Mulheres relatam histórias de superação e luta

No dia dedicado a elas, personagens ouvidas ressaltam a força que possuem para enfrentar dificuldades impostas pela vida

BEATRIZ DUARTE • 08/03/2018 15:37:18

. Foto: José Reis, Teresinha: "Deus sempre esteve comigo, diante dos problemas"

Quando a data 8 de março de 1977 foi reconhecida pela ONU (Organizações das Nações Unidas) como o Dia Internacional das Mulheres, milhares de vozes femininas ao redor do mundo enxergaram a ação como a largada para uma grande caminhada rumo à igualdade de direitos entre os gêneros, situação que continua até os dias de hoje. Após 41 anos de sua instituição, notam-se como referências, mulheres cada vez mais donas de si, que lutam todos os dias pelo seu espaço na sociedade e no mercado profissional.

Altas ou magras, brancas ou negras, médicas e donas de casa, os estereótipos saem de linha para dar espaço à grande mensagem do século 21: a sororidade feminina, que representa a aliança formada entre as mulheres pelo avanço na sociedade. O Imparcial conversou com duas delas sobre sua história pessoal e as dificuldades encontradas no mercado profissional.

A do lar, Teresinha Simões Ferreira, 65 anos, é um exemplo de que a vida pode trazer vários tropeços, mas só a garra de uma mulher tem poder para encontrar um recomeço em cada dificuldade. Aos 17 anos, casou-se com seu esposo que, na época tinha 18. Permaneceu em matrimônio por 19 anos, um casamento que resultou no nascimento de três filhos: Elisangela, Rosangela e Adilson. Quando estava grávida da terceira criança, foi abandonada pelo marido. “Foi um baque muito grande, mudou minha vida”.

Morando em Teodoro Sampaio na época, passou a cuidar dos três filhos e relembra que, nesse tempo, “comeu o pão que o diabo amassou”. Ela conta que trabalhou muito como boia-fria e na roça para oferecer os alimentos para os filhos. “Eu levantava de madrugada e deixava os dois filhos na creche. O mais novo eu levava para o trabalho comigo, depois descia para a estação que me levava de volta para casa”.

Diante dos problemas, Teresinha conta que nessa época passou por tanto sofrimento que acabou sendo internada por problemas de saúde. Questionada sobre o aprendizado que a vida trouxe, ela acredita que “a força veio de Deus”. “Ele sempre esteve do meu lado, me apoiando e me dando amparo”. Após nove anos sozinha, passou por outro relacionamento, onde permaneceu casada por três anos, até separar-se novamente. De acordo com ela, as dificuldades que passou na juventude fez com que ela se tornasse uma mulher mais forte.

Com os filhos casados, ela diz que hoje divide seu tempo entre Teodoro Sampaio e Presidente Prudente, alternando-se entre as residências de seus filhos. “Não tenho parada certa”, aponta. “Acho que ser mulher é ter força para aguentar os problemas e não deixar se abalar no primeiro problema, porque sempre foi difícil a vida para as mulheres e ainda é. Eu sempre falo para as minhas netas nunca deixarem de correr atrás dos estudos, única coisa que pode mudar a vida”.

 

Foto: José Reis, Para operadora de caixa, Luciene, maior presente foi a filha

 

Já Lucilene Galindo de Oliveira, 34 anos, trabalha como operadora de caixa em uma loja de variedades no calçadão da cidade há 14 anos. Destaca que hoje as mulheres conseguiram conquistar vários direitos, mas que ainda falta muito espaço para elas em vários pontos. E ressalta que seu maior sonho é ver a filha que criou sozinha, hoje uma adolescente, formada na faculdade. “A maternidade me trouxe uma grande responsabilidade e inúmeras mudanças na minha vida. Nós ficamos mais atentos às pequenas coisas”.

Lucilene brinca que a preocupação com os filhos nunca passa, apenas muda de fase. Questionada sobre os preconceitos de ser uma mãe solteira, Lucilene explica que nunca passou por nenhuma situação, e que para ela, essa é uma das conquistas advindas da luta das mulheres.

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