COTIDIANO

Investidor prudente

  • 07/05/2019 04:10
  • Walter Roque Gonçalves

Obviamente que ao ingressar num novo empreendimento o empresário pode ser considerado um investidor, pois investe dinheiro no negócio com expectativa de retorno no futuro. O investidor que me refiro é aquele capaz de equilibrar a empresa, manter o capital de giro, retirar o pró-labore e ainda consegue sobras para outros investimentos extras, como a parcela de uma casa, terreno, aplicações, consórcio, entre outros. Portanto, nesta concepção. para que o empresário se torne investidor, precisa passar pelos degraus que antecedem esta fase para se tornar um investidor prudente.

Equilibrar a empresa significa pagar todas as contas do mês, como água, luz, telefone, os fornecedores de mercadorias e sobrar o mínimo para o pró-labore. Superado este degrau, o dinheiro guardado para manter a empresa no positivo o mês inteiro precisa ser preservado. Este é o famigerado capital de giro. Este conceito está intimamente ligado as conta a pagar em torno do 5º dia útil do mês, pois são bem maiores do que os outros períodos do mesmo mês. Isto significa que o dinheiro gerado pelas vendas não são o suficiente para cobrir as despesas nesta fase e precisam de outros recursos.

Entendendo este fato será preciso financiar a empresa por alguns dias ou mais, pode-se usar o cheque especial ou linhas de financiamentos voltadas para capital de giro. Estas são as opções mais usadas, mas de longe não são as recomendadas. O melhor financiamento é aquele gerado pela própria empresa. Se o empresário entender a importância do capital de giro e colocar isto como meta, formará um capital ao guardar dinheiro nos meses que as vendas foram boas. E entenderá que o saldo a mais no banco não está disponível para uso. Por exemplo, se o capital de giro da empresa for R$ 15 mil, o saldo começa a sobrar para outros investimentos a partir deste valor. O capital de giro deve ser preservado sempre. Cheque especial ou qualquer outra linha de financiamento deve ser usado somente em último caso. O melhor custo benefício é quando a empresa se autofinancia, pois reduz custos e riscos.

O empresário que luta por estas metas poderá capitalizar com mais facilidade do que a maioria que não age desta forma. Por isso, aquele empréstimo bancário de juros baixo ou a oferta com descontos quase irrecusável do fornecedor para comprar três meses de estoque de um determinado produto não são bem vindos. O investidor primeiro equilibra a empresa, garante pró-labore, gera e mantém o capital de giro, para depois pensar em outros investimentos. Este sim é um investidor prudente.

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Walter Roque Gonçalves

Walter Roque Gonçalves

Walter Roque Gonçalves é consultor de empresas, professor-executivo e colunista da FGV/ABS (Fundação Getúlio Vargas/América Business School) de Presidente Prudente.

Contato: fb.com/jkconsultoriaempresarial/

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