José Reis - Capacitação de alunos tutores ocorreu na manhã de ontem, no Sesi da Vila Furquim

Foto: José Reis - Capacitação de alunos tutores ocorreu na manhã de ontem, no Sesi da Vila Furquim

Trabalho em equipe

Projeto orienta alunos sobre cuidados emocionais

“Conte comigo, amigo” permite que adolescentes do Sesi Furquim dialoguem com colegas que passam por conflitos escolares

  • 10/02/2019 05:10
  • ROBERTO KAWASAKI - Da Reportagem Local

Com o passar dos anos, os problemas emocionais têm surgido cada vez mais na vida dos jovens. Seja pela correria do dia a dia ou pelas questões do passado, que contribuem de forma negativa no presente, é importante que haja um amigo com quem possa desabafar e, de certa forma, ajudar a encontrar um caminho para amenizar a euforia. No Sesi (Serviço Social de Indústria) da Vila Furquim, em Presidente Prudente, esse contato será feito entre adolescentes da mesma faixa etária no projeto Conte comigo, amigo. Ontem, um grupo formado por 13 alunos tutores recebeu capacitação de uma psicóloga sobre como dialogar com colegas da unidade de ensino que passem por conflitos escolares e/ou familiares. Em meio às dinâmicas, foram orientados sobre as questões éticas que devem ser levadas em conta.

“Durante as aulas, nós temos desenvolvido trabalhos cooperativos que permitem a interação em grupos, onde os alunos aprendem ensinando, e ensinam aprendendo. Partindo da nova BNCC [Base Nacional Comum Curricular], no que diz respeito à competência número nove sobre a empatia e cooperação, lançamos o projeto Conte comigo, amigo, como complemento a esta competência”, explica Diego Durães Ferreiro, professor tutor da ação. Ele é responsável por formar alunos tutores para que eles saibam formar outros grupos de apoio, que atendam aos estudantes que queiram conversar.

O projeto atenderá alunos do Sesi da Vila Furquim que tenham entre 10 e 17 anos, em encontros que ocorrerão uma vez por semana na própria instituição. “É importante ressaltar que seja trabalhada a questão da ética, porque como lida com os sentimentos dos outros, o tutor não pode sair espalhando as informações aconselhadas”, salienta o professor. É questão de empatia e respeito para que os dois lados sejam beneficiados.

De acordo com a psicóloga Nathalia Martins Pereira, é necessário falar sobre as competências socioemocionais na adolescência. “Com empatia, o estudante consegue socializar melhor, o que trará resultados para o lado pessoal e escolar”. “Este é apenas o começo de um trabalho que pode crescer. Quando necessário, serei chamada pela escola para desenvolver a questão como se fosse um auxílio pedagógico”, explica Nathalia, que é ex-aluna da escola e pode trocar experiências do passado com os tutores.

 

Tratamento emocional

Bianca Rodrigues Cardoso, 16 anos, é estudante do terceiro ano do ensino médio. Prestes a fazer a prova do vestibular para ingressar em uma instituição de ensino superior, afirma que se sente muito pressionada nesta fase, o que requer atenção e cuidados para que a ansiedade não atrapalhe o desempenho escolar. “Será a primeira vez que eu terei alguém para conversar, por isso, acredito na importância em frequentar o grupo e poder trocar ideias com outras pessoas”, pontua a estudante.

Para a aluna Maria Eduarda Martins Pereira, 16 anos, que está no segundo ano do ensino médio, o lado emocional precisa ser tratado. “Em casa, eu tenho com quem desabafar e, com o projeto, meu rendimento escolar será mais proveitoso”, afirma.

Vínculo fortalecido

A diretora escolar do Sesi no Parque Furquim, Olga Boscoli, acredita na importância que o projeto traz para a vida do estudante. “É necessário que eles participem de reuniões para que sejam multiplicadores da informação, e possam contribuir para a transformação da sociedade”, afirma. Além do encontro com os alunos, na manhã de ontem, professores participaram de uma reunião pedagógica para debater assuntos com temas voltados ao protagonismo juvenil, como nutrição, meio ambiente, diversidades, entre outros.

“Assim como em todas as escolas do Brasil, nós também estamos envolvidos com as bases nacionais curriculares. Tudo o que for debatido com os professores e alunos será levado para a reunião de pais, para que o vínculo entre a escola e a família seja fortalecido. Dentro deste movimento, buscamos cada vez mais a qualidade de ensino”.