ENTREVISTA

Marcos Júlio Sergl, MAESTRO 

“A música é muito latente na Cidade, antes mesmo do próprio surgimento de Prudente ”

  • 04/08/2019 07:10
  • WEVERSON NASCIMENTO - Da Redação

O professor e maestro Marcos Júlio Sergl, iniciou sua carreira em Presidente Prudente, quando foi aluno do Conservatório Municipal Professora Jupyra Cunha Marcondes, hoje escola. Antes disso, o jovem de apenas 14 anos foi organista da Catedral, a qual assumiu posteriormente a regência do coro. Diante do vislumbre profissional, quando o maestro Joel de Lima Genésio deixou o Coral Vila Lobos de Presidente Prudente, Marcos foi convidado para assumi-lo. No centenário prudentino, comemorado em 2017, o artista musical produziu um livro que retrata a música na cidade antes mesmo do próprio surgimento de Prudente como município. Entre inúmeras conquistas profissionais que somou ao currículo, recentemente assumiu o título de Imortal da Academia de Música do Brasil, no Rio de Janeiro, cadeira n° 91, "Roberto Schnorrenberg".

 

O Imparcial: Como a música entrou em sua vida? Qual a importância de Presidente Prudente para sua formação musicista?

Marcos: Eu acho que o conservatório de Prudente foi a base para os meus ensinamentos, a professora, se não fosse o conservatório e, em particularmente, a dona Jupyra muito atenta aos alunos e quando algum deles demostrava algum dom, alguma facilidade, ela dava todo apoio. Dona Juryra sempre foi minha incentivadora! Depois, em um concurso em Tatuí, eu ganhei em segundo lugar, um bolsa vitalícia no Instituo Musical de São Paulo. Então, eu pude fazer o curso de piano completo, a educação artística com habilitação em música e composição em regência, não pagando.

 

Exerceu outra atividade de destaque?

Sim, outro fator importante é que desde meus 14 anos eu era organista da Catedral, quando o padre Carmelo saiu da regência do coro eu assumi e isso deu certo vislumbre, pois quando o maestro Joel de Lima Genésio deixou o Coral Vila Lobos de Presidente Prudente, eu fui convidado para assumi-lo. O coral também deu um grande destaque tendo em vista que era um grupo de alta qualidade que representou Prudente no país inteiro.

 

O que a música representa para o senhor?

Hoje, eu vivo de música, vivo com a música, vivo pela música. Eu faço música todos os dias da minha vida, seja como regente de coral, como musicólogo ou como professor. Eu atuo em diversas áreas do seguimento e está presente o tempo todo. Minha esposa também é musicista, cantora lírica, então a gente tem música no serviço e dentro de casa.

 

O senhor fez um livro sobre a música e o centenário de Prudente. Como foi o retorno deste trabalho?

Em um primeiro momento, como ia acontecer o centenário da cidade e como a música foi muito importante para esse processo de construção da identidade prudentina. Através de um bate-papo, com um primo, decidimos escrever. A princípio, seria um livro só, depois dado à quantidade e a importância de eventos segmentados e de personalidade musicais que fizeram parte da cidade, ele virou dois volumes, o segundo nós estamos escrevendo ainda. Inclusive, dados da pesquisa falam que no final do século 19, realizavam troca de terras por um escravo porque ele tocava música. Então, a música é muito latente na cidade antes mesmo do próprio surgimento de Prudente como município ou como um aglomerado.

 

O senhor assumiu o título de Imortal da Academia de Música do Brasil, no Rio de Janeiro, cadeira n° 91, “Roberto Schnorrenberg”. O que isso significa?

Nesse momento histórico, bastante tempestuoso do Brasil, o cultivo da música é uma coisa imprescindível e são poucas pessoas convidadas para as academias, então eu acho que é um privilégio muito grande. Eu tinha ganhado anteriormente o título de comendador da ordem Carlos Gomes, depois eu ganhei o prêmio da APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes). Agora, a academia é o patamar mais alto dessa categorização de representantes da música erudita. Eu tenho um percurso como musicólogo e como maestro de coro e orquestra, então eu ganhei a cadeira do meu professor de regência coral, Roberto Schnorrenberg, que foi uma personalidade muito importante para música brasileira. É um privilégio, pois essa cadeira é perene e só vai ser assumida quando eu falecer.

 

O que a Academia fomenta para o desenvolvimento da música?

Primeiro, porque você é reconhecido internacionalmente. Segundo, porque um dos objetivos da cadeira é o desenvolvimento da pesquisa musicológica para que se possa levar a música erudita brasileira para fora do país. A cadeira homenageia as pessoas que são reconhecidas como músicos de destaque no Brasil.

 

Qual a mensagem que o senhor deixa para quem quer dedicar a vida à música?

Eu acho que qualquer profissão, se você se dedicar com empenho e seriedade, você ganha. Eu sou contra essa teoria de que música não dá dinheiro. A sugestão que eu daria é que é preciso se desempenhar, se fazer notar no cenário. Você tem que sair para grandes centros, mostrar o seu trabalho. Este ano, eu completo 25 anos como regente coral da Cultura Inglesa de São Paulo. É esse vislumbre que você tem que alcançar, para ter sucesso financeiro e, principalmente, o reconhecimento.