Preço do botijão de gás sobe até 14% na revenda

BEATRIZ DUARTE - Especial para O Imparcial • 06/02/2018 12:21:23

A decisão da Petrobras de diminuir em 5% o preço dos botijões de gás nas refinarias não será repassada pelos revendedores de Presidente Prudente, que assim como consumidores seguem insatisfeitos com a queda no número de clientes em função das constantes altas do produto. Elas começaram em julho e seguiram até dezembro de 2017.

O revendedor Robson Fernando Ferreira, 35 anos, esclarece que, desde o início das altas até agora, o valor do gás de cozinha já acumula aumento de R$ 10 no seu comércio. Deste preço, R$ 8 foram repassados ao bolso do consumidor. Isso acontece, segundo ele, por causa da concorrência do mercado e da necessidade de acompanhar os preços da tabela.

Como forma de não perder clientes, o empresário busca alternativas, como a oferta de brindes e promoções de recargas de celulares, realizadas em parcerias com a distribuidora. No momento, o valor do gás no estabelecimento de Robson é de R$ 65, com a entrega, e de R$ 60 para a busca na loja. Antes dos reajustes, o valor era de R$ 58, diferença de 14%. “Não brigamos com o preço, não podemos deixar cair tanto porque trabalhamos com um produto de qualidade”, diz.

O proprietário de outra revendedora, Osvaldo Moreira Alves, 64 anos, aponta que mesmo que ocorra uma queda no valor do produto nas refinarias, essa porcentagem não deve chegar aos revendedores e distribuidores, pois muito dos aumentos foram segurados pelos comerciantes. De acordo com ele, após seis meses de reajustes, foi constatada queda de 50% nas suas vendas. “Não tem como continuar no ramo, caso nada melhore. A Petrobras passou muito tempo sem atualizar a tabela de valores e isso afetou a todos nós, porque agora não para de aumentar”. Atualmente, o valor do produto em seu estabelecimento é de R$ 70. No início dos reajustes, era de R$ 58, aumento de 17%.

Bruno Ginas Costa Rosa, 26 anos, também proprietário de uma revendedora localizada no Jardim Humberto Salvador, diz que o aumento repassado pelas refinarias chega a 68% no total, mas ele acredita que essa é uma porcentagem subestimada. Com o valor de R$ 65 na venda do seu produto, diz que quase não obtém lucro, mas amarga aumento de 14%, já que antes comercializava o botijão de gás pelo preço de R$ 58.

 

Consumidor

A dona de casa Marisa Rigolo, 50 anos, comprou pela última vez o gás para a sua casa com o valor de R$ 65 e comenta que a oscilação do preço do produto afeta o orçamento da família. “Aumentou muito e o pior que as outras coisas aumentam também. Em janeiro, além do gás, chegam as outras contas, como IPTU [Imposto Predial e Territorial Urbano] e IPVA [Imposto sobre a Propriedade de Veículo Automotor]. Por conta disso, a gente precisa abrir mão de coisas como o lazer, para diminuir as despesas do dia a dia”.

Já a estudante de Arquitetura e Urbanismo, Ana Elisa Sayuri Kobata, 23 anos, diz que realiza a compra do botijão de gás a cada dois meses pelo fato de cozinhar pouco, e a baixa frequência faz com que se “assuste” com as diferenças de preços. “Não tem uma base para seguir, já cheguei a pagar R$ 70 pelo item. Todas as vezes, o valor acabou sendo mais alto do que eu planejava”.

Proprietária de um pensionato, Cristiane Nogueira Candido, professora, 39 anos, comenta que a variação dos preços do botijão de gás afeta a alimentação diária da família e dos inquilinos. “Deixamos de cozinhar alguns alimentos, como doces e assados, porque eles demoram muito tempo no fogo”. Com o maior preço já pago de R$ 65, ela ressalta que o custo acaba sendo ainda maior, pela necessidade de comprar sempre dois botijões, um principal e outro reserva.

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