Um sopro de ilusão

O turfe não é jogo de azar. A gente joga sabendo que vai perder. Leon Eliachar

  • 06/10/2019 07:01
  • Persio Isaac

Meus queridos primos, Marcio Antonio Moyses, Luiz Moyses e Haroldo Moyses mais conhecido como, "Sir Harold", ousaram sonhar. Convencidos pelo “SIR” a investir em cavalos de corrida, acreditaram que poderiam se tornar os Reis do turfe brasileiro (tá certo que sonhar não custa nada, mas não precisavam exagerar).

Foram participar de um leilão de cavalos de corrida. Sem malícia, sem experiência nenhuma, esses jovens e românticos sonhadores embarcaram nessa doce ilusão. Luis carregava em seu coração um dos versos do poema, Mar Português, do poeta Fenando Pessoa: “TUDO VALE A PENA, SE A ALMA NÃO É PEQUENA”.

Empolgados, acabaram comprando Prekete, o futuro Pelé dos cavalos de corrida, dito pelo Sir Harold. Nem imaginavam que eram os “patos” nessa aventura, afinal: “sonhar não custa nada”.  Não satisfeitos contrataram, Albenzio Barroso, famoso jóquei na época, um dos maiores nomes do turfe paulista, um Ronaldo Fenômeno. Para completar a megalomania deram o nome do Stud (nome dado para quem tem cavalos de corrida) de "Citizen Kane"(Cidadão Kane) em homenagem ao filme de Orson Welles. Orson Welles iria ficar comovido com tamanha homenagem desses novos mafiosos do turfe nacional.

Meu irmão, Sergio Isaac, que nunca viu um cavalo de corrida na vida, entrou com tudo nesta loucura e começou a dar instruções para Albenzio Barroso, se sentindo um técnico do “Todo Poderoso Timão”:  Olha, Albenzio, você cai pelo meio, entra pela direita e parte com tudo pela esquerda. Além de ninguém ter entendido nada, melindrou o famoso jóquei que se sentiu um jogador de futebol. Chega o grande e esperado dia da corrida.

Um grande sonho iria se realizar. Luis, Marcio e Sir Harold já faziam planos ambiciosos, participar do Pegasus Word Coup na Flórida nos Estados Unidos e embolsar 9 milhões de dólares, afinal, sonhar não custa nada.  Albenzio e Prekete, meus primos e seus sonhos, Sir Harold e sua pose, tensão no ar, todos num pra frente Brasil. A espera é angustiante. Será que dá Sir Harold? Pergunta o inseguro Luis. Não obtém resposta.  

É dada a largada, gritos ecoam no Jockey. Será que foi gol do Coringão? Que Coringão Marcio? Abra a sua mente e liberta seu coração, vamos nos tornar os Reis do Turfe nacional, diz o empolgado Luis. Alguém está vendo o nosso Pelé? Pergunta Luiz. Está em último, responde Marcio. ÚLTIMO!!!!!! Sir Harold, você não disse que era o futuro Pelé do turfe? Com sua fleuma de um puro cavalheiro inglês, afeito a grandes desafios, o nobre Sir Harold tranquiliza o afobado primo: Calma que a corrida está no seu início.

Ahhh bom. Então estamos no páreo? Sir acha a pergunta ofensiva e olha para o seu primo inseguro e pessimista e diz:  A melhor resposta é o meu silêncio. Ninguém é "SIR" por acaso. A tão esperada corrida dos sonhos chega ao seu final, a ilusão morreu antes de nascer, tomou um banho de realidade, virando pó. Os ventos da desilusão a levaram numa urna fria, que tristeza. Teria sido melhor ter perdido para o Palmeiras aos 48 minutos da prorrogação numa final de campeonato Paulista.

O Pelé dos cavalos de corrida, Prekete, Albenzio Barroso, chegaram em último lugar, sepultando definitivamente e prematuramente o tão sonhado e desejado sonho. Sir Harold acostumado a grandes decepções saiu do páreo. Luis e Marcio estão procurando até os dias de hoje quem criou essa frase mentirosa e repleta de ilusão: “Sonhar não custa nada”. Foi o sonho mais caro que sonharam. Esse Fernando Pessoa acho que nunca teve em uma corrida de cavalos, reclamou o desiludido Luis. Sergio se sentiu ofendido dizendo: "Pô o Albenzio não me escutou". Vejam vocês.

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Persio Isaac

Persio Melem Isaac, empresário e cronista aos domingos em O Imparcial. Contato: persiomisaac@gmail.com

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