Influência dos filhos

Pais devem priorizar dívidas em vez de presentes

Economistas orientam que famílias utilizem renda para pagar contas em atraso e apostem em agrados de menor valor; para psicóloga, diálogo com as crianças é o melhor caminho

ANDRÉ ESTEVES - Da Redação • 06/12/2018 07:40:00

Foto: José Reis - Orientação é que pais analisem preços antes de escolher presentes aos filhos

Com a chegada do décimo terceiro salário, o fim do ano é a última oportunidade que os consumidores têm de liquidar suas dívidas e começar o novo ano no azul. No entanto, ao mesmo tempo em que tencionam usar o dinheiro extra para pagar as contas pendentes, muitas famílias precisam desembolsar uma parte para garantir o presente dos filhos. Com a instabilidade da economia e a renda apertada, há quem deixe débitos em atraso para fazer a vontade da criançada, enquanto outros preferem presentear em outra oportunidade para não afundar em um endividamento maior. Economistas prudentinos destacam a necessidade de, nesta época do ano, os pais pensarem com cautela e evitar o imediatismo, comprando somente o necessário e abrindo mão do supérfluo.

O educador financeiro, Moisés Martins, aponta que o primeiro passo do consumidor é solver as dívidas antigas e, com o valor remanescente, fazer uma reserva para as despesas iniciais do ano que está por vir. Segundo ele, o grande problema do endividamento é aparentar ter aquilo que não possui. “É o que chamamos de compra por impulso. A pessoa vai ganhar um presente e, por esta razão, sente-se na obrigação de retribuir. Ou, então, acredita que se não presentear o filho, este desenvolverá um problema psicológico. Isso só vai acontecer se não houver um diálogo antes”, explica. Para Moisés, somente depois de resolver os compromissos financeiros e ponderar sua renda restante é que o indivíduo pode arriscar a compra de um presente.

A economista Josélia Graciliano Pedro também orienta que os compradores trabalhem menos a emoção e mais a razão, uma vez que, perante o atual cenário econômico, os ganhos estão cada vez mais reduzidos e as famílias estão pensando mais nos gastos. Além disso, enfatiza que há uma insegurança política ainda à espreita. “Enquanto não houver a mudança de governo, as pessoas estão com receio de assumir qualquer despesa. Diante da conjuntura econômica e política, todos ficaram mais realistas e a tendência é readequar o orçamento”, menciona.

Para quem não quer deixar a data passar em branco, a recomendação dos dois é adotar a tática da substituição. Moisés diz que os consumidores devem se adaptar a um presente mais em conta e comprar algo melhor em circunstâncias mais favoráveis. “Um erro cometido no fim deste ano pode fazer com que a pessoa amargue essa despesa durante todo o ano seguinte”, argumenta. Josélia corrobora a ideia. “É preciso pensar em presentes de valor menor e sempre recorrer à pesquisa, analisando se aquele valor não impactará o orçamento familiar”, aconselha.

Planejamento
A dona de casa Marlene Bressan Santos Pope, 45 anos, lançou mão em uma estratégia para conseguir atender ao pedido do filho Pedro Manoel Bressan Santos Pope, 10 anos. O menino ganhará o presente de Natal, mas terá que contribuir para isso. Ele ganhou um celular em uma máquina de garra de um shopping local e a mãe resolveu vendê-lo, revertendo uma parte do dinheiro para a poupança do garoto e outra para agrados de sua escolha. “Além disso, meu filho economiza dinheiro que ganha dos familiares. Sendo assim, pedimos uma quantia para ele e completamos com a nossa parte para comprar o presente, sem deixar de pagar as contas”, comenta.

Entretanto, Marlene só atende ao desejo do filho se estiver dentro da sua disponibilidade orçamentária. “Se não for algo possível, explico que não necessitamos daquilo e não faz sentido adquirir pelo fato de ser muito caro”, afirma. Para a psicóloga Luciana de Paula Alves, este é o caminho. O diálogo pode ser feito com crianças de todas as idades, levando sempre em consideração a sua idade e a linguagem a ser utilizada, de maneira que fique clara para ela a mensagem. “É importante que os pais conversem com os filhos antes para não gerar expectativas de receber um presente inviável. Deixar claro que, naquele momento, não há a possibilidade de aquisição diminui o sentimento de frustração. Os pais podem oferecer substitutos e incentivar a criança a economizar para que ela comece a ter noção de valor e necessidade”, pontua.

Estilo do Site
  • Luz
  • Alto Contraste