Polícia Civil: Veículos foram apreendidos em estabelecimentos comerciais

Foto: Polícia Civil: Veículos foram apreendidos em estabelecimentos comerciais

ASCLÉPIO II

Polícia apreende 127 veículos de organização criminosa

Suspeita é de que parte dos automóveis tenham sido trocados por vagas em faculdade de Medicina em esquema da quadrilha

  • 17/04/2019 17:20
  • ROBERTO KAWASAKI - Da Redação

A Polícia Civil de Assis deflagrou nesta manhã a segunda fase da Operação Asclépio, que investiga uma organização criminosa acusada por efetuar fraudes em vestibulares para o curso de Medicina. Em Andradina (SP), 127 veículos foram apreendidos apontados como frutos da prática criminosa relacionada à investigação. A primeira fase da operação, deflagrada na semana passada, prendeu 17 suspeitos no Estado de São Paulo, sendo quatro deles moradores de Presidente Prudente.

De acordo com o Deinter-8 (Departamento de Polícia Judiciária do Interior), os veículos identificados e bloqueados nesta manhã estavam distribuídos em estabelecimentos de comércio de automóveis em Andradina, sem consignação. Suspeita-se que entre os veículos encontrados, grande parte seja oriunda de pagamento pelas vagas em faculdades de Medicina, já que a quadrilha negociava pagamento de valores entre R$ 80 mil e R$ 120 mil por vaga, dinheiro que entrava de forma parcelada ou por permuta de bens móveis e imóveis.

Conforme a polícia, o proprietário dos bens é um homem de 54 anos, identificado e preso na semana passada como sendo o “principal articulador” do esquema de venda de vagas para ingresso no curso, bem como no processo seletivo de transferência de alunos para o mesmo curso em demais faculdades do Estado de São Paulo. Ele é morador na cidade de Muritinga do Sul (SP).

Vagas compradas

Como noticiado por este diário, as investigações iniciaram por meio de denúncia de um suposto esquema fraudulento no vestibular para o curso de Medicina da Fema (Fundação Educacional do Município de Assis), ocorrido em abril de 2017. Na ocasião, a direção da instituição teria descoberto que terceiras pessoas haviam se passado por cinco candidatos e realizaram as provas. Diante disso, a Fundação Vunesp (Vestibular da Universidade Estadual Paulista), organizadora do certame, constatou inconsistências nas identificações datiloscópicas, assinaturas na folha de respostas.

Ainda, foi verificado que as imagens captadas dos candidatos no dia da prova, não consistiam com as coletadas dos alunos aprovados que, posteriormente, foram matriculados no curso. Desta forma, foi aberto inquérito policial para apurar os crimes de organização criminosa, estelionato e falsificação de documento público. Dentre os presos na semana passada também estão pessoas ligadas à Universidade Brasil, que possui faculdade de Medicina em Fernandópolis (SP).

Por meio de nota encaminhada à reportagem, a Fundação Educacional do Município de Assis informa que sempre teve suas atividades pautadas pela “transparência e pela lisura”, e afirma que os envolvidos tiveram suas matrículas canceladas, “reforçando o compromisso da instituição com os processos legais”. O Ministério Público também se pronunciou relatando o fato, e reforça que o esquema criminoso “não conta com a participação de pessoas ligadas à Fema”.