José Reis - Cristina Vendramim se dedica ao suporte dos dois filhos

Foto: José Reis - Cristina Vendramim se dedica ao suporte dos dois filhos

HISTÓRIAS

Mães ressaltam superação no Dia Internacional da Mulher

Campanha deste ano, de acordo com a ONU (Organização das Nações Unidas) Mulheres, irá focar nas novas formas de defesa e igualdade de gênero e empoderamento

  • 08/03/2019 06:20
  • WEVERSON NASCIMENTO - Da Reportagem Local

Hoje, dia 8 de março, é comemorado o Dia Internacional da Mulher e sendo assim separamos duas histórias de superação de mulheres e mães, sinônimos do poder feminino. Cristina Fátima Vendramim, mãe de gêmeos, um deles pessoa com deficiência e Valéria Caetano Pinto que foi mãe jovem e contou com o incentivo e valorização do trabalho feminino na empresa em que trabalha. A campanha deste ano, de acordo com a ONU Mulheres (Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres), irá focar nas novas formas de defesa e igualdade de gênero e empoderamento.

Moradora da cidade de Anhumas, localizada a 30 km de Presidente Prudente, a história de Cristina Fátima Vendramim Silva, 34, pode ser definida pela palavra “superação”. A mãe dos gêmeos Gabriel Yuri Vendramim e Rafael Vendramim passa por dias de luta desde o nascimento dos filhos. As crianças nasceram em 2010 em um parto prematuro de aproximadamente 28 semanas de gestação (7 meses) e ficaram intubados por conta do pouco tempo de gestação. A mãe relata que o filho Rafael ficou 43 dias em observação e o Gabriel ficou 3 meses internado. Neste período, detalha que foi de muita dificuldade, pois tinha que cuidar de um dos filhos que estava em casa e visitar todos os dias Gabriel que estava no hospital.

Durante o período, a mãe sempre buscou forças depositando confiança de que o filho conseguiria passar por todas as dificuldades, mas nem sempre foi assim. O pequeno Gabriel, pela pouca resistência, passou por varias infecções hospitalares, até que um dia a mãe voltou para casa com a notícia de um dos médicos que acompanhavam o caso, de que seu filho tinha apenas 2% de chances de sobreviver. “Eu fiquei sem saber o que fazer, foi um momento de alegria por estar com um filho em casa misturado com o medo de perder o outro”, ressalta.

Passados os meses no hospital, o vitorioso Gabriel foi pela primeira vez para casa. Neste período ele chorava muito, e a mãe perguntava aos médicos porque do tanto de choro. Segundo ela, eles falavam ser normal, por se tratar de uma criança prematura. Depois de muita insistência a mãe detalha o que o destino lhes impusera. “Eu trouxe ele para o médico e, após alguns exames, ele falou: ‘Mãe seu filho vai ser uma criança especial’. Foi de uma vez! Eu levei um choque e chorei muito, fiquei bem nervosa, mas eu creio que foi no momento certo. Mas foi difícil, eu não aceitava no começo, mas aos poucos eu fui vendo que se Deus me deu até aqui, eu vou cuidar”, diz a mãe, emocionada. Gabriel foi diagnosticado com leucomalácia periventricular, por falta de oxigênio no cérebro.

Rotina

Atualmente a mãe se dedica ao cuidado dos filhos. De manhã leva um dos gêmeos para a escola regular, em Anhumas, e depois Gabriel Yuri até a Lumen et Fide, em Prudente, onde passa por atendimentos especializados na área de saúde e educação. “Meio período eu fico com o Rafael meio período eu fico com o Gabriel” declara.

Após chegar em casa a rotina de Cristina e o marido é continuar se dedicando aos dois filhos. “Quando eu chego eu dou banho neles, faço comida, os serviços de casa. Depois me dedico ao lazer dos meus filhos, levo para passear, ajudo eles brincarem, dou auxilio ao Rafael nas tarefas, e também o Gabriel. Faço os exercícios com o Gabriel, coloco para ele ficar em pé para ajudar em sua musculatura, pois é muito importante que o trabalho realizado na instituição continue em casa. Então eu, como mãe, faço minha parte, cuido da casa e me dedico aos meus filhos”.

Ao ser questionada sobre o que seus filhos significam em sua vida, emocionada ela responde. “Tudo! Filho é tudo nas nossas vidas, não tem nem explicação. Filho que é o bem mais precioso que Deus nos confiou, então né, não tem palavras”.

Valéria Caetano

Também moradora de Anhumas, a gerente administrativa Valéria Caetano Pinto, 38, tinha apenas 17 anos quando soube que o McDonald’s seria inaugurado em Prudente. Em busca de uma oportunidade de emprego, ela se candidatou a uma vaga. “Entre milhares de pessoas inscritas, tive a sorte de ser selecionada. Eu estava terminando o terceiro colegial. Fui passando de etapa em etapa até que chegou o dia de ir para Bauru fazer o treinamento. Comecei em quiosque de sobremesas geladas. Tudo foi uma novidade, um sonho”, relembra Valéria.

Com pouco mais de um ano de empresa e apenas 19 anos, Valéria ficou grávida do namorado, que ao saber da notícia, não deu suporte. Para Valéria, este foi um dos períodos mais difíceis que viveu. A jovem contou com a ajuda da família e dos colegas de trabalho, que a acolheram e a ajudaram durante toda a gravidez. “Eu não tinha condições de criar uma criança e recebi todo o tipo de ajuda, como fraldas, roupinhas, e o mais importante: o acolhimento. Ser mãe sem o apoio da figura paterna é um grande desafio. Como mãe, a gente sofre pelo filho em razão a ausência paterna, que é muito forte. Temos uma relação maravilhosa e, apesar de todo amor, a presença do pai eu não posso suprir”, destaca.

Após o nascimento do filho, Valéria começou a se dedicar ainda mais ao trabalho e passou por todas as áreas do restaurante. Contou com a ajuda e com o constante incentivo para se desenvolver. “Aprendi tudo que sei, a empresa me deu um suporte para continuar os estudos para que eu pudesse conquistar o diploma em administração de empresas”, recorda Valéria. Sobre seus planos para o futuro, ela diz: “Sou mãe, então, quero estar sempre perto do meu filho, para que juntos possamos nos desenvolver. Quero me aposentar no McDonald’s e isso não significa que se eu me aposentar, vou parar de trabalhar”, reforça.