Cedida/João Paulo dos Santos - 3º lugar tem um tempero especial: o passaporte carimbado com a vaga para os Jogos Olímpicos, em Tóquio, no Japão, em 2020

Foto: Cedida/João Paulo dos Santos - 3º lugar tem um tempero especial: o passaporte carimbado com a vaga para os Jogos Olímpicos, em Tóquio, no Japão, em 2020

ENTREVISTA

Jóquei martinopolense e seu Carthago integram equipe de bronze no Pan, em Lima

João Paulo dos Santos - JÓQUEI ADESTRADOR

  • 14/08/2019 08:32
  • OSLAINE SILVA - Da Redação

Desfilando em carro aberto pela cidade, o martinopolense João Paulo dos Santos foi recebido com festa por familiares, amigos e munícipes em geral, ao retornar dos Pan-Americanos realizados em Lima, no Peru. Isso porque a nota 69.029 deu a ele e seus companheiros da equipe brasileira de hipismo adestramento, João Victor Marcari Oliva, Leandro Silva e Pedro Tavares de Almeida uma medalha de bronze! Esse terceiro lugar no pódio tem um tempero especial: o passaporte carimbado com a vaga para os Jogos Olímpicos, em Tóquio, no Japão, em 2020! É pra comemorar e muito mesmo! João Paulo realizou uma boa prova montando o Carthago Comando SN, e conseguiu com a nota a melhor colocação do Brasil no ranking. Os quatro atletas ficaram atrás do Canadá, prata, e dos Estados Unidos, ouro.

 

OSLAINE SILVA

Da Redação

 

João Paulo, para começarmos, me diga qual a sua estatura? Quantos quilos pesa? E o que é preciso para ser um jóquei?

Tenho 1,75 m [metro] de altura e peso 80 kg [quilos]. Para ser um jóquei e um bom profissional, é preciso muito trabalho e dedicação. Fazer aulas sempre buscando sempre melhorar e evoluir. Nunca é demais aprender. Então precisamos praticar cada dia mais. E, acima de tudo ser paciente, pois lidamos com um ser vivo [cavalo] qual necessitamos conhecê-lo e entendê-lo para tirar o máximo dele.

 

Pelo regulamento, apenas os dois melhores grupos ficariam com as vagas em disputa para Tóquio, certo? E para sorte da equipe brasileira os Estados Unidos já estavam classificados por terem sido campeões dos Jogos Mundiais Equestres, e uma vaga a mais então foi aberta para as Américas. E vocês conseguiram! Me fale da emoção que é ser um medalhista panamericano e ainda garantir a vaga para os Jogos Olímpicos?

Sim, tivemos sorte! É sempre muito importante e gratificante poder fazer parte de uma equipe de esporte internacional e representar o país. Fiquei muito contente com o resultado e por fazer parte disso.

 

Uma curiosidade, três de vocês quatro estão vestidos, igualmente, de azul e o quarto de verde. Por quê?

Este é o João Victor, um atleta que é sargento da cavalaria e pelo regulamento e disciplina do Exército deve se apresentar trajado com a farda.

 

Carthago Comando SN é o nome do seu cavalo? Como é a relação entre cavalo e cavaleiro ou jóquei?

A nossa relação é de longos e bons anos de trabalho. O Carthago, que está com 12 anos, é um cavalo espetacular, muito habilidoso.

 

Você mora em Martinópolis mesmo? Como faz para treinar com os demais companheiros de equipe?

Moro sim. Em um haras, Fazenda Sasa. Treino por aqui mesmo e somente às vésperas da competição nos juntamos. Embarcamos para Lima, no dia 22 de julho.

 

Para quem vai ler a matéria e é leigo na modalidade qual vocês conquistaram o bronze, pode explicar como ela é executada? Percurso, obstáculos...

É uma reprise [prova] universal, ou seja, é a mesma para todos dentro de uma pista de 20 por 60 metros, demarcada com letras onde estão em volta dela cinco juízes. Temos que fazer os exercícios pedidos com o máximo de perfeição possível na execução, enquanto os juízes observam o desempenho do conjunto dando notas de 0 a 10. Ao final é feita uma média com a somatória de 0 a 100% de aproveitamento. São exercícios tipo círculos, trote alongando movimentos curtos e amplos todo o tempo.

 

Quando foi que se transformou em um atleta? Por que o hipismo? Esta é a sua profissão de corpo, alma e coração?

Comecei a trabalhar com cavalo lusitano em 2005. Eu morava em uma fazenda e trabalhava ao lado como campeiro cuidando de vacas. Tive a oportunidade e resolvi tentar. Estreei na modalidade adestramento em 2010, já em uma seletiva para os Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, em 2011, onde fiquei cotado de reserva. Sempre sonhei em trabalhar com cavalos.

 

Vamos falar um pouquinho da sua vida pessoal, João. Como é seu dia a dia? É casado, tem filhos?

Sou casado há 13 anos com Cristiele e temos uma filha, Maria Clara, de 7 anos. Meu dia a dia é de muito trabalho [risos]. Em média de 9 horas montando, treinando e preparando uma média de nove animais diariamente, seja para provas ou venda.

 

Como foi sua chegada à Martinópolis? Qual foi a recepção que teve?

Fui recebido pela minha família e amigos que fizeram uma bonita homenagem com uma carreata.