Portugal em poesia

Professor Carlos Freixo lança 5ª obra literária: “Que Fado é Este”, hoje

Livro já era para ter sido lançado, mas em meio a tantos acontecimentos inesperados, como a partida de sua esposa, Ively, autor diz que tudo é ao tempo de Deus!

OSLAINE SILVA - Da Redação • 06/10/2018 08:00:00

Foto: José Reis: “Que Fado é Este” é quinta obra literária de Carlos Francisco Freixo, que é presidente da Associação Prudentina de Escritores

O professor, poeta e escritor, Carlos Francisco Freixo lança mais uma obra literária neste sábado, às 19h30, na Galeria Takeo Sawada, localizada no Centro Cultural Matarazzo, em Presidente Prudente. “Que Fado é Este”, composto por 44 poemas, já era para ter sido lançado lá no início do ano, mas conforme o autor, em meio a tantos acontecimentos inesperados, como a partida de sua amada esposa, Ively, tudo é ao tempo de Deus! “E esse livro tem esse enigma de acontecimentos. Não sei que fado é esse que me põe na vida o tempo. Estou no caminho do vento... pois novos fados hão de surgir. Da inquieta alma que sobre a terra se move, do lusitano espírito que sobre a terra habita”, expõe em forma de verso o poeta que sente o amargo da saudade percorrer todo o seu ser.

“Ively acompanhou esse projeto. Ela esteve o tempo todo presente, era sempre entusiasmada, em dia de lançamento era ela quem se envolvia totalmente e fazia a festa. Ela é muito presente e sempre será. Dia 2 de outubro foi nosso aniversário de casamento [choro]. E a saudade é grande demais. Mas, temos que passar por muitas fases e ela acompanhou tudo até aqui e as ideias não são para deixarmos em gavetas, pendrives ou computadores, mas para serem liberadas e a minha Ively está ai”, expõe o escritor com a voz embargada.

Segundo o autor a motivação para escrever esta sua quinta obra veio a partir da internet que segundo ele direciona seu usuário a ouvir coisas que nunca ouvira. E ele começou a escutar algumas fadistas.

Ao ouvir um trabalho da Carminho percebeu que ali tinha algo que era parte dele. Reviu e descobriu que haviam temas possíveis ali para serem desenvolvidos. E a partir desse momento vieram outras cantoras portuguesas como Cuca Roseta e Mariza. Esta última tem uma pegada tão forte que fazia Freixo pensar em como ela terminava um show, até que viu em uma entrevista a cantora responder que após um show precisava recolher-se, tamanha era a intensidade de sua apresentação.

Na sequência Freixo diz que veio Gisela João e com essas quatro passou a chamá-las de as quatro fadas do fado. Mas, existem outras tantas como Maria Eugênia, Ana Moura, alguns cantores, compositores que tem algo que ele já tinha dentro de si.

“Digo isso porque o tempo todo trabalhei dentro da Língua Portuguesa e com a literatura portuguesa, principalmente na Unoeste [Universidade do Oeste Paulista] com Fernando Pessoa, Eça de Queiroz, Luiz Vaz de Camões... Mesmo vindo para o Brasil com 3 meses de idade, carrego essa cultura. Até certo tempo, aqui em Prudente houve uma forte presença dos portugueses. Então resolvi me voltar um pouquinho, colei um pouco em todo esse pessoal e ai está o livro”, exalta o professor.

 

“Temos que passar por muitas fases e ela [Ivelly] acompanhou tudo até aqui e as ideias não são para deixarmos em gavetas, pendrives ou computadores, mas para serem liberadas e a minha Ively está ai”

Carlos Francisco Freixo,

escritor

A ilustração de todo o livro foi feita pelo artista plástico, Cido Oliveira. “Dentro da capa ele conseguiu transpor uma imagem que minha mãe me mostrou. Ele trouxe várias épocas com castelo, igrejas, certa modernidade... Dentro dessa linha artística na cidade, tinha que ser ele”, pontua o escritor.

 

Bem perto

Freixo explica que Fado, além de ser uma música portuguesa equivale a destino. Então, qual é o nosso destino? Ele diz ser até engraçado, quando às vezes se vai longe para enxergar o que está tão perto. E lembra que o modernismo brasileiro aconteceu exatamente dessa maneira.  “Osvald Andrade percebeu o Brasil quando estava fora. Então nesta ligação, este é o nosso constante questionamento. Digamos que temos sim projetos exagerados, mas o que realmente nos toca, nos marca são pequenos gestos, fatos simples do dia a dia, mimos, lembranças, o vento que perpassa... Meu quintal é Brasil, é Portugal que pouco conheço, mas dialogo com importantes escritores com os quais me identifico e espero que os leitores possam se identificar também durante sua leitura”, anseia o escritor.

Freixo comenta que tem procurado trabalhar dentro de um projeto todo lírico, apesar da poesia lírica tem uma ligação de todos os textos e quando descobriu isso fez uma síntese muito simples de cada um de seus livros: em “Nove meses mais” – as fases da mulher; “Minha hora plena” – a paixão acentuada; “Cacófatos histéricos” – ironia, trocadilhos; “111” – indignação e esperança no caos; “Que fado é este?” – para atravessar continentes e no próximo, “Fui covarde” – momento pós-apocalipse.

 

Somos um todo

De acordo com o poeta, que é presidente da APE (Associação Prudentina de Escritores), neste livro o leitor encontrará temas recorrentes de Portugal como a saudade, a distância, o fado... “Caminhos que estão muito forte, mas ainda há vários espaços a serem conquistados, e tudo isso foi bem traçado de forma bem carinhosa. Alguns eu tive naturalmente que dar uma pesquisada, recorri a dom Dinis, busquei um pouco mais longe, mas por outro lado eu estava ali muito vivo na literatura, na música e na história portuguesa que é expressiva e a gente precisa retomar porque o Brasil tem essa presença carregada!”, exclama o escritor.

Freixo frisa que temos que perceber essa pluralidade que existe no país, que é muito mais significativo do que separar em guetos, nisso ou naquilo. Conforme ele, na verdade somos um todo que vai se tornando homogêneo e se aprendermos a observar isso nos sentiremos muito melhores e mais fortes.

Ele aconselha a se dar uma pausa em tudo, parar com imediatismo, a necessidade do já. Pode ser daqui a pouco. O fortalecimento vem no decorrer dessa vivência, do que vai se percebendo. Toda formação tem a ver com o todo. As pessoas vão se firmando quando descobrem todas as diferenças.

 

 

“Gostei dessa viagem. Mas, agora passou a ser uma necessidade ir a Portugal e não apenas conhecer a língua, a história, mas preciso de um pouco da vivência de lá. Quero ir ao meu lugar de origem [Castelo do Mação, Beira Baixa, Portugal]”

Carlos Francisco Freixo,

escritor

“E assim é na educação também. As pessoas se preocupam apenas quando colocam o filho na escola e quando eles entram no vestibular, mas e nesse meio? Então o caminho é muito maior e se não tivermos um olhar aberto e pensar só no imediatismo tudo fica distante. E a criação da arte tem essa percepção de olhar não apenas com imediatismo, mas com certa perenidade, algo que pode daqui a pouco ser mudado. A cultura vai sendo adaptada, ajustada no decorrer do tempo”, explana Freixo aconselhando ainda a deixar o dia a dia acontecer, esquecer o passado  e valorizar o daqui pra frente sem esquecer a história. “Vá por caminhos e com posturas, atitudes diferentes. Fazendo isso naturalmente será bom para todos que fazem parte da nossa vida. Não podemos deixar a individualidade prevalecer. Embora nem todos dependam de mim, eu dependo de todos. Gestos simples fazem sim a diferença. Gostei dessa viagem. Mas, agora passou a ser uma necessidade ir a Portugal e passar pelo menos um mês por lá, e não apenas conhecer a língua, a história, mas preciso de um pouco da vivência de lá. Quero ir ao meu lugar de origem [Castelo do Mação, Beira Baixa, Portugal]”, acentua o escritor.

 

Intenso

“Fui Covarde” é mais um livro em que o professor está trabalhando, será o seu sexto, e nele promete ser também muito intenso. Trata-se do pós-apocalipse, que segundo Freixo normalmente as pessoas o coloca como um fim de mundo, e não é. Na verdade algumas frases o incomoda e ele começou a partir de “combati o bom combate” e trocou por “não combati, fui covarde, fiquei para trás recolhendo os corpos, os ossos, as carnes”.. . “Depois de toda essa guerra como é que se junta tudo isso? Ele virá de forma longa... Com certeza este é o texto mais longo que tenho”.

 

 

 

 

 

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