Pós-modernidade

  • 17/03/2020 04:03
  • Arlette Piai

São quatro os pilares da vida pós-modernidade: 1 - inundação tecnológica, 2 - velocidade, 3 - desregramento, 4 - narcisismo. O primeiro nos levou à substituição da força dos músculos pela máquina, das bibliotecas pelo Google, dos órgãos dos sentidos pelos telescópios, dos olhos do médico pelas tomografias, dos brinquedos infantis pelo celular. O segundo - velocidade - a marca dos excessos: o excesso de coisas, o excesso de possibilidades, de atividades, de liberdade, de escolhas. O 3º conduziu à vida desregrada - a vasão dos instintos. E finalmente o 4º ao narcisismo: mais preocupação com a imagem e daquilo que os outros pensam de mim, versus o que eu penso de mim.

O sociólogo Bauman caracteriza a pós-modernidade um mundo líquido versus o sólido em conceitos e valores que deveriam reger nossas vidas. Diante deste mundo deseja-se viver a alegria absoluta, a satisfação absoluta, o acúmulo absoluto, o prazer absoluto e, consequentemente, fez surgir a incapacidade absoluta de enfrentar frustrações. Daí nascem a ansiedade, a angústia... Esses sentimentos sempre fizeram parte da humanidade, mas eram aceitos com certa resiliência como algo que faz parte da vida. As frustrações que sempre foram, são e serão causas dos conflitos humanos, têm sentido no plano cósmico. Se é bíblico e óbvio que o “plantar é livre, mas a colheita obrigatória” é porque assim deva ser, para que todos possamos melhorar. Provavelmente as frustrações sejam pedagógicas - atraídas por nós mesmos - a fim de nos tornarmos mais virtuosos.

Na pós-modernidade, o “eu quero” excêntrico parece predominar sobre o ético “eu devo?” Nesse quesito, as ações humanas passam a ser instintivas como dos irracionais em que a vida se reduz em sobreviver com conforto e procriar. Isso não é construir-se no plano humano, isso até a ameba o faz. As plantas exercem a função que lhes é devida: a fotossíntese, os animais exercem a função que lhes é devida: instinto e procriação. Mas se o homem não realiza a função humanística que lhe é devida, surgem as novas doenças psiquiátricas. E quem agradece é a farmacologia, cujo lema é: “Invente doenças novas que eu invento medicamentos novos”. Como disse sabiamente Demóstenes, filósofo e “orador gago”, século IV a.C.: “É extremamente fácil enganar a si mesmo, pois o homem normalmente acredita no que deseja”.

 

 

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