José Reis - Moradores se preocupam com efeitos da radiação emitida pela antena instalada entre as casas

Foto: José Reis - Moradores se preocupam com efeitos da radiação emitida pela antena instalada entre as casas

ANA JACINTA

Moradores questionam presença de torre de telefonia

Segundo especialista em radiação, população pode se tranquilizar, pois, de acordo com estudos, nível de radiação emitido pelas antenas de celular é seguro

  • 17/09/2019 08:48
  • MARCO VINICIUS ROPELLI - Especial para O Imparcial

Uma nova “vizinha” está preocupando moradores da Rua Manoel Marques de Freitas, no bairro Ana Jacinta, em Presidente Prudente. Trata-se de uma torre de telefonia celular que foi instalada recentemente em um terreno localizado entre as residências. A vizinhança teme supostos “efeitos nocivos” da radiação emitida pela antena na saúde dos que vivem nas proximidades, onde existem escolas, um parquinho e um asilo. “A minha filha estuda ali, brinca nesse parquinho”, afirma a manicure Elisângela Lucas, 45 anos, moradora das imediações, que está preocupada com a saúde das crianças.

Os moradores se queixam, também, de não terem sido avisados sobre a construção da torre. O aposentado Aparecido Virgílio, 73 anos, diz estar indignado com a falta de comunicação por parte da Prefeitura e da operadora responsável. “Para colocar uma coisa dessas aí, tinha que comunicar a população. Para mim ninguém falou nada”, reclama.

Motivados pelo medo das radiações e riscos à saúde, os moradores estão realizando um abaixo-assinado, organizado pela Elisângela, a fim de ter respostas dos poderes público e privado e requerendo, inclusive, a retirada da antena, como reitera o aposentado Paulo Pinheiro, 75 anos.

Há riscos?

A reportagem entrou em contato com o físico, especialista em radiação, Cássio Fabian Campos, 45 anos, para esclarecer se realmente as radiações emitidas pelas torres de telefonia são nocivas à saúde dos que residem nas suas proximidades. Cássio explica que as radiações empregadas em sistemas de telecomunicação e celulares são conhecidas como radiações não ionizantes, logo não possuem energia suficiente para causar a ionização de tecidos biológicos, que são os fenômenos químicos relacionados ao surgimento de cânceres. Ao contrário das radiações utilizadas em exames radiológicos e tratamentos radioterápicos.

Cássio lembra que estudos sobre radiações de celulares e antenas vêm ainda sendo feitos ao redor do mundo, mas, oficialmente, o que se conhece são os efeitos térmicos, apenas, ou seja, aquecimento de tecidos biológicos, quando expostos à radiação não ionizante diretamente, o que não é o caso das antenas. “Em geral, aceita-se que o nível emitido pelas antenas, no pé da torre, é abaixo das normas do considerado seguro. O nível emitido pelo celular no ouvido é até maior do que o transmitido pela estação devido à proximidade”, pontua.

O físico recomenda que os moradores exijam, da companhia responsável, a taxa de radiação emitida pela antena. Esse tipo de informação também está presente em manuais de instrução de celulares, junto ao tempo que o fabricante orienta utilizar o aparelho. “Algo que raramente lemos, mas que é muito importante para o uso seguro”.

Exigências cumpridas

A Secretaria Municipal de Planejamento e Desenvolvimento Urbano, por sua vez, informa que o responsável pela referida obra cumpriu todas as exigências de legislação, apresentando o EIV (Estudo de Impacto de Vizinhança) pormenorizado, além da declaração de anuência de oito moradores vizinhos, por escrito. Ao atender as exigências, o município emitiu a Certidão de Uso do Solo. Segundo a secretaria, não há qualquer irregularidade na instalação da torre. O Poder Executivo não informou a empresa responsável pela antena, alegando serem informações confidenciais do processo.