Praça de lazer vira “ponto de drogas e poluição”, segundo vizinhos do Sabará

 13/08/2017  - André Esteves

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A praça de lazer vazia do Jardim Sabará, em Presidente Prudente, nem lembra os tempos em que o comerciante Valdenir de Oliveira, 47 anos, treinava o time de jogadores do bairro. Na época, a área abrigava um campo de futebol, que mais tarde foi convertido para uma área de lazer, com ATI (academia para terceira idade) e parquinho de diversão para as crianças. Foi no gramado de outrora que o morador – conhecido como Sabará, apelido dado a ele durante uma competição esportiva, onde acharam mais fácil grafar na lista o nome da localidade onde vivia do que o seu de batismo – disputou campeonatos amadores e regionais, que hoje se reproduzem apenas na memória. Assim como outros residentes, ele lamenta as atuais condições do espaço, que se tornou “restrito” ao consumo de entorpecentes e descarte inapropriado de lixo.

Valdenir aponta que a ronda policial existe, no entanto, sem muita solução, já que os usuários de drogas insistem em permanecer no local. O aposentado Joel Barbosa, 75 anos, e o pintor Celso Diógenes Pereira, 42 anos, expõem que, por conta disso, a população se mantém afastada da praça e o propósito do equipamento público perde o seu valor. Para Joel, que era um dos bairristas que jogavam bola no extinto campo de futebol, a praça de lazer veio mais para “tirar” do que “somar”. “Os malandros vêm, fumam, bebem e quebram os brinquedos e equipamentos. Se fosse para ser assim, eu preferiria que não tivessem tirado o nosso campo”, argumenta.

A Seção de Comunicação do 18º BPM/I (Batalhão de Polícia Militar do Interior) informa que o órgão desenvolve ações contra o tráfico de droga em todos os bairros da cidade, pontuando que, no primeiro semestre deste ano, operações, abordagens e fiscalização de veículos levaram a 139 flagrantes de tráfico de entorpecentes e 134 de porte de drogas em Prudente. No caso do Jardim Sabará, orienta que os moradores colaborem com denúncias de práticas criminosas pelos telefones da Polícia Militar e Emergência (190), Polícia Civil (197) e Disque-Denúncia (181).

 

Entulhos

A sujeira é outro ponto que incomoda. O aposentado Adão Firmino da Silva, 68 anos, mora em frente ao espaço em questão e diz que é comum ver os transeuntes jogando sacolinhas e outros materiais descartáveis. “A molecada, principalmente, não respeita. E se você chama a atenção, eles ainda ficam bravos”, conta. Em um trecho da área, o acúmulo de entulhos não passa despercebido. Restos de madeira dividem lugar com galhos de árvores, telhas e até mesmo roupas. Adão relata que o cenário é produzido pelos munícipes, os quais se esquecem que a poluição é um prejuízo para eles próprios. “Cabe a nós cuidar do bairro e conservá-lo limpo”, avalia.

A Secom (Secretaria Municipal de Comunicação) explica que a Prudenco (Companhia Prudentina de Desenvolvimento) não realiza a coleta periódica de restos de materiais de construção ou galhos de árvores. Tal descarte é, portanto, responsabilidade do morador ou dono do estabelecimento, que deve alugar uma caçamba apropriada para descartar esses materiais. Já as denúncias relacionadas à disposição irregular de lixo podem ser realizadas diretamente ao telefone 156, sem a necessidade de se identificar.

 

Estrutura do bairro

Ano de implantação: 1974

Área de loteamento: 102.300 m²

Área verde: 10.180 m²

Quadras: 12

Construções: 256

Terrenos baldios: 19

População estimada: cerca de mil habitantes

Fonte: Secom

 

SERVIÇO

A população pode promover suas reclamações, críticas e elogios sobre o bairro em que reside. O contato deve ser feito com os profissionais da Pauta, por meio do pauta@imparcial.com.br, do telefone 2104-3732 ou do Whatsapp 99104-8537.

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