Letícia Gomes - Suelita Röcker: “É importante que saibam os malefícios do método”

Foto: Letícia Gomes - Suelita Röcker: “É importante que saibam os malefícios do método”

EXPLORAÇÃO DE GÁS

Palestra em Regente Feijó, amanhã, discute movimento “anti-fracking”

  • 24/05/2019 08:00
  • WEVERSON NASCIMENTO - Da Redação

Neste sábado, das 10h às 12h, um grupo de palestrantes do Paraná estará no Aviashow, em Regente Feijó, para uma palestra sobre o anti-fracking, que consiste na exploração do gás de xisto por meio do fraturamento hidráulico das rochas. O grupo esteve na sede de O Imparcial e conversou com a reportagem sobre os riscos da extração, tema que será discutido no evento.

Durante a palestra, será proposto um debate para falar do assunto e alertar a população sobre o método utilizado para a exploração do gás folhelho. De acordo com a especialista em educação ambiental e gestão e tecnologia ambiental da indústria, Suelita Röcker, é importante que todas as pessoas saibam também dos malefícios do procedimento, porque não há informações quanto ao assunto. “Eles precisam saber que é uma medida prejudicial à agricultura, ao turismo, ao ar e a água, e que os locais onde existe a extração do gás de xisto, através do método de fracking, são lugares altamente poluentes e improdutivos, devido à contaminação do local”, diz.

Segundo a especialista, em 2016 aconteceu um leilão público e o governo federal leiloou a área de 52 cidades da região de Presidente Prudente e do Estado do Paraná, para extração do gás de xisto, um método considerado por ela, extremamente agressivo, porque se perfura a terra em até 3 mil metros de profundidade e injeta produtos químicos, entre eles, cancerígenos e radioativos. “Isso tudo na região de Prudente, conhecida por uma economia agrícola, de pecuária e turismo, seria uma catástrofe porque toda a economia iria mudar e todas essas pessoas estariam prejudicadas”.

O método

A extração do gás se dá por um processo chamado de fraturamento hidráulico (do inglês, fracking), que consiste em fraturar as finas camadas de “folhelho” com jatos de água sob pressão. A água recebe adição de areia e de produtos químicos que mantêm abertas as fraturas provocadas pelo impacto, mesmo em grandes profundidades. A fratura hidráulica é um processo de bombeamento de fluído, por meio de um poço aberto verticalmente, com posterior extensão horizontal, atingindo milhares de metros de profundidade. A pressão gerada provoca fissuras nas rochas sedimentares e permite a extração do “gás natural”, que chega à superfície misturado com água, lama e aditivos químicos utilizados no processo.

Situação regional

Em 2017, o PL (Projeto de Lei) 834/2016, do deputado estadual Ed Thomas (PSB), que proíbe a exploração de gás de xisto ou gás não convencional pelo sistema de fraturamento hidráulico, em território paulista, em especial no oeste paulista, foi aprovado pela Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo). Na ocasião, o PL foi proposto após publicação de decisão do juiz da 5ª Vara Federal de Presidente Prudente, Márcio Augusto de Melo Matos, que julgou procedente uma ação civil pública movida pelo MPF (Ministério Público Federal), determinando a suspensão dos efeitos decorrentes da 12ª Rodada de Licitações promovida pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), em relação à disponibilização dos blocos da Bacia do Rio Paraná, situados no oeste do estado de São Paulo, para a exploração do gás folhelho.

No Estado de São Paulo (11.090,21 km²), o bloco licitado correspondia às cidades de Adamantina, Alfredo Marcondes, Álvares Machado, Anhumas, Caiabu, Caiuá, Emilianópolis, Dracena, Estrela do Norte, Flora Rica, Flórida Paulista, Indiana, Inúbia Paulista, Irapuru, Junqueirópolis, Lucélia, Marabá Paulista, Martinópolis, Mirante do Paranapanema, Narandiba, Presidente Venceslau, Pacaembu, Piquerobi, Pirapozinho, Pracinha, Presidente Bernardes, Presidente Epitácio, Presidente Prudente, Ribeirão dos Índios, Sagres, Sandovalina, Santo Anastácio, Santo Expedito, Taciba e Tarabai.

De acordo com a especialista, o Estado é altamente produtivo e não precisa desse tipo de economia. “Trata-se de uma economia que não fica para o Estado ou município e sim para a petroleira. Temos outras fontes de recursos para energia renovável, que podem suprir as demandas e não ser tão devastadora como a exploração do gás de xisto”.

Conforme noticiou este periódico, a região tem o Parque Estadual do Morro do Diabo, o Parque Estadual do Rio do Peixe, o Parque Estadual do Rio Aguapeí e a Estação Ecológica Federal Mico-Leão-Preto, que constituem a categoria das Aspes (áreas sob proteção especial) e devem ser prioritariamente protegidas. Presidente Prudente, por exemplo, capta 70% da água do Rio do Peixe, um rio que seria fortemente prejudicado pelo fraturamento hidráulico.