Fundação Itesp - Com restante da colheita, produtores fazem a silagem para alimentar o gado

Foto: Fundação Itesp - Com restante da colheita, produtores fazem a silagem para alimentar o gado

PONTAL

Produtores adiantam silagem para período de estiagem

Para garantir sustento do rebanho no ano que vem, processo é antecipado em propriedades rurais, a exemplo do Assentamento Maturi, em Caiuá

  • 12/09/2019 08:55
  • DA REDAÇÃO

Os meses de junho a setembro são o período de estiagem no campo. Os pastos ficam secos, o que dificulta a alimentação do gado. Para garantir o sustento do seu rebanho no ano que vem, o produtor rural Álvaro Paulino, que vive no Assentamento Maturi, no município de Caiuá, adiantou o processo de silagem no seu lote.

Álvaro possui oito vacas leiteiras e uma produção de cana-de-açúcar. Com o restante da colheita, faz a silagem para alimentar o gado. A ensilagem consiste em fermentar essa matéria vegetal e compactá-la embaixo de lonas, não permitindo a entrada de oxigênio e luz. Com essa vedação e o auxílio de inoculantes apropriados para cana-de-açúcar (micro-organismos), essa forragem fermenta e se conserva por mais tempo.

O estudo para início da silagem no loteamento de Paulino começou muito antes. Em 2018, técnicos da Fundação Itesp (Instituto de Terras do Estado de São Paulo) enviaram amostras do canavial para análise e posteriormente recomendaram o melhor tipo de adubo para o plantio e cobertura. Atualmente, as vacas leiteiras dão 150 litros por dia, totalizando aproximadamente 4,5 mil litros por mês; com o uso da silagem, a expectativa é de que aumentem esses números, pois com os nutrientes fornecidos o gado tende a ganhar peso e produzir mais.

A vedação do silo deve ser total, pois qualquer contato com o ar causa uma perda do material composto e de proteínas, além da possibilidade de ele se tornar indigesto para o animal. O principal objetivo do processo de ensilagem é obter uma produção suficiente de ácido láctico de origem microbiana que permita a estabilização do produto e evite apodrecimento, ou seja, a continuação da sua degradação por bactérias e fungos.

Ao fim de 30 dias, o silo pode ser aberto e seu material, consumido; caso seja da vontade do agricultor, o produto pode ser conservado por anos. A silagem pode ser feita com capim, sorgo e milho, entre outros, sempre com atenção ao valor nutricional. É um alimento dinâmico, que permite ao produtor manter os animais no cocho sem perder peso, tática usada para a produção de leite ou carne.