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Parcerias em conjunções

  • 07/06/2019 04:20
  • Maria Angélica Amoriello Bongiovani

Você quer casar para que? Você casou por quê? Como está seu casamento? Você espera que o casamento proporcione felicidade? Em minha experiência clinica, observo que, tanto o esposo quanto a esposa, ao descrever a dinâmica do matrimônio, as queixas são na maioria das vezes, uma atribuição ao outro, de responsabilidade pela felicidade. “Estou casando para ser feliz”, alguns respondem. “Eu esperei o dia inteiro, ansiosa por você, e quando chega não dá a mínima para mim?”.

Idealizações muitas vezes, podem destruir a relação entre o casal. Há muitos casamentos entre adolescente onde um acaba jogando no outro, a responsabilidade de ajudar na própria construção de uma identidade e assim em busca de maturidade. Não podemos achar que vamos encontrar no casamento tudo aquilo que nos falta. Também não podemos achar que o cônjuge deverá ter um comportamento de extensão daquilo que ou a mãe ou o pai representa em sua vida.

Precisamos entender que uma relação de parceria é constituída por uma intersubjetividade. São duas pessoas que se unem com características distintas, valores, hábitos diferentes, tradição e costumes peculiares, etc.

O casal terá ao longo do convívio um objetivo de construção de uma nova relação agora de sintonia. A parceria constituirá um novo espaço, diferente de tudo que já viveu com sua família. Casa nova, algo novo será criado. Não poderão achar que há formatos ou clichês prontos, tanto da família de um, como do outro.

Há um desleixo, uma paralisação de sonhos, desejos, e metas ao consumar o casamento. Dentro da relação não podemos deixar de pensar no individuo que somos e assim na diferenciação eu-não eu. Uma frase bastante importante é:- “A melhor maneira de ser feliz com alguém é aprender a ser feliz sozinho. Daí a companhia será questão de escolha e não de necessidade” (Jô Soares).

A relação proporcionada pelo casamento, não poderá fertilizar se a relação for de extrema dependência um do outro. Não podemos necessitar do outro para nossa sobrevivência. O casamento não significa e não poderá representar uma estagnação ou um estacionamento de sonhos, desejos e investimentos individuais. Muitas vezes ficamos esperando que o outro nos impulsione para uma direção. Viver a dois não é fácil. Estamos vivendo atualmente novas configurações familiares, novas concepções ou constelações de famílias como a homoparentalidade.

Homossexualidade e homoparentalidade tem ganhado amplitude ao longo do tempo nos meios de comunicação e realidade. Em qualquer relacionamento, um dos problemas que mais podem afligir ou fazer a relação naufragar é deixar para o outro a responsabilidade da felicidade. Respeito, diálogo, igualdade de direitos, direito à subjetividade, solidariedade, e amor compõem o repertório da felicidade a dois.

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Maria Angélica Amoriello Bongiovani

Maria Angélica Amoriello Bongiovani

Psicóloga clínica, psicanalista e membro da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo. Contato: angelicabongiovani@stetnet.com.br

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