Foto: Arquivo Pessoal, Pãe! Paulo Sergio e suas pedras preciosas, seus filhos: Gonçalo, Diogo e Alfredo

Homens de ferro! Neste domingo especial “super-heróis” falam sobre a arte de ser pai nos dias de hoje

 13/08/2017  - OSLAINE SILVA

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É comum ouvir histórias de mulheres guerreiras que criam seus filhos sozinhas, seja em casos de separação, por pouco ou muito tempo, ou em situações de morte do cônjuge. Mas, menos comum é ouvir histórias de pais que são “pães”! Exemplo emocionante disso é o técnico em telefonia Paulo Sérgio da Paixão, morador da Vila Brasil, em Presidente Prudente, que há dois anos viveu o pior pesadelo de sua vida, a morte trágica de sua esposa Natália, mas tomado pelo amor vem superando obstáculos dolorosos, cuidando, protegendo e amando incondicionalmente suas três riquezas: Gonçalo que completará 8 anos no próximo dia 31, Diogo que faz 7 em 19 de setembro e o pequeno anjo, Alfredo que chegou aos seus 2 aninhos, no dia 15 de junho. Ele não está inserido no meio artístico, mas sabe como ninguém o que é a arte de ser pai! Outros dois pais, estes sim artistas, o músico Wilson Senra, 50 anos, e o fotógrafo, Rodrigo Batista também falam das suas preciosidades neste dia especial!

A história de Paulo poderia ser um filme trágico, mas infelizmente não é. E se faz necessário narrá-la, ainda que resumidamente, para que uma reflexão possa ser feita sobre: reclamar da vida. No dia 6 de novembro de 2015 ele, a esposa e os três filhos foram para Arcos (MG) para o velório de sua sogra. Após o sepultamento, por conta do trabalho ele precisou retornar a Prudente.

Três dias depois, no dia 9, sua esposa, seu sogro, seu cunhado e sua mulher foram até uma cidade vizinha a Arcos para fazer o atestado de óbito da sogra. No caminho, um pneu estourou e um gravíssimo acidente tirou a vida de todos os membros de sua família e dos dois ocupantes do outro veículo.

 

Drama? Tristeza sem fim!

“Quando tudo aconteceu parecia que eu estava vivendo em um pesadelo. A primeira noite ao retornar para casa com meus filhos, foi terrível e de muito choro e desespero. Eu olhava meus filhos deitados ali no mesmo colchão onde dormimos por vários dias e me perguntava: e agora como será? Porque ela era uma super mãe. Fazia de tudo pelas crianças. Não existiam obstáculos, ela não media esforços em prol dos filhos. Ela era incrível!”, exclama com a voz embargada.

Para continuar a tocar esse barco, que não é fácil, Paulo precisou alugar sua casa e ir morar com sua mãe que é quem ajuda a cuidar dos três pequenos. Ele diz que os dias com as crianças são maravilhosos, mas muito corrido, cansativo. “Acordo às 6h, faço o café, a mamadeira dos três. Acordo os maiores para fazer a higiene pessoal para sairmos no mais tardar às 15 para as 7h para a escola. Deixo o Diogo e Gonçalo, um no Goes Brandão e o outro na LBV. Meio-dia faço o inverso com os dois. E vou almoçar às 13h para as 13h30 estar de volta ao trabalho. Normalmente, só nos veremos de novo, à noite. E é quando ouço o som mais lindo do mundo: papai, papai chegou!”

 

Medos

Paulo expõe que para e pensa em como será daqui alguns anos. A educação deles a necessidade enorme das crianças em tê-lo por perto. E confessa que tem medo de faltar na vida deles em algum momento. “Mas, Deus é quem sabe. Meu maior medo hoje é perdê-los. Não em sentido físico. Mas, para o mal que existe no mundo. Eu reflito muito sobre como tratar essas situações, como as drogas que estão tão perto da gente e ninguém está livre de conhecê-las. Não sei como lidaria com isso, mas, eu confio muito em Deus e tenho certeza que Ele estará sempre, sempre protegendo meus filho”, frisa o pai herói.

O carinho da mãe, o afeto, sua delicadeza são as coisas que Paulo acredita que as crianças sentem mais falta. Porque mãe é mãe, segundo ele. Em uma tragédia dessas, não tem como não ficarem traumas. O pequeno Gonçalo está passando por tratamento psicológico, pois tem tido alguns problemas na escola, na família e Paulo tem certeza que isso seja decorrente da perda tão grande.

“No início passamos o mesmo com o Diogo que estava com apenas 5 anos. Ele não aceitava que ninguém lhe falasse nada e disparava aos prantos: ‘você não é minha mãe. Minha mãe morreu, minha mãe morreu. Isso doía demais na gente. Eu queria diminuir minha ausência, o pouco tempo com eles, apenas uma folga por semana, às vezes um passeio. Gostaria de ter mais tempo para eles. Mas, preciso trabalhar. Sinto essa carência materna, principalmente hoje quando eles, especialmente o Diogo, me pedem para arrumar uma mamãe para eles”, lamenta o pai.

 

Lembranças

Paulo menciona que hoje as crianças perguntam menos por Natália. Fazem alguns comentários como “quando a mamãe estava aqui fazia isso, aquilo...”. Guardam na memória músicas que ele cantava para ela. E quando ouvem e já falam: “olha papai a música da mamã”. O Alfredo, que é só um bebê, claro, chama a vovó de mãe.

“Quando eles perguntavam eu dizia que a mamãe estava morando com o papai do céu e que um dia nós iríamos nos encontrar com ela. O meu maior desejo é estar com eles. E se neste domingo, se eu estiver de folga quero muito, muito mesmo estar com eles, assar uma carne, brincar, passar o dia todo com meus filhos que foram tão desejados por nós [eu e Natália]”, ressalta Paulo que é pai ainda de  Yago de 22 anos, que mora em São Paulo,

 

Tal pai, tal filha

Dando continuidade às homenagens, Wilsinho Senra, 50 anos, mais de 30 dedicados à música fala com orgulho de suas duas filhas, Ravena Walessa Souza Senra, de 31 anos, e Betina de apenas uma semana de vida.  Ele foi pai ainda adolescente, com apenas 17 anos!

A música está ligada 100% na vida de Wilsinho e Ravena que também é casada com um músico. Wilsinho conta que é muito gratificante ver a filha seguindo na música. “Está no sangue! É algo predestinado, um tipo de coisa que não dá para adivinhar... Na época em que eu tocava no Cocktail, ela tinha 14 anos, era menor. Pois, dava um jeito e entrava escondida para cantar e tocar comigo... Achei que era só uma brincadeira e que passaria, mas o tempo foi passando e vi que ela tinha o dom mesmo. Infelizmente, hoje é impossível viver de música, mas é algo que a gente gosta e por isso fazemos”, acentua o artista que enfatiza que o maior desejo de um pai é que seu filho seja honesto, do bem, que não tenha vícios e seja bem resolvido na vida.

Indagado se acredita que sua netinha Letícia Senra Dipi, seguirá os caminhos da família, Wilsinho fala que tudo é possível. “O pai dela sempre a coloca na bateria [risos]”.

 

Entrando de cabeça!

O fotógrafo Rodrigo Batista é um verdadeiro personagem dessa tal história de paternidade! Parceiro da esposa Zilanda Cardoso em todos os momentos, pessoais e profissionais, ocasal é só alegria com as princesas Nara e Liz.  

Dia desses elas resolveram antecipar os presentes do Dia dos Pais fazendo uma massagem no papai. Rodrigo exalta que adora crianças. A espontaneidade e principalmente a sinceridade delas. Ele conta que Nara já brinca de fotografar as bonecas e ama bebês. “Pode ser que ela vá para o mesmo caminho que a gente [risos]. Entro de cabeça no desafio da paternidade! A maioria das vezes sou mais coadjuvante que expectador dessa plateia maravilhosa. Adoro cuidar das pessoinhas. Não é fácil, cuidar, educar e nem sabemos muitas vezes se estamos fazendo da melhor forma. Mas, dou o que tenho de melhor. Meu maior prazer e alegria é ver e fazer as pessoinhas ficarem bem e felizes!”, exclama o papai superpoderoso.

 

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