Para minha cachorra Sofia

  • 04/08/2019 07:00
  • Persio Isaac

“O que mais me atrai nos animais é que eles não usam palavras… Eles usam sentimentos”.  Chico Xavier

Há 18 anos, me lembro que estava vendo televisão quando ouvi um latido, tínhamos perdido o Tobi, nosso cachorro, atropelado acidentalmente. Mulher Maravilha, para amenizar a saudade da perda do Tobi, comprou um filhote da raça Lhasa Apso. Quando a vi entrando com seus pelos longos, orelhas finas, um latido marcante, senti  nessa nova companheira que ela iria preencher o espaço vazio que o Tobi tinha deixado.  O nome Sofia foi escolha da Mulher Maravilha.

Lógico que a mimamos desde que ela chegou. Tinha um defeito na arcada dentária, era prognata. Esse defeito virou seu charme.  Lendo a história dessa raça, tomei conhecimento que esse ar superior vem do instinto de guardião, que teve sua origem no Tibet, ao lado dos monges e de pessoas nobres. Lhasa é a capital do Tibet e Apso quer dizer Leão. Estava com o Leão de Lhasa em casa. Os monges tibetanos costumavam presentear os nobres da época com filhotes dessa raça, pois viam nela um símbolo de boa sorte. Quanta honra ter uma raça com todo esse histórico e simbolismo.  

O primeiro cachorro dessa mística espécie saiu da capital Lhasa no século passado, sendo presenteada para o Imperador Chinês.  Tem tanta personalidade que os especialistas acham que ela se sente um gigante, porque não tem noção do seu pequeno tamanho.

Sofia fazia o que queria. Dormia na nossa cama, latia pra mostrar sua forte liderança e essa baixinha foi nos conquistando dia após dia, mandava e desmandava na casa. Extremamente carinhosa, independente, desconfiada, alegre e raramente ficava doente. O Leão de lhasa eram os cães de guarda dos monastérios do Tibet. Depois de discorrer  sobre a história da raça de Sofia, procurei saber o segredo do amor entre cachorro e a raça humana.  Milan Kundera, escritor tcheco, que escreveu o romance, a Insustentável Leveza do Ser, disse: “O amor entre um homem e um cachorro é um idílio. Nele não há confrontos, conflitos, não há cenas angustiantes. No romance a protagonista, Teresa, chega a pensar que o amor que sente por sua cachorra Karenin é muito melhor do que sente pelo marido. Ainda bem que a Mulher Maravilha não se chama Teresa. Essa relação da raça humana com os cães tem pelo menos 14 mil anos e ainda estamos longe de saber tudo sobre eles.

Sofia nos deu muitas alegrias nesses 18 anos de  convivência. Nos alimentou com sua pureza, amizade, lealdade, fidelidade, não dando nem bola para o medo de nossos corações inseguros. Nos fez sentir que seu amor será sempre uma das coisas mais incríveis, mais emocionantes que sentimos nesse mundo. Afinal, será que ela é apenas um animal que dizem que não pensa? E nós que pensamos, somos o que?

E no dia 1º de agosto de 2019, às 15h30, Sofia se foi. A morte a levou sem dor. Não sou um homem religioso, mas no momento que vi seus olhos se fecharem para sempre na mesa da Clínica Veterinária do Dr. Wilman, rezei para que ela tivesse alma e quero acreditar que esteja indo para a eternidade se encontrar com Deus e ser uma guardiã dos monastérios do infinito, de outros mundos. Até breve Leão de Lhasa.

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