Álvares Machado

Moradores se unem após envenenamento de gatos

Proprietários de felinos afirmam serem comuns casos de animais que são mortos por veneno, no centro; insegurança aumenta

ROBERTO KAWASAKI - Da Redação • 15/05/2018 08:48:48

3 felinos de Ingrid saíram e não voltaram: “presença deles na família sempre foi importante”. Foto: Marcio Oliveira

A população de Álvares Machado está com medo de deixar seus animais de estimação sozinhos nas ruas. Por meio de denúncias via WhatsApp, moradores disseram que é crescente o número de felinos que são mortos por envenenamento, o que põe em risco a liberdade dos demais. Desta forma, buscaram uma maneira para que se unissem e colocassem fim na matança que atinge a área central da cidade.

No final do mês passado, a instrutora de manicure Zety Ferraz, 56 anos, presenciou o momento em que o seu gatinho de estimação estava caído no quintal da casa da vizinha, morto por envenenamento. Diante da perda do companheiro, a instrutora passou a desenvolver problemas emocionais, o que fez com que ela buscasse ajuda médica. “Faz oito anos que moro na cidade e sempre ouvi falar da morte dos bichos, mas nunca imaginei que fosse acontecer comigo, fiquei em choque”, expõe.

Inconformada com a situação que surgiu em sua vizinhança, ela fez uma postagem no Facebook para conscientização sobre o fim da matança, ideia esta que possibilitou a formação de um grupo de 12 pessoas que buscam “chamar a atenção da população da cidade para que não matem mais os animais, principalmente os domésticos, que são muito indefesos”. Para que o movimento torne-se amplo, distribuíram cartazes informativos em pontos estratégicos. “Alguém teve que tomar a frente disso, senão vão continuar matando cada vez mais”, explica.

A técnica de enfermagem, Elisângela Aparecida Soares, 38 anos, afirma ter perdido as contas de quantos animais foram envenenados nas proximidades de sua residência. Apenas nos últimos dois anos, conta que quatro felinos foram encontrados mortos e, por medo de mais perdas, passou a ter a companhia de um único animal de estimação. Mãe de duas crianças e um adolescente, ela teme pelo risco de seus próprios filhos serem vítimas deste crime, já que “criança põe qualquer coisa na boca”.

Em menos de 20 dias, três gatos de estimação da estudante Ingrid Nigre Vicola, 19 anos, saíram para passear e, até o momento, não retornaram para a casa. Conforme explica à reportagem, a presença dos felinos na família sempre foi importante, no entanto, muitos deles foram encontrados mortos por envenenamento, o que aumenta a preocupação pela criação dos animais. “Acho estranho isso ocorrer apenas com os meus gatos, já que os da vizinhança estão todos vivos. Minha mãe já fez boletim de ocorrência sobre os casos, mas infelizmente não deu em nada”, lamenta.

Apesar de ter se juntado ao grupo de ativistas, a estudante afirma que quando os casos ocorriam isoladamente, tinha medo de represálias por parte do autor dos crimes. “Quando estava sozinha, nunca busquei ajuda para resolver a situação, mas com um grupo maior, acredito que sejamos capazes de conscientizar as pessoas”, expõe.

 

SERVIÇO

Conforme a Polícia Civil, diante de situações de envenenamento de animais, é necessário realizar um boletim de ocorrência direto na Delegacia de Polícia local ou fazer a denúncia por meio do site www.policiacivil.sp.gov.br, onde o Depa (Departamento de Proteção Animal) encaminhará a solicitação aos respectivos agentes locais.

 

SAIBA MAIS

Previsto na Lei Federal 9.605/98, o artigo 32 diz que é considerado crime ambiental “praticar ato de abuso, maus tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos, nativos ou exóticos”. A pena prevista é detenção de três meses a um ano de detenção e multa.

 

Estilo do Site
  • Luz
  • Alto Contraste