Gestação

Profissionais de Prudente se mobilizam ao parto humanizado

Aderência à realização do método ainda é pouco procurada pelos casais; MPE estuda campanha para fiscalizar cesáreas desnecessárias

ROBERTO KAWASAKI - Da Redação • 08/07/2018 05:41:00

Aline (à esq.) realizou em torno de 50 atendimentos como doula. Foto: Andressa Gonçalves/Cedida

O parto humanizado é um assunto muito discutido na sociedade. Profissionais da saúde, médicos, doulas e o MPE (Ministério Público Estadual), em Presidente Prudente, têm se reunido em encontros para debater a importância e necessidade que a experiência traz para a vida da mãe e do bebê, bem como daqueles que estão próximos à família. O médico pediatra e homeopata, Belmiro d’Arce, explica que a escolha pelo parto normal representa “um conjunto de ações que visam fazer com que as experiências do parto e nascimento sejam seguras e felizes”.

Diante do trabalho, acrescenta que os benefícios por esta escolha podem ser tanto emocionais, quanto físicos, sempre em torno da segurança da mãe e do bebê, “o que provoca uma diminuição efetiva dos índices de doenças e mortalidade da gestante e do feto”. Com o método, o médico afirma que é proporcionada “a recuperação física e perfeita da parturiente”, o que estimula a produção de leite e sucesso no aleitamento. Já do ponto de vista emocional, destaca o sentimento de “extrema felicidade” para os pais participantes.

Como noticiado por este diário, em 2017 foram registrados 1.905 partos em três hospitais de Presidente Prudente, sendo que 586 bebês nasceram por parto humanizado, e 1.619 por meio da cesárea, o que representa uma taxa de 85%. A fim de inverter o cenário, no fim de junho a Sogesp (Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo) reuniu profissionais, médicos e o Ministério Público, no Fórum de Humanização do Parto.

O evento teve a finalidade de esclarecer dúvidas à sociedade e falou sobre a importância do parto normal. Conforme o médico Belmiro, que participou do encontro, o fórum foi importante para discutir a realidade em Prudente, e aponta a baixa ocorrência de partos normais “pela falta de profissionais que se dispõem a realizar o método”. No entanto, afirma que tem visto mudanças neste cenário, inclusive físicos, nos hospitais.

Para o promotor de Justiça, André Luis Felício, como a tendência “é de aumentar o número de partos normais, uma atenção especial deve ser dada aos direitos garantidos às gestantes”, como a presença de um acompanhante, o acompanhamento de uma doula, a dispensa de atenção especial aos momentos imediatamente após o parto, quando mãe e filho devem ficar juntos. Com o estudo da realização de uma campanha acerca dos direitos das parturientes, o órgão está em busca de fiscalizar “mais efetivamente” casos de cesáreas desnecessárias na mulher.

Apoio gestacional

Para os casais que almejam a humanização do parto, é necessário conhecer o papel que a doula representa nesta fase importante da vida. Em Presidente Prudente, Aline Matricardi desenvolve o serviço há quatro anos e, durante a carreira, já realizou em torno de 50 atendimentos. Conforme a profissional, neste ano atendeu uma média de quatro casais por mês, o que demonstra o interesse de muitos em busca do parto humanizado. “O trabalho vem crescendo a cada dia, porque cada vez mais as famílias estão se informando e procurando o método”, afirma.

Com o parto humanizado, Aline ressalta que “tanto a mulher, quanto o bebê, merecem que o mesmo seja feito de forma mais respeitosa possível”, sendo a doula a primeira pessoa que faz contato com o casal, a fim de informar sobre a importância da assistência e acompanhamento durante toda a fase gestacional. “Fico contente em poder ajudar as famílias a trazerem os bebês ao mundo, é um trabalho do qual me orgulho bastante”, expõe.

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