José Reis - Cenário descrito por munícipes após a poda é mais agradável

Foto: José Reis - Cenário descrito por munícipes após a poda é mais agradável

FEZES DE POMBOS

População aponta “melhora” na praça da catedral

Sete dias após a poda das árvores, usuários veem mais “limpeza” na Monsenhor Sarrion; Prefeitura aguarda mais uma semana para reconhecer eficácia

  • 23/05/2019 06:00
  • GABRIEL BUOSI - Da Redação

Há uma semana, a Prefeitura de Presidente Prudente realizou a poda de árvores na Praça Monsenhor Sarrion, como uma forma de amenizar os problemas encontrados pelos usuários do espaço causados pelo volume de fezes das aves que pernoitam no local. O mau cheiro é constante e a tentativa do Executivo é afugentar os pássaros que sujam o chão, bancos e pontos de ônibus. Sete dias depois do corte de galhos, a reportagem esteve na praça para saber dos impactos da medida e encontrou munícipes que veem avanços. 

Conforme o secretário municipal de Meio Ambiente, Wilson Portella Rodrigues, será necessário mais uma semana de análise do reflexo da poda das árvores por parte da Prefeitura, para então emitir um parecer mais concreto sobre a efetividade da medida. Entretanto, ele expõe que nos últimos dias o retorno da população tem sido positivo. “Tivemos diminuição na quantidade de reclamações, principalmente por causa do mau cheiro que não é mais constante quanto na semana passada. A sujeira também é visivelmente menor”, comenta.

Além da poda, a praça continua a ser lavada uma vez ao dia, pela manhã, ação que se estendeu para a Praça Nove de Julho duas vezes na semana e que, se comprovada a necessidade em ocasião oportuna, poderá estar presente em demais espaços, por causa da migração dos pássaros. “Não posso me precipitar e já dizer que faremos esse serviço, pois não finalizamos nem a análise dessa última ação tomada. Mas não descartamos a possibilidade, por sabermos que elas [aves] vão para outras áreas centrais e bairros da cidade”.

A diarista de 53 anos, Vera Purga, contou à reportagem que passa pela Praça Monsenhor Sarrion todos os dias e disse já ter “sofrido” com muita dor de cabeça por causa do cheiro e problemas que por ali se encontravam. “Era horrível, não gosto nem de lembrar. Para mim, o pior de tudo era saber que nossa saúde poderia ser afetada com tanta sujeira”. Por isso, ela esclarece que já viu melhoras no cenário nos últimos dias, o que a faz ter esperanças de que as podas continuem conforme necessidade. “Não podemos deixar isso voltar a ser como era antes”, afirma.

Quem também estava contente com o novo ambiente proporcionado pela retirada de galhos das árvores foi a servidora pública de 53 anos, Silvia Ramos. Ela comentou que, além dos aspectos mais limpos, percebeu que a praça está mais iluminada, já que a ausência dos galhos permitiu a entrada do sol. “O fim da tarde para nós era horrível, pois além do acúmulo de fezes ao longo do dia, era o momento em que as aves retornavam para cá. Não senti mais o cheiro ruim e acho que foi boa a medida”.

 

Histórico

Segundo noticiou este diário, a ação de podar as árvores foi anunciada, depois de a Prefeitura esclarecer que acatou a um pedido do MPE (Ministério Público Estadual). Na ocasião, foi informado que a etapa contemplaria inicialmente 12 árvores, mas que “limpou” pouco mais de 20 delas, com o objetivo de dispersar os animais para outros pontos do município e garantir a limpeza da praça.

Este não é um assunto novo, mas que voltou a ganhar destaque nas últimas semanas, após o prefeito Nelson Roberto Bugalho (PTB), durante reunião com representantes da Prefeitura, da Catedral de São Sebastião e MPE, anunciar que faria a substituição de 12 árvores, entre oitis e sibipirunas, por palmeiras, na tentativa de barrar a criação de “poleiros” de aves.

Após o anúncio, no entanto, representantes da Câmara Municipal, da Prefeitura, autoridades e membros da sociedade civil se reuniram para uma reunião pública, na casa de leis, para discutir o tema, momento em que o Ministério Público Estadual recomendou à Prefeitura que adiasse a decisão de erradicar as árvores, o que foi acatado e resultou no acordo da poda.