COTIDIANO

Os elefantes e a grama

  • 24/04/2019 05:23
  • Claudenir Pinho Calazans

Recentemente houve um incêndio no Museu Nacional no Rio de Janeiro e o custo para seu reerguimento é de aproximadamente R$ 100 milhões. Mais recentemente ainda o Museu do Louvre também foi incendiado e doações milionárias foram destinadas à reconstrução do Histórico Museu. E por aqui, há poucos dias um novo projeto para o Museu Municipal de Presidente Prudente foi apresentado e, sem dúvida que por sua grandiosidade, seu custo também estará na casa dos milhões.

Mas, eu pergunto: A população precisa de mais Museus pelo mundo ou mais saúde, educação e alimento? Não sou contra a cultura, pois somos semeadores diários de cultura e queremos mantê-la para futuras gerações e assim contar nossa história ao longo dos anos. Contudo, numa ótica de fome e miséria por diversos países, o gasto bilionário com museus assusta e, assusta ainda por existir uma mobilização tão grande para a reconstrução do Museu do Louvre, mas não vemos a mesma mobilização para a erradicação da fome nos países da África, por exemplo.

A organização Médicos Sem Fronteiras trabalha em diversos países do mundo e não tem essa mobilização mundial para o salvamento de refugiados ou pessoas que morrem de fome todos os dias. O que está acontecendo conosco? Nos tornamos frios ao ponto de não nos sensibilizarmos com a dor de um semelhante?

Francamente, creio que não adianta termos museus suntuosos, se as crianças não tiverem educação para poderem reconhecer a arte que está ali imortalizada dentro do museu. No nosso município vemos a tamanha incoerência quando a administração quer gastar quase R$ 5 milhões para a construção de um “Poupatempo”, no mesmo ano em que fechou escolas por falta de recursos públicos. Não seria mais interessante ao município o investimento em tecnologia, para que os moradores não tivessem que se deslocar até a Prefeitura e pudesse resolver diversas questões pela internet? Com isso, não se gastariam milhões para a criação de uma estrutura que também custará alta cifra para seu funcionamento.

Enfim, estamos vivendo num mundo de incoerências dos mais variados tipos e, infelizmente, não são os maiores que sofrem, mas sim os mais frágeis que dependem de políticas públicas de qualidade. Nesse caso, vem bem a calhar um provérbio africano que diz que “quando dois elefantes brigam, quem sofre é a grama”. Acho que aqueles que sobreviverem sem saneamento básico, saúde e educação, verão no futuro grandes museus, praças simbólicas e prédios públicos suntuosos, mas por falta de educação, não saberão para o que servem.

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