Mil caçambas podem ser "rejeitadas" na Cooperen

Prudente

| ANDRÉ ESTEVES - Da Redação

Entre 800 e 1 mil caçambas não serão aceitas pela Cooperen (Cooperativa para Reciclagem de Resíduos da Construção Civil e Demolição) caso não seja efetuado o pagamento (veja valores na tabela) para o descarte de rejeitos, aponta o diretor-adjunto da regional do Sinduscon (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo) de Presidente Prudente, Marcos Aurélio Cesco. Segundo ele, o local possui alicerce para receber resíduos inertes, com exceção de material orgânico, contudo, o maior problema é que, antes mesmo da cooperativa entrar em funcionamento, já havia caçambas espalhadas na cidade que não tinham o custo do trabalho da associação embutido no valor da contratação desses dispositivos. “E o dilema é que os geradores de resíduos não estão querendo pagar isso agora e jogando a responsabilidade para os caçambeiros”, expõe.

Marcos salienta que os trabalhadores do setor solicitaram, após o anúncio de que o vazadouro seria fechado para esse tipo de material, o prazo de uma semana para despejarem os resíduos sobressalentes, mas tal exceção não pode ser feita conforme determinação da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo).

Com isso, o diretor-adjunto do sindicato acredita que as pessoas começarão a jogar esse lixo em bairros, estradas rurais e APPs (áreas de preservação permanente), o que exigirá da municipalidade uma fiscalização mais rigorosa em cima dessas práticas e também com relação ao estado das caçambas paradas, que não só propagarão mau cheiro, como também favorecerão a proliferação de vetores transmissores de doenças. “O cronograma de obras também será afetado, sobretudo para os pequenos geradores de entulhos que quiserem fazer uma construção, uma reforma ou até mesmo a regularização de uma calçada”, considera.

 

Conscientização

O proprietário da Só Caçamba, Luiz Carlos Guedes, afirma que tem tentado trabalhar apenas com entulhos ou madeira, mas “sem sucesso”, já que a população descarta todo tipo de material nas caçambas, inviabilizando o descarte apropriado. Ele pondera que o fechamento do aterro deixou os caçambeiros “na mão” e teme a adoção de medidas desesperadas para a evasão desse lixo. “Vamos começar a jogar no meio da rua, baixadas e meios-fios”, lamenta.

Já o proprietário da Locações Prudente, Valdecir Batista, enfatiza que as empresas do setor têm conscientizado os usuários a depositarem nas caçambas apenas os entulhos limpos, como tijolos, concreto e telhas, que são aqueles que podem ser recolhidos pela Cooperen. “Quando vai com lixo, por exemplo, não temos licença para receber esse tipo de material na cooperativa”, explica. Entretanto, não há como garantir esse tipo de comportamento por parte do cidadão e, por esta razão, acredita que muitas caçambas ficarão superlotadas por conta da dificuldade de destinação.

O proprietário da Alô Kaçamba, Marcelo Longas Guedes de Paiva, por sua vez, está com 50 caçambas paradas por conta da medida. Ele afirma que, com relação àquelas que estavam vazias, já consegue desempenhar o trabalho de destinação junto à cooperativa. Porém, não é possível enquadrar as demais no processo por reunirem entulhos diversos. “A Cooperen só aceita resíduos classe A e B mediante o pagamento de uma taxa. Como a Prefeitura autorizava a disposição no lixão sem cobrar nada, o pessoal misturava todo tipo de entulho”, comenta. Marcelo pontua que os contratantes não querem custear o valor para o despejo e, mesmo se todas as caçambas contassem com “entulhos limpos”, teria despesas muito altas caso resolvesse arcar com a taxa de todos os equipamentos paralisados.

 

Custo do serviço de descarte pela Cooperen

CATEGORIA

SEPARADO

MISTO

Caçamba 

R$ 85,00

R$ 120,00

Caminhão toco 

R$ 106,00

R$ 150,00

Caminhão truck 

R$ 200,00

R$ 280,00

Caminhão bi-truck 

R$ 250,00

R$ 350,00

Carreta 

R$ 600,00

R$ 840,00

Caminhoneta/ Reboque 

R$ 85,00

R$ 120,00

Fonte: Cooperen

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