INCLUSÃO

Mais inclusiva, rede pública acolhe 134 alunos com autismo

Há 35 alunos nível do Estado e 99 pelo município, distribuídos pelas escolas da cidade, da educação infantil, passando pelo ensino fundamental, ao ensino médio

  • 18/08/2019 04:02
  • THIAGO MORELLO - Da Redação

“Se você me perguntasse há 30 anos o que uma escola faria ao receber um aluno com autismo, eu diria que todos sairiam correndo, por medo, por falta de informação. Uma situação totalmente diferente de hoje”. Esse é o depoimento da diretora-substituta do Centro de Apoio Pedagógico do Estado de São Paulo, Tania Regina Martins Resende, ao avaliar o cenário da educação e o TEA (Transtorno do Espectro Autista). A evolução, segundo ela, pode ser verificada através do próprio acolhimento, uma vez que, a nível estadual, há 35 alunos com autismo sendo atendidos em instituições de ensino de Presidente Prudente. Somados aos 99 da rede municipal, eles formam um grupo de 134 estudantes que buscam seu espaço, não só no intelecto, mas também de interação social.

De modo geral, eles estão distribuídos pelas escolas da cidade, da educação infantil, passando pelo ensino fundamental, ao ensino médio. E o lema, não importa a instância, é atender todos que cheguem procurando por um espaço, seja qual for o grau da doença. Pelo menos é dessa forma que se posicionam os governos, ao serem questionados sobre as atuações nas escolas.

E como inclusão é um processo diário, ano após ano eles garantem que buscam se aprimorar no atendimento. De tal modo que, hoje, Tânia e a Seduc (Secretaria Municipal de Educação) detalham que, independente do local, todas as unidades escolares estão aptas a receber um estudante com autismo.

“Todas as escolas contam com o apoio de professores de educação especial, que atendem as crianças no contraturno escolar nas salas de recursos multifuncionais e também auxiliam as escolas na adaptação da criança e na organização do trabalho a ser efetivado”, pontua a pasta. O contraturno é como uma atividade extracurricular, já que o aluno está no ensino regular normal, sem separação.

E quando não existe esse espaço físico, Tânia complementa que o profissional competente cuidará de realizar esse “reforço”, seja na biblioteca, uma sala de aula, enfim, em algum espaço escolar, mesmo que não seja específico para isso. O que ambas deixam claro, é que esse passo a passo será atuado conforme a especificidade de cada caso.

Identificação

As escolas estaduais de Prudente atuam a partir do primeiro ano do ensino fundamental. Com isso, a diretora do Centro de Apoio Pedagógico relata que é raro a identificação ocorrer por parte da escola. Isto é, “essa faixa etária, geralmente, já chega com o diagnóstico no momento da matrícula”. Para ela é mais comum que esse reconhecimento, por parte da instituição de ensino, ocorra na educação infantil, que fica a cargo do município.

E quando há estudantes com comportamentos que podem indicar o autismo, a Seduc informa que as famílias são orientadas a procurar auxílio na rede publica de saúde para uma avaliação, ou encaminhar para o centro de avaliação e atendimento da secretaria. “Quando os pais relatam o autismo, a escola informa o professor de educação especial para que a criança possa ser inserida no AEE (atendimento educacional especializado), no contraturno escolar. Além disso, o professor de educação especial avalia as necessidades específicas da criança e orienta a escola em seus procedimentos”, completa a pasta. O mesmo ocorre na rede estadual, garante Tânia.

No caso da Seduc, há ainda o Sace (Setor de Ações Complementares a Escola), que conta com psicólogo escolar, assistente social e educador de saúde, que também auxiliam a escola tanto na identificação de possíveis transtornos quanto no encaminhamento para outros serviços da comunidade.

Formação profissional

E para que os profissionais não especializados também estejam preparados para lidar com a situação, Tânia relata que cursos são oferecidos aos profissionais da educação por meio da plataforma online da Efape (Escola de Formação e Aperfeiçoamento dos Profissionais da Educação do Estado de São Paulo). “A Diretoria de Ensino de Prudente conta ainda com uma equipe de educação especial, um professor, um coordenador do núcleo pedagógico e supervisor de ensino, que realiza visitas periódicas, promovendo orientação”, frisa.

Enquanto que na rede municipal, de acordo com a demanda, cada escola organiza momentos de formação continuada com o apoio do professor de educação especial. “A Seduc também organiza momentos de formação continuada para tratar do autismo e de outras deficiências”, complementa a pasta.