motivou a situação, a culpa não é dos funcionários. “Está sendo injusto, pois não tem motivos específicos”, conclui. E sobre isso, a Prudenco explica melhor que, no caso das secretarias municipais, “das quais são prestados serviços de limpeza e manutenção” de prédios públicos pela empresa, os contratos estão passando por adequações necessárias, que resultam também no fim da realocação de funcionários para atuarem como vigias.

“Por conta disso, todos os empregados da Prudenco que prestam serviços de vigias junto as Secretarias Municipais estão retornando para a empresa, que absorveu em suas dependências a maior quantidade possível de trabalhadores dessa atividade”, argumenta a empresa. Sendo assim, o excedente, isto é, aqueles que não conseguiram ser realocados, estão recebendo dispensa sem justa causa, devido à ausência “de postos de serviços”, bem como o custeio para a manutenção do quadro. A Prudenco também ressalta que muitos se desligaram da empresa por adesão ao programa de demissão consentida.

Por meio de nota, a Secom (Secretaria Municipal de Comunicação) confirmou a situação e limitou-se a dizer que os vigias demitidos “estão sendo substituídos pelos efetivos, que são  remanejados  de outras secretarias, pela Secad [Secretaria Municipal de Administração]”.

 

Legalidade

A reportagem voltou a questionar a empresa sobre a legalidade da demissão, e se todos são concursados, mas não recebeu novas respostas. Anteriormente, a Prudenco relatou que as medidas acima adotadas são imprescindíveis para a sobrevivência da empresa, “haja vista que a mesma deve operar de acordo com as atividades descritas em seu objeto social e, sobretudo, com viabilidade financeira, já que os custos de sua manutenção não podem superar a sua receita”.

Por sua vez, o promotor do MPE (Ministério Público Estadual), Mário Coimbra, lembra que tal situação não foi uma recomendação da Promotoria, uma vez que a empresa em questão já teve investigações devido à legalidade ou não de contratações. No que diz respeito ao vínculo com a Prefeitura, ele explica que nada impede isso, “desde que seja transparente e siga todas as questões necessárias corretas”. Ele ainda lembra que os funcionários são concursados.

 

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