Cedida/AI da Unoeste - Evento propôs discussões centradas sobre os métodos do parto humanizado aos acadêmicos

Foto: Cedida/AI da Unoeste - Evento propôs discussões centradas sobre os métodos do parto humanizado aos acadêmicos

PARTO HUMANIZADO

Presença de doula reduz em 50% taxa de cesárea

  • 11/05/2019 06:00
  • WEVERSON NASCIMENTO - Da Reportagem Local

Uma pesquisa apontou que atuação da doula colabora positivamente no momento do parto, podendo diminuir em 50% as taxas de cesárea, 20% a duração do trabalho de parto e 60% os pedidos de anestesia, conforme explicou a professora e doula especialista Franciele Schwarz, na 38ª Semana da Enfermagem da Unoeste (Universidade do Oeste Paulista). Ontem, o encerramento do evento reuniu professores, especialistas e alunos dos cursos da área da saúde, no campus da universidade para discussão e propagação de conhecimento, centradas sobre os métodos do parto humanizado.

Durante a mesa redonda, a professora e palestrante Franciele Schwarz, 34 anos, a qual abordou o tema “O papel da doula no parto”, reforçou que o trabalho da “acompanhante” é apoiar físico e psicologicamente a mulher, e não interferir em procedimento que sejam da área da saúde, ou seja, está para acompanhar a gestante e minimizar a dor. “Discutir o assunto é muito importante porque a sociedade, de modo geral, confunde o papel da doula com o da “parteira”, então, esse movimento de explicação e conscientização é importante para compreensão do que é o parto humanizado”, reforça.

O médico ginecologista Francisco de Assis Costa Souza, que também estava no evento, esclarece que o sentido da palavra “humanizado”, deve ser compreendido como o trabalho de uma equipe que busca melhorar o atendimento de uma gestante. Para ele, ao parto natural, no Brasil, o parto humanizado, é compreendido de forma “desvirtuada” e que, hoje em dia, a mulher está perdendo o esclarecimento de ela pode ter um bebê sem fazer o procedimento cirúrgico, ou mesmo, desmistificar a relação de parto normal com a dor.

Em âmbito nacional, o médico explica que existe um projeto chamado “Parto Adequado”, com a finalidade de conscientizar a mulher brasileira de que o parto natural é o melhor para ela. Segundo ele, essa informação é a que tem que chegar até a gestante, porque com a conduta de optar pelo procedimento humanizado, ela sai do risco da cesariana. “A cesariana não é um procedimento ruim, mas surgiu como um mecanismo de tirar o médico de situações complicadas no parto, tanto para salvar o bebê, quando para salvar a mulher”. Quanto aos mecanismos usados na humanização, existem aqueles que deixam a mulher consciente, além do alívio da dor no parto, explica o médico. “Então, elas podem ter um parto normal sem se arriscar tanto em uma cesárea, pois quando falamos em cesariana, falamos de cirurgia e não de parto”, diz o ginecologista.

Atuação da enfermagem

Durante a mesa redonda, a enfermeira obstetra e palestrante Letícia Pelegrino Menotti, 38 anos, reforçou que a promoção da maternidade segura, requer a efetiva participação de obstetrizes e enfermeiros obstetras, ou seja, profissionais que, a partir da perspectiva da promoção da saúde, podem colaborar na constituição de uma rede efetiva de cuidados, cuja premissa básica seja a atenção humanizada, a fim de melhorar a expectativa da mulher e da família no processo de gestação, parto e pós-parto.

Para ela, a importância da enfermeira obstetra no parto é comprovada cientificamente de que ela atuando no processo do “parir”, diminui intervenções desnecessárias e que ajuda a mulher, tanto emocionalmente quando psicologicamente. Logo, a importância do evento é mostrar que a enfermagem tem que se empoderar do seu papel, e de que na região a entrada da enfermeira obstetra atuando no parto, junto com uma equipe multiprofissional, mostra que existem políticas e diretrizes que direcionam a assistência. 

Segundo a coordenadora do curso de Enfermagem da instituição, Maria Nilda Camargo de Barros Barreto, 57 anos, a importância da discussão para os acadêmicos é importante para a formação, porque eles aprendem e se tornam multiplicadores de informações na sociedade. Segundo ela, para eficácia desses atendimentos, existe um trabalho conjunto com todos os profissionais para que aconteça um parto normal adequado.

O papel da doula

O que ela faz

- suporte físico e emocional desde o pré-natal;

- Técnicas de relaxamento, respiração e massagem para alívio da dor;

- Ajuda a parturiente a encontrar posições mais confortáveis durante as contrações.

O que não faz

- Não faz exames de toque;

- Não afere a pressão arterial;

- Não indica remédios;

- Não faz avaliação da dinâmica uterina;

- Não ausculta o coração do bebê.