COTIDIANO

Profissões

  • 23/04/2019 05:36
  • Arlette Piai

Não considero que haja profissões mais ou menos nobres, todas elas, do gari, operário, professor, médicos ao de presidente da República, têm funções diferentes, mas o mesmo valor. Hoje, no mundo ocidental, são consideradas profissões nobres as que expressam maior rendimento econômico negligenciando as que foram consideradas, por muitas décadas, as de formação humanística, ou seja, que tornam os seres humanos mais humanos. São elas: as de professor, médico e advogado. A primeira porque todas as demais profissões dependem dela, é o pilar de comando, a grande responsável pela formação não só de todos os outros profissionais como pelo crescimento das nações.

A segunda função considerada especial é do médico, enquanto o professor cuida “da alma”, do crescimento humano; o médico cuida do corpo, é aquele que tira a dor, ajuda as pessoas a uma vida de mais qualidade. O perfil do aluno que procura o curso de medicina deve estar relacionado ao indivíduo humano, sensível, que tem alegria em servir, que busca contato com as pessoas, com senso de humanidade e comprometimento.

A terceira profissão também considerada nobre foi a de advogado, pois sem ela a justiça não será aplicada, o Direito é a mais universal das aspirações humanas, sem ele não haveria justiça social; voltaríamos à barbárie. O juramento dos formandos espelha toda beleza: “Juro acreditar no Direito como a melhor forma para a convivência humana. Prometo fazer da justiça uma consequência normal e lógica do Direito. Juro confiar na paz como resultado final da justiça. E, acima de tudo, prometo defender a liberdade, pois sem ela não há Direito que sobreviva”.

É tudo tão bonito e edificante. Mas dessas três profissões vê-se o belo e o feio: Na educação, alunos em escolas que tão pouco lhes oferece. Na medicina, a dor pode esperar, desde que se chega ao consultório, muitas vezes, são horas a fio e a indiferença sem pressa. O Direito é representado pela estátua da justiça com olhos vendados e uma balança que aponta para o equilíbrio. Tão belo símbolo, fala por si mesmo.  Mas o Direito para o povo que dele necessita, muitas vezes, faz da estátua olhos vendados de humanidade, de indiferença à dor da alma daqueles que procuram a justiça. Assim a correnteza fria, sem humanidade e sem justiça, é a grande colaboradora do desencadeamento da violência. 

É bíblico que “toda e verdadeira mudança só pode ocorrer a partir da mudança do coração de cada um”. Como também é verdadeiro que toda e verdadeira mudança ocorre da base para o pico da pirâmide social. E nesse contexto nasce a esperança de que nem tudo está perdido. Percebemos que em Presidente Prudente há entre os professores, os de excelência, assim como entre outras cidades e Estados também. Há a fé de que de os políticos entenderão que só a boa educação pública poderá elevar nossos municípios, Estado, nação, e diminuir o número de crimes e detentos. Entre os médicos há ainda aqueles que são sensíveis e comprometidos; como há ainda entre os advogados os de sentimentos nobres. O compromisso, a sensibilidade, a empatia, exercidas faz a diferença e pode constituir a gratificação maior daquilo que não é mensurável.

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