Pesquisador fala sobre transformação de prédios

ANDRÉ ESTEVES - Da Redação • 13/02/2018 12:09:50

A preservação da memória ferroviária é um dos principais ideais difundidos pelo pesquisador Ralph Mennucci Giesbrecht, administrador do site “Estações Ferroviárias do Estado de São Paulo”. À reportagem, ele afirma que restaurar os prédios das estações de passageiros, bem como armazéns e outras edificações dos conjuntos, é algo “excelente”, por preservar uma história importante para cidades relativamente novas e que surgiram em função do transporte ferroviário. “Se o trem não houvesse alcançado essa região [de Presidente Prudente], a colonização seria atrasada em alguns anos e, certamente, as cidades seriam outras, provavelmente em pontos diferentes”, argumenta.

No entanto, Ralph pondera que as pessoas parecem não se importar muito com essa questão e, justamente por isso, o que ocorre há décadas é o abandono dos prédios ou sua demolição. “Quando são restaurados, nem sempre duram muito, pois a manutenção é mínima. Aí vêm novas restaurações e mais dinheiro é gasto quando não precisaria ser. Manutenção é sempre mais barata, mas rara”, considera.

 

Se o trem não houvesse alcançado essa região [de Presidente Prudente], a colonização seria atrasada em alguns anos e, certamente, as cidades seriam outras, provavelmente em pontos diferentes

Ralph Mennucci Giesbrecht,

pesquisador

 

Ralph denota que, quando é tomada a decisão de restauro, o uso acaba sendo sempre para casas de cultura – “onde a cultura apresentada é muitas vezes discutível” – ou para usos administrativos, geralmente de prefeituras. “Poucas vezes viram moradias decentes ou locais comerciais. Em muitas vezes, são desfigurados”, completa. Em contrapartida, acredita que, ao surgir a restauração, a população deve ficar atenta para que isso seja preservado, tarefa que não é fácil, haja vista que há estações e prédios ferroviários que já foram restaurados ou reformados de três a quatro vezes.

Ele elucida que a existência da linha férrea influi nas decisões, considerando que, se não estiver ativa, isso implica na conservação do próprio pátio e trilhos, “que são os primeiros a serem abandonados”. Por fim, salienta que quando a Prefeitura não demonstra qualquer interesse em manter os prédios, estes acabam sendo abandonados ou demolidos. “Aí vem o abandono e todos reclamam da Prefeitura, que não pode, sem ter a posse do prédio ou pátio, limpar, pois estes continuam sendo propriedades da antiga RFFSA [Rede Ferroviária Federal Sociedade Anônima], sucessora da Fepasa [Ferrovia Paulista Sociedade Anônima]”, pontua.

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